O Santos está novamente impedido de contratar jogadores. Nesta sexta-feira, 9, a Fifa publicou em seu sistema mais três transfer bans ao clube em razão de dívidas com o ex-técnico Pedro Caixinha e outros dois integrantes de sua comissão: os auxiliares Pedro Malta e José Pratas. O Peixe já havia sido punido na quinta, 8, por conta da dívida com o preparador de goleiros José Belman.
A entidade ainda deve punir a equipe paulista nos próximos dias com um quinto tranfer ban, este referente a valores devidos ao preparador físico Guilherme Gomes.
Demitido em 14 de abril de 2025, após pouco pouco mais de três meses de trabalho e apenas 16 partidas no comando do clube, Caixinha e sua comissão técnica tinham direito a uma multa milionária de R$ 15 milhões à vista. Sem receber o pagamento, eles acionaram à Fifa.

Os novos transferbans sofridos pelo Santos – Reprodução/Fifa
A agremiação ainda tentou a propor aos advogados do antigo treinador um parcelamento amigável, mas, chateado pela forma como foi tratado pelo Peixe, ele sequer abriu conversas.
Em setembro deste ano, o clube foi condenado pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte) em todos os casos.
Só com Caixinha, a dívida superará a casa dos R$ 13 milhões. De acordo com a sentença do processo, obtida por PLACAR, o clube deve pagar ao treinador R$ 1,8 mihões de euros líquidos pelo câmbio da data de seu desligamento (R$ 6,69 à época) a título de indenização pela quebra do contrato, acrescidos de juros de 5% ao ano até o dia do pagamento. Se o valor fosse quitado hoje, chegaria a R$ 13,2 milhões.
Vale lembrar que para contratar um pacote de cinco reforços na última janela de transferências, o Santos recorreu ao auxílio financeiro da empresa do pai de Neymar para salgar a dívida com o Monaco, da França. na compra do volante Jean Lucas.
O valor era da pendência er de 2 milhões de euros (cerca de R$ 12 milhões) e foi encerrada oficialmente no final de agosto. Por conta disso, o clube aumentou ainda mais o valor devido ao jogador desde a sua volta ao clube – hoje em quase R$ 90 milhões – e cedeu propriedades do uniforme para uso das empresas do pai do atleta.
Chapéu na mão
A situação de caixa no Santos é considerada dramática e ainda beira um colapso.
Nos corredores da Vila Belmiro, uma pessoa ligada à atual gestão afirmou à PLACAR que o Peixe está de “chapéu na mão” — expressão utilizada para quem vai pedir ajuda a alguém em condição superior.
O caos financeiro afeta até mesmo prestadores de serviços essenciais, como a World Sports, empresa responsável pela manutenção do criticado gramado da Vila Belmiro, que chegou a ficar cinco meses sem receber. A dívida com a empresa foi amortizada, mas segue em aberto.
Apesar dos bons resultados recentes dentro de campo, o cenário não é nada animador. Há cerca de um mês, alvinegro recorreu à Federação Paulista de Futebol (FPF) para tentar antecipar parte das receitas do Paulistão e aliviar o fluxo de caixa. O pleito, contudo, não avançou. À PLACAR, o clube negou a movimentação.
Pesa contra o clube o fracasso no planejamento esportivo de risco e a recente eliminação na Copa Sul-Americana. Mesmo ciente de que se tratava de uma estratégia agressiva, o Santos investiu para trazer nomes de peso na última janela de transferências com o objetivo de alcançar as semifinais e a decisão do torneio, mas acabou caindo para o Atlético Mineiro nos pênaltis, após vencer o jogo de ida por 2 a 0.

Atualmente no Tigres-MEX, Joaquim jogou pelo Santos entre 2023 e 2024 – Raul Baretta/Santos FC
Só por não avançar à semifinal, o Peixe deixou de faturar 800 mil dólares (cerca de R$ 4,1 milhões), valor que facilmente superaria a casa dos R$ 5 milhões se somada a bilheteria. Caso fosse campeão, o prêmio chegaria a 10 milhões de dólares (R$ 50 milhões).
A assessoria pessoal do presidente Marcelo Teixeira assegura que a CLT de todos os funcionários e atletas foi colocada em dia na última quinta, 8, horas antes da partida contra o Flamengo.
Mesmo assim, ainda há um mês de direitos de imagem em aberto – cerca de R$ 15 milhões – e irregularidades no recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos jogadores.
O atraso de dois meses ou mais configura uma falta grave ao empregador e permite com que o atleta peça rescisão indireta do seu contrato.
Recentemente, o Santos sofreu diversos revezes judiciais, uma delas envolvendo o zagueiro Joaquim, em que a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenou o Peixe a pagar um total de R$ 19.544.836,03 por conta de valores envolvendo a compra e a venda do defensor.
O valor também inclui honorários de sucumbência – pagos pela parte perdedora em um processo judicial ao advogado da parte vencedora.
De acordo com sentença completa do processo, à qual a PLACAR teve acesso, o Peixe terá uma dívida 49,6% maior do que o montante que deveria arcar originalmente pelo defensor, totalizando uma diferença de R$ 6.483.110,53 a mais para os já sofridos cofres santistas.
Sem ainda ter resolvido os problemas, a agremiação tem novas pendências para resolver na Fifa, agora envolvendo as contratações dos zagueiros Adonis Frías e Alexis Duarte. O León, do México, e o Spartak Moscou, da Rússia, cobram o Santos na entidade por parcelas atrasadas no acordo.
Somando os valores principais, juros e sanções de ambas as ações, a pendência total supera 3 milhões de dólares (R$ 15,6 milhões).









