O Santos vive uma situação um tanto quanto peculiar nos bastidores. Ao mesmo tempo em que desfruta de boa fase dentro de campo, tendo vencido quatro dos últimos cinco jogos, e se gaba do fato de ter movimentado o mercado com as contratações de Rodinei, Arthur, Lima, Everton Cebolinha e Philippe Coutinho, o clube ainda não tem recursos para pagar a troca do gramado da Vila Belmiro, alvo de diversas críticas públicas dos jogadores por conta de seu mau estado nas últimas semanas.

PLACAR apurou que a diretoria santista busca, neste momento, um “investidor” ou um acordo com alguma empresa para custear as reformas que ocorrerão ao fim da temporada – o último jogo será em 2 de dezembro, contra o Botafogo.

Além do gramado da Vila, vencido há pelo menos quatro anos, o entendimento é de que os dois campos de grama natural do CT Rei Pelé também precisarão ser trocados. O gasto estimado é de pouco mais de R$ 11 milhões, dinheiro que hoje o clube diz não ter.

A justificativa da agremiação intriga porque pelo menos três dos cinco reforços – Arthur, Cebolinha e Coutinho – chegaram com salários milionários. É a mesma situação do zagueiro Lucas Veríssimo, trazido em março por 4 milhões de euros (R$ 24,1 milhões) e dono de um dos maiores salários do elenco.

Procurado pela reportagem, o Santos admitiu dever uma parcela dos direitos de imagem aos atletas. PLACAR apurou que a dívida também se estende ao recolhimento do FGTS, o que é negado pelo clube, e aos últimos meses de prestação de serviços da empresa World Sports, responsável pela manutenção do gramado.

Santos e World Sports se reuniram na última semana na Vila Belmiro para tentar bater o martelo sobre detalhes da troca do campo de jogo. A estimativa dada pela empresa é de que cada gramado custaria em média R$ 3,8 milhões, já contando com ajustes nos sistemas de drenagem.

O clube deu o “sim” para orçamento e optou pela implementação de um gramado híbrido – o mesmo utilizado pelo Corinthians na Neo Quimica Arena, que tem 95% de sua composição de grama natural e um percentual reduzido de fibras artificiais. O modelo também é o mais adotado na Europa e pela Fifa na última Copa do Mundo.

A falta de dinheiro é preocupante a ponto de o Santos precisar “cruzar os dedos” para seguir vivo na Sul-Americana – competição em que decide vaga na semifinal nesta quarta-feira, 16, contra o Atlético Mineiro – e procurar compradores para o zagueiro João Ananias, jovem revelação da base.

Por enquanto, funcionários “remediam” o gramado utilizando o polêmico processo descompactação, citado por Neymar como possível causadora das lesão sofrida por ele ainda no primeiro tempo da partida contra o Palmeiras.

Neymar fez críticas às condições do gramado da Vila Belmiro – Reprodução/@neymarjr

Neymar fez críticas às condições do gramado da Vila Belmiro – Reprodução/@neymarjr

A técnica é bastante comum, utilizada ao menos uma vez por mês, e consiste em perfurações para ajudar na drenagem e evitar com que o campo fique propenso à formação de poças. Isto reduz a sobrecarga física e o risco de lesões de articulação e musculares.

A série de chuvas em Santos tem impactado ainda mais o gramado com a formação de uma camasa orgânica, semelhante a um solo argiloso, que impede com que o sistema de drenagem funcione corretamente.

Última reforma: 2012

A última troca total do campo de jogo do estádio foi concluída em março de 2012, durante a gestão do então presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. O gramado já está “vencido” há pelo menos quatro anos – fato alertado há tempos por especialistas e pela própria empresa responsável pela manutenção, a World Sports, que apontou a necessidade emergencial de substituição.

O tempo de vida que uma grama natural costuma suportar é de no máximo dez anos, a depender da região do país.

Vale dizer que só neste ano o Peixe desembolsou 3 milhões de euros (R$ 18,1 milhões à época) e 2 milhões de euros (R$ 12 milhões à época) para as contratações dos atacantes Rony e Moisés, respectivamente, atualmente reservas da equipe.

O clube também pagou 1,5 milhão de dólares (R$ 7,8 milhões) pelo volante Christian Oliva. Em 2025, se viu obrigado a arcar com uma multa superior a R$ 12 milhões pela demissão precoce do técnico Pedro Caixinha.

Vila Belmiro não poderá ser utilizada em uma possível semifinal da Sul-Americana - Reinaldo Campos/Santos FC

Vila Belmiro não poderá ser utilizada em uma possível semifinal da Sul-Americana – Reinaldo Campos/Santos FC

Desde 2012, uma série de procedimentos são feitos para manutenção do campo, como o plantio da grama de inverno (Ryegrass) na mudança de estação. Durante a primeira parte do ano, a mais utilizada é a grama de verão (Bermuda), que responde melhor a altas temperaturas.

Alguns funcionários do Santos relataram à PLACAR que as medidas de cuidado bancadas pelo clube são apenas para “remediar defeitos” ou “trocar pneu com carro andando”, sem a solução definitiva que seria a troca total do gramado.

Eles ainda dizem que os cuidadores do campo não têm dinheiro e nem voz na agremiação. O Peixe sequer possui maquinário próprio para a manutenção, mesmo que realizada por seus funcionários.

O Santos só volta a jogar na Vila no dia 8 de outubro, contra o Flamengo, em confronto pela 29ª rodada do Brasileirão. O estádio não poderá ser utilizado em uma eventual classificação na Sul-Americana por não possuir capacidade mínima para 30 mil.

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