O Santos cumpriu sua promessa e pagou nesta sexta-feira, 2, um mês dos direitos de imagem em atraso ao elenco. A dívida, no entanto, ainda segue com mais um mês em aberto, em um valor que supera a casa dos R$ 15 milhões.

PLACAR apurou que a alternativa encontrada pela diretoria do clube para arcar com a despesa foi utilizar parte das luvas do acordo assinado com a Adidas, que será a nova fornecedora de material esportivo da equipe a partir de 2028.

A estratégia foi necessária porque, até o momento, o clube não recebeu os 2,5 milhões de dólares (R$ 12,9 milhões) do Sharjah FC pela venda do lateral-direito JP Chermont. A informação do atraso no pagamento foi inicialmente divulgada pelo jornalista Fábio Sormani e confirmada por PLACAR.

Apesar de a diretoria santista ter costurado um acordo com o Coritiba e com o próprio atleta para repassar os percentuais de cada parte somente após o recebimento da verba adicional de 1 milhão de dólares (R$ 5,1 milhões) — prevista em bônus por metas atingidas —, o valor principal da venda ainda não caiu em caixa.

O clube agora corre contra o tempo para quitar a parte dos vencimentos dos atletas registrados em CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), que vence no próximo dia 7, o quinto dia útil de outubro.

Além dos valores em carteira e da outra imagem pendente, também há irregularidades no recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos jogadores. O atraso de dois meses ou mais configura uma falta grave ao empregador e permite com que o atleta peça rescisão indireta do seu contrato.

A última data de pagamento do direito trabalhista aos atletas foi realizada em 15 de julho, relativo à CLT de junho. Depois disso, os valores que deveriam ser pagos em 20 de agosto e 20 de setembro não ocorreram.

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Santos não recolheu as últimas parcelas do FGTS - Reprodução

Santos não recolheu as últimas parcelas do FGTS – Reprodução

O cálculo do valor corresponde a 8% do salário bruto dos jogadores registrado em carteira. De acordo com o último balancete financeiro apresentado ao Conselho Deliberativo, até maio o montante mensal em carteira era de R$ 14,2 milhões.

Com isso, cada parcela custaria, em média, R$ 1,1 milhão, um total de R$ 2,2 milhões, mas com incidência de juros e multa pelo atraso.

Mais dificuldades sem bet

Com o contrato de patrocínio com a Novibet congelado, que ocupava o espaço máster da camisa, o clube se lançou ao mercado em busca de um novo acordo para a propriedade do uniforme. PLACAR apurou, contudo, que as primeiras investidas foram consideradas desanimadoras.

Na última semana, o Santos conversou a Cimed – que já patrocina Palmeiras e Cruzeiro, além de ser uma das marcas envolvidas desde 2016 com a seleção brasileira -, mas ouviu da empresa do ramo farmacêutico que não há orçamento de marketing previsto para investir este ano na maior propriedade do uniforme. Nem mesmo para acordos pontuais.

A ideia de usar do bom relacionamento de Neymar pai com gestores da Cimed para fechar um acordo não prosperou, assim como a consulta a outras empresas, uma delas do mesmo ramo e a outra uma fabricante de carros elétricos.

Recentemente, a Cimed também respondeu negativamente a uma oferta do Fluminense, que perdeu outra casa de apostas, a Superbet, para acordo pontual visando as semifinais da Libertadores.

Santos tem dificuldades para encontrar um patrocínio para o espaço máster da camisa - Raul Baretta/Santos FC

Santos tem dificuldades para encontrar um patrocínio para o espaço máster da camisa – Raul Baretta/Santos FC

A possibilidade de a Cimed surgir como a “salvadora da pátria” dos clubes se deu após um vídeo publicado por João Adibe Marques, CEO da companhia, nas redes sociais. No registro, ele falava sobre “o sonho de patrocinar todos os clubes do Brasil” e, na sequência, afirmava “não ter limite de patrocínio”.

A empresa mapeia neste momento um outro espaço da camisa – na lateral, perto das axilas – que envolveria a costura de um acordo bem diferente ao de somente exposição da marca.

A ideia discutida com diversos clubes da Série A é para um trabalho conjunto envolvendo a marca Super, contemplando o desenvolvimento de uma linha de produtos próprios das agremiações e o repasse de royalties. Isso se encaixaria no termo “sem limite” usado por Adibe, já que os ganhos estariam atrelados ao volume de vendas.

Chapéu na mão

A situação de caixa no Santos ainda é considerada dramática e ainda beira um colapso.

Nos corredores da Vila Belmiro, uma pessoa ligada à atual gestão afirmou à PLACAR que o Peixe está de “chapéu na mão” — expressão utilizada para quem vai pedir ajuda a alguém em condição superior — e ainda sem alternativas no mercado.

O caos financeiro afeta até mesmo prestadores de serviços essenciais, como a World Sports, empresa responsável pela manutenção do criticado gramado da Vila Belmiro, que ficou cinco meses sem receber. A dívida com a empresa foi amortizada, mas segue em aberto.

Apesar dos bons resultados recentes dentro de campo, o cenário não é nada animador. Há cerca de um mês, alvinegro recorreu à Federação Paulista de Futebol (FPF) para tentar antecipar parte das receitas do Paulistão e aliviar o fluxo de caixa. O pleito, contudo, não avançou. À PLACAR, o clube negou a movimentação.

Pesa contra o clube o fracasso no planejamento esportivo de risco e a recente eliminação na Copa Sul-Americana. Mesmo ciente de que se tratava de uma estratégia agressiva, o Santos investiu para trazer nomes de peso na última janela de transferências com o objetivo de alcançar as semifinais e a decisão do torneio, mas acabou caindo para o Atlético Mineiro nos pênaltis, após vencer o jogo de ida por 2 a 0.

Atualmente no Tigres-MEX, Joaquim jogou pelo Santos entre 2023 e 2024 - Raul Baretta/Santos FC

Atualmente no Tigres-MEX, Joaquim jogou pelo Santos entre 2023 e 2024 – Raul Baretta/Santos FC

Só por não avançar à semifinal, o Peixe deixou de faturar 800 mil dólares (cerca de R$ 4,1 milhões), valor que facilmente superaria a casa dos R$ 5 milhões se somada a bilheteria. Caso fosse campeão, o prêmio chegaria a 10 milhões de dólares (R$ 50 milhões).

Recentemente, o Santos sofreu dois revezes judiciais: o primeiro envolve o técnico português Pedro Caixinha, divulgado pelo site Uol, em que a Corte Arbitral do Esporte (CAS) confirmou a punição aplicada pela Fifa e manteve a condenação de R$ 15 milhões no processo relativo à demissão.

A última foi do zagueiro Joaquim, em que a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenou o Peixe a pagar uma dívida milionária ao Cuiabá por conta de valores envolvendo a compra e a venda do defensor.

De acordo com sentença completa do processo, à qual a PLACAR teve acesso, o Peixe terá uma dívida 49,6% maior do que o valor que deveria arcar originalmente pelo defensor, totalizando uma diferença de R$ 6.483.110,53 a mais para os já sofridos cofres santistas.

Sem ainda ter resolvido os problemas, a agremiação tem novas pendências para resolver na Fifa, agora envolvendo as contratações dos zagueiros Adonis Frías e Alexis Duarte. O León, do México, e o Spartak Moscou, da Rússia, cobram o Santos na entidade por parcelas atrasadas no acordo.

Somando os valores principais, juros e sanções de ambas as ações, a pendência total supera 3 milhões de dólares (R$ 15,6 milhões). A informação foi inicialmente publicada pelo site ge.

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