O Santos parece ter encontrado em meio a um mar de dificuldades algumas soluções importantes para ainda sonhar alto nesta temporada.
A vitória por 2 a 0 sobre o Atlético Mineiro nesta quarta-feira, 9, deixou ao torcedor santista a impressão de que o ano pode ser não somente salvo com a permanência na elite do Campeonato Brasileiro, mas também com um título inédito. Curiosamente, com alternativas que já estavam no clube.
Apesar da estreia de Rodinei como titular na lateral direita, além das entradas de Arthur Melo e de Lima no segundo tempo, a base da guinada do Santos ainda passa longe dos reforços.
Na defesa, chamou a atenção a atuação de Willian Arão. Autor do gol da vitória, o camisa 15 somou mais uma atuação convincente na função. Volante de origem, o experiente jogador parece ter se encontrado na “nova função”, que já executou por algumas vezes no clube, deixando Cuca com uma boa dúvida.
Se Arão já não apresenta a mesma velocidade para ser um perseguidor no meio – chegou a ser substituído e se irritado com Cuca justamente em um jogo da Sul-Americana, contra o Universidad Central da Venezuela -, dá sinais de bom rendimento ao lado de Luan Peres, outro que cresceu com a parceria.
Lucas Veríssimo, contratado por 4 milhões de euros (R$ 24,6 milhões), chegou com o status de titular absoluto, mas hoje pode fazer o técnico repensar. Ele se recupera de uma entorse no tornozelo direito.
A grande base do sucesso santista, contudo, passa por dois nomes até pouco tempo vistos como “patinhos feios” no elenco. Apelidados de “soldados” pelo treinador, Gustavinho e Christian Oliva tomaram conta da função.
Inicialmente, cabe a eles o “trabalho sujo”, a função de dar liberdade justamente para que nomes como Rollheiser e Gabriel Bontempo possam criar e cansar menos na recomposição, mas também passaram a ser peças importantes de construção.
O uruguaio chegou ao seu terceiro gol nos últimos quatro jogos, enquanto Menino da Vila teve participação direta na construção do primeiro gol, encontrando Gabigol livre na área. O camisa 9 só escorou para Arão marcar.
Segundo o Sofascore, Oliva fez ainda, dois desarmes, três interceptações e venceu três de seis duelos pelo chão. Gustavinho, por sua vez, realizou três desarmes, duas interceptações, recuperou quatro bolas e venceu seis de dez duelos pelo chão.
A ausência de Neymar, que demandará tempo para se recuperar de lesão grau 2 no músculo reto femoral da perna direita, abriu espaço para Benjamín Rollheiser atuar na função que mais gosta: pelo meio, centralizado.
Sem o camisa 10, o argentino foi a principal mente criativa do Santos no primeiro tempo – em alguns momentos trocando de função com Gabriel Bontempo, que agora joga aberto pela extrema direita, mais próximo do gol.
Os reforços ainda devem ajudar mais. No sábado, 12, diante do Cruzeiro, o Santos poderá contar com Éverton Cebolinha da ponta esquerda do ataque – posição preenchida por Thaciano, que foi vaiado pela torcida. Ele ocupou a lacuna deixada por Barreal, outro com grave lesão muscular.
Arthur foi outro que entrou bem, melhorando a qualidade de passe da equipe. Como Cuca havia sinalizado, ele foi utilizado como meia, deslocando Rollheiser para os lado esquerdo do campo.
Na Sul-Americana, o Santos pode até perder por um gol de diferença na próxima semana para ficar com a vaga nas semifinais. Se passar, pega o vencedor do confronto entre Cienciano-PER e Montevideo City Torque-URU. E o ano que parecia perdido, ainda pode terminar com taça.









