O Santos voltará à Vila Belmiro depois de quase um mês sob tensão devido às condições do gramado do estádio. Apesar do bom momento vivido na temporada, preocupa os jogadores ver a ascensão da equipe ser brecada pela má situação do campo de jogo.

O Peixe enfrenta o Flamengo nesta quinta-feira, 8, a partir das 19h30 (de Brasília), em jogo decisivo para as pretensões da equipe de conquistar uma vaga na pré-Libertadores. Atualmente, ocupa a oitava colocação do Campeonato Brasileiro, com 41 pontos.

“A gente ganhou do Corinthians, do Inter e do São Paulo em campos muito bons. Se a Vila fosse assim, seria muito bom também e ganharíamos mais jogos”, desabafou o atacante Gabriel Barbosa, logo após a vitória por 2 a 1 diante do São Paulo na última sexta-feira, 2.

O clube aproveitou a última Data Fifa e uma sequência de jogos como visitante para colocar em prática alguns procedimentos considerados fundamentais para dar uma “vida extra” ao gramado, que já excedeu o seu tempo de vida útil em pelo menos quatro anos.

Durante o período, foram feitos quatro processos: groooming, aeração, cobertura de areia, além de adubações mineral e foliar.

Realizado com o auxílio de máquinas específicas, o grooming é um corte vertical leve que levanta as folhas deitadas, remove o excesso de matéria orgânica morta e prepara a grama para o corte e para a entrada de maquinários mais pesados. O processo também ajuda a manter a grama mais uniforme e com melhor rolagem de bola.

Na aeração, o objetivo é aumentar a circulação de ar no solo, promovendo a oxigenação das raízes. Neste processo, o solo sofre pequenos furos para permitir com que o ar, a água e os nutrientes cheguem mais facilmente às raízes, melhorando a saúde do gramado. Para esse tipo de procedimento, a grama precisa de mais dias de recuperação.

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Em um terceiro passo, é aplicada a cobertura fina de areia (topdressing), técnica essencial para nivelamento da superfície. A areia ajuda a corrigir pequenas irregularidades e imperfeições na grama.

Por fim, são feitas adubações mineral e foliar. Na mineral, feita no solo, os nutrientes minerais aproveitam a abertura do processo de aeração e a camada de areia para chegarem até as raízes. Já na foliar, são pulverizados fertilizantes sobre a grama, que os absorve de forma rápida – é um complemento da mineral.

No período, viralizou nas redes sociais uma imagem aérea da Vila Belmiro publicada pela página “Drone Santos | Aqui TU vê de cima” mostrando o início das obras na arquibancada Cosmo Damião – parte do projeto de retrofit do estádio -, mas acabou chamando atenção a má aparência do gramado, com diversos trechos com areia.

“O gramado eu já disse que só ficará em ordem para o ano que vem. Temos que admitir que não ficará perfeito, mas também não ficará em péssimas condições. Ele ficará para uso”, disse o presidente Marcelo Teixeira também após a partida no Morumbis.

“Quando houve as fotografias das obras que nós estamos fazendo e mostrou o gramado um pouco queimado, é exatamente o que eles estão fazendo: a renovação do plantio da grama. Então é natural que o processo permaneça amarelado, mas isso não representa que não esteja em boas condições. O gramado pode ficar em melhores condições independente da sua cor”, completou.

Além do Flamengo, o clube paulista fará mais quatro jogos como mandante até o fim da temporada: contra o Bahia, no dia 24 deste mês, Palmeiras, no dia 28, Grêmio, em 20 de novembro, e Botafogo, em 2 de dezembro.

A partida contra o Rubro-Negro deve marcar o retorno do meia-atacante Neymar, afastado desde o início de setembro por conta de uma lesão grau 2 no músculo femoral da perna direita. Assim como Gabigol, o jogador fez duras críticas à condições do campo da Vila.

Crítica de Neymar ao gramado da Vila Belmiro - Reprodução/@neymarjr

Neymar apontou o gramado como culpado por sua lesão – Reprodução/@neymarjr

E o dinheiro?

Em situação financeira delicada, o Santos precisará recorrer ao aporte de alguma empresa para custear investimentos emergenciais ao fim da temporada. Em entrevista ao canal de YouTube De Olho no Peixe, o assessor especial da presidência, Júnior Bozzella, disse que a troca do gramado sairá do mesmo fundo utilizado para o retrofit da Vila Belmiro. Um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) de até R$ 100 milhões.

Segundo Bozzella, o clube terá entre 24 e 36 meses para pagar o valor, que deve ser de aproximadamente R$ 70 milhões. Para isso, conta com a arrecadação da venda anual de 80 camarotes, além do aumento de bilheteria e de outros tipos de acordos de publicidade usando espaços do estádio.

Além do gramado da Vila, vencido há pelo menos quatro anos, o entendimento é de que os dois campos de grama natural do CT Rei Pelé também precisarão ser trocados. O gasto estimado supera a casa dos R$ 11 milhões.

A estimativa dada pela World Sports, empresa responsável pelo campo do estádio desde 1997, é de que cada gramado custaria em média R$ 3,8 milhões, já contando com ajustes nos sistemas de drenagem.

O clube deu o “sim” para orçamento e optou pela implementação de um gramado híbrido – o mesmo utilizado pelo Corinthians na Neo Quimica Arena, que tem 95% de sua composição de grama natural e um percentual reduzido de fibras artificiais. O modelo também é o mais adotado na Europa e pela Fifa na última Copa do Mundo.

Última reforma: 2012

A última troca total do campo de jogo do estádio foi concluída em março de 2012, durante a gestão do então presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. O tempo de vida que uma grama natural costuma suportar é de no máximo dez anos, a depender da região do país.

Vila Belmiro não poderá ser utilizada em uma possível semifinal da Sul-Americana - Reinaldo Campos/Santos FC

Vila Belmiro não poderá ser utilizada em uma possível semifinal da Sul-Americana – Reinaldo Campos/Santos FC

Desde 2012, uma série de procedimentos são feitos para manutenção do campo, como o plantio da grama de inverno (Ryegrass) na mudança de estação. Durante a primeira parte do ano, a mais utilizada é a grama de verão (Bermuda), que responde melhor a altas temperaturas.

Alguns funcionários do Santos relataram à PLACAR que as medidas de cuidado bancadas pelo clube são apenas para “remediar defeitos” ou “trocar pneu com carro andando”, sem a solução definitiva que seria a troca total do gramado.

Eles ainda dizem que os cuidadores do campo não têm dinheiro e nem voz na agremiação. O Peixe sequer possui maquinário próprio para a manutenção, mesmo que realizada por seus funcionários.

A agremiação também ficou cinco meses sem pagar as prestações de serviço mensais à World Sports, chegando a R$ 500 mil em pendências. A dívida com a empresa foi amortizada, mas segue em aberto.

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