O Santos tenta encontrar recursos para fechar as contas em 2026, mas já começa a entrar em desespero com a atual situação financeira.
Agora com as duas últimas parcelas dos direitos de imagem dos jogadores vencidas – a mais recente na última segunda-feira, 21 -, o clube admite publicamente não ter dinheiro para quitar as pendências, tampouco um prazo definido.
Nos corredores da Vila Belmiro, uma pessoa ligada à atual gestão afirmou à PLACAR que o Peixe está de “chapéu na mão” — expressão utilizada para quem vai pedir ajuda a alguém em condição superior — e ainda sem alternativas no mercado.
“O Santos tem cumprido. Os profissionais têm ciência da dificuldade. De qualquer forma, o financeiro estuda outras alternativas para cumprirmos com as obrigações. Pode ser que haja atraso”, explicou o presidente Marcelo Teixeira durante o lançamento do Instituto Leão do Mar.

Dentro de campo, Gabigol comanda a ascensão da equipe no Brasileirão – Reinaldo Campos/Santos FC
Apesar dos bons resultados recentes dentro de campo, o cenário não é nada animador. Há cerca de um mês, alvinegro recorreu à Federação Paulista de Futebol (FPF) para tentar antecipar parte das receitas do Paulistão na tentativa de aliviar o fluxo de caixa. O pleito, contudo, não avançou.
A prática tem sido recorrente nos últimos anos pela agremiação e ajudaria a cobrir pelo menos um mês de folha salarial completa, que hoje beira a casa dos R$ 30 milhões – já contabilizando os encargos trabalhistas obrigatórios. Em 2023, às portas da eleição, o Conselho Deliberativo aprovou o pedido de Andres Rueda para antecipar valores pela participação no estadual de 2024.
Pesa contra o clube o fracasso no planejamento esportivo de risco e a recente eliminação na Copa Sul-Americana. Mesmo ciente de que se tratava de uma estratégia agressiva, o Santos investiu para trazer nomes de peso com o objetivo de alcançar as semifinais e a decisão do torneio, mas acabou caindo para o Atlético Mineiro nos pênaltis, após vencer o jogo de ida por 2 a 0.
Só por não avançar à semifinal, o clube paulista deixou de faturar 800 mil dólares (cerca de R$ 4,1 milhões), valor que facilmente superaria a casa dos R$ 5 milhões se somada a bilheteria. Caso fosse campeão, o prêmio chegaria a 10 milhões de dólares (R$ 50 milhões).

Nos pênaltis, Santos foi eliminado pelo Atlético-MG e deu adeus à Sula – Reinaldo Campos/Santos FC
Uma das alternativas estudadas para mitigar o rombo seria vender mandos de campo ou mandar partidas em São Paulo, ampliando a arrecadação com bilheteria.
Segundo apuração de Fábio Sormani, de PLACAR, já havia um acordo alinhado para o Santos vender o mando da semifinal do torneio continental, que não poderia ser realizado na Vila Belmiro, por R$ 6 milhões.
A ideia de levar mais compromissos para a capital paulista, no entanto, esbarra na forte resistência do elenco. Restam seis partidas como mandante no Brasileirão – com duelos contra Flamengo, Bahia, Palmeiras, Grêmio e Botafogo -, com maiores chances de transferência para os dois primeiros confrontos.
Além disso, o clube está bem próximo de trocar a Umbro, fornecedora de material esportivo desde 2018, para fechar um acordo com a Adidas. A informação foi publicada inicialmente pelo jornalista Lucas Musetti. A empresa inglesa não deve cobrir a oferta, mas os novos valores só serão aportados ao fim de 2027, quando se encerra o vínculo atual com a empresa inglesa.
Novos e velhos problemas
O Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) manteve a condenação da Fifa ao Santos no caso referente à indenização pela demissão de Pedro Caixinha, em abril de 2025, de acordo com informações do site Uol. O clube sabe que precisará pagar R$ 15 milhões à vista ao antigo treinador e à sua comissão técnica.
O caos financeiro afeta até mesmo prestadores de serviço essenciais, como a World Sports, empresa responsável pela manutenção do gramado, que está há cinco meses sem receber.
O balanço apresentado pelo Conselho Fiscal aos conselheiros na última semana apontou que o clube fechou o segundo trimestre do ano, de abril a junho, com um déficit contábil 62% maior do que o orçado e mais R$ 119,6 milhões acumulados em dívidas. O endividamento total já ultrapassa a marca de R$ 1,2 bilhão.
“O Passivo Total do clube em 30/06/2026, excluindo as receitas diferidas, de acordo com o balancete fornecido pelo clube ao Conselho Fiscal, foi de R$ 1.193.159.000. Em 31/03/2026 era de R$ 1.094.039.000. Contudo, no entendimento deste Conselho Fiscal, o passivo total deveria ter sido reconhecido em R$ 1.163.739.000 em 31/03/2026 e em R$ 1.241.534.000 em 30/06/2026”, explica o parecer.

Caixinha teve breve passagem de apenas 16 jogos pelo Santos – Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Na mesma reunião, a diretoria admitiu que precisará pagar R$ 17,3 milhões ao volante Zé Rafael, atualmente no Alverca (Portugal), pela rescisão de contrato firmada em julho e dividida em 48 parcelas.
Na oitava colocação do Campeonato Brasileiro, a equipe terá mais 11 rodadas para tentar salvar a temporada com uma vaga na pré-Libertadores, atualmente restrita ao quinto colocado, mas que pode ser ampliada para o sexto ou sétimo lugar dependendo dos desfechos da Copa do Brasil e da Libertadores.
Em dezembro, o clube passa por eleição. O atual presidente Marcelo Teixeira ainda não oficializou se tentará um novo mandato. Enquanto isso, diversos nomes se movimentam nos bastidores para o pleito — entre eles, José Renato Quaresma, ex-diretor das categorias de base da gestão de Teixeira até março deste ano, quando foi substituído por Elano.

Além de Quaresma, figuram como pré-candidatos Mauricio Maruca, Ivan Luduvice e Wladimir Mattos.







