A diretoria do Santos se comprometeu com os jogadores a pagar uma parte dos direitos de imagem em atraso nesta sexta-feira, 2 de outubro, pouco antes do clássico contra o São Paulo. A informação foi inicialmente divulgada pelo jornalista Fábio Sormani e confirmada por PLACAR.

A estratégia do clube para isso é um tanto quanto curiosa: adiar em três anos o repasse de valores devidos ao Coritiba e ao lateral-direito JP Chermont pela venda do atleta ao Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos.

PLACAR apurou que a dívida só será quitada em 2029, no último ano do acordo de Chermont com Sharjah, proveniente da verba adicional de 1 milhão de dólares (R$ 5,1 milhões) prevista em bônus por metas atingidas.

A negociação envolvendo o atleta foi fechada inicialmente em 2,5 milhões de dólares (R$ 12,9 milhões), montante que agora ficará inteiramente com o Peixe.

Chermont em atuação pelo Coritiba no Brasileirão - Divulgação/Coritiba

Chermont em atuação pelo Coritiba no Brasileirão – Divulgação/Coritiba

Mesmo assim, os valores ainda são insuficientes para saldar uma das duas parcelas dos direitos de imagem devidas aos jogadores, que até junho custava R$ 15,1 milhões, segundo divulgado na última reunião do Conselho Deliberativo.

Apesar de ter “aliviado a folha” com rescisões amigáveis ou acordos unilaterais para desligamentos, o clube investiu alto na contratação de nomes como Rodinei, Arthur Melo, Everton Cebolinhe e Philippe Coutinho.

O clube, com isso, só empurrará para frente uma dívida com o não repasse de 10% ao Coritiba por conta da “taxa de vitrine” firmada no empréstimo: 250 mil dólares (R$ 1,2 milhão).

Além disso, terá que arcar com cerca de R$ 2,3 milhões referentes aos 20% da parte do jogador, que já havia cedido 5% de seu percentual na negociação, aumentando a fatia do Santos de 75% para 80% na divisão dos direitos econômicos.

Mais dificuldades sem bet

Com o contrato de patrocínio com a Novibet congelado, que ocupava o espaço máster da camisa, o clube se lançou ao mercado em busca de um novo acordo para a propriedade do uniforme. PLACAR apurou, contudo, que as primeiras investidas foram consideradas desanimadoras.

Na última semana, o Santos conversou a Cimed – que já patrocina Palmeiras e Cruzeiro, além de ser uma das marcas envolvidas desde 2016 com a seleção brasileira -, mas ouviu da empresa do ramo farmacêutico que não há orçamento de marketing previsto para investir este ano na maior propriedade do uniforme. Nem mesmo para acordos pontuais.

A ideia de usar do bom relacionamento de Neymar pai com gestores da Cimed para fechar um acordo não prosperou, assim como a consulta a outras empresas, uma delas do mesmo ramo e a outra uma fabricante de carros elétricos.

Recentemente, a Cimed também respondeu negativamente a uma oferta do Fluminense, que perdeu outra casa de apostas, a Superbet, para acordo pontual visando as semifinais da Libertadores.

Santos tem dificuldades para encontrar um patrocínio para o espaço máster da camisa - Raul Baretta/Santos FC

Santos tem dificuldades para encontrar um patrocínio para o espaço máster da camisa – Raul Baretta/Santos FC

A possibilidade de a Cimed surgir como a “salvadora da pátria” dos clubes se deu após um vídeo publicado por João Adibe Marques, CEO da companhia, nas redes sociais. No registro, ele falava sobre “o sonho de patrocinar todos os clubes do Brasil” e, na sequência, afirmava “não ter limite de patrocínio”.

A empresa mapeia neste momento um outro espaço da camisa – na lateral, perto das axilas – que envolveria a costura de um acordo bem diferente ao de somente exposição da marca.

A ideia discutida com diversos clubes da Série A é para um trabalho conjunto envolvendo a marca Super, contemplando o desenvolvimento de uma linha de produtos próprios das agremiações e o repasse de royalties. Isso se encaixaria no termo “sem limite” usado por Adibe, já que os ganhos estariam atrelados ao volume de vendas.

Chapéu na mão

A situação de caixa no Santos é considerada dramática e ainda beira um colapso.

Agora com as duas últimas parcelas dos direitos de imagem dos jogadores vencidas – a mais recente na última segunda-feira, 21 -, o clube admite publicamente não ter dinheiro para quitar as pendências, tampouco um prazo definido.

Nos corredores da Vila Belmiro, uma pessoa ligada à atual gestão afirmou à PLACAR que o Peixe está de “chapéu na mão” — expressão utilizada para quem vai pedir ajuda a alguém em condição superior — e ainda sem alternativas no mercado.

O caos financeiro afeta até mesmo prestadores de serviços essenciais, como a World Sports, empresa responsável pela manutenção do criticado gramado da Vila Belmiro, que estava há cinco meses sem receber. A dívida com a empresa foi amortizada, mas ainda segue em aberto.

Apesar dos bons resultados recentes dentro de campo, o cenário não é nada animador. Há cerca de um mês, alvinegro recorreu à Federação Paulista de Futebol (FPF) para tentar antecipar parte das receitas do Paulistão e aliviar o fluxo de caixa. O pleito, contudo, não avançou. À PLACAR, o clube negou a movimentação.

Pesa contra o clube o fracasso no planejamento esportivo de risco e a recente eliminação na Copa Sul-Americana. Mesmo ciente de que se tratava de uma estratégia agressiva, o Santos investiu para trazer nomes de peso na última janela de transferências com o objetivo de alcançar as semifinais e a decisão do torneio, mas acabou caindo para o Atlético Mineiro nos pênaltis, após vencer o jogo de ida por 2 a 0.

Atualmente no Tigres-MEX, Joaquim jogou pelo Santos entre 2023 e 2024 - Raul Baretta/Santos FC

Atualmente no Tigres-MEX, Joaquim jogou pelo Santos entre 2023 e 2024 – Raul Baretta/Santos FC

Só por não avançar à semifinal, o Peixe deixou de faturar 800 mil dólares (cerca de R$ 4,1 milhões), valor que facilmente superaria a casa dos R$ 5 milhões se somada a bilheteria. Caso fosse campeão, o prêmio chegaria a 10 milhões de dólares (R$ 50 milhões).

Recentemente, o Santos sofreu dois revezes judiciais: o primeiro envolve o técnico português Pedro Caixinha, divulgado pelo site Uol, em que a Corte Arbitral do Esporte (CAS) confirmou a punição aplicada pela Fifa e manteve a condenação de R$ 15 milhões no processo relativo à demissão.

A última foi do zagueiro Joaquim, em que a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenou o Peixe a pagar uma dívida milionária ao Cuiabá por conta de valores envolvendo a compra e a venda do defensor.

De acordo com sentença completa do processo, à qual a PLACAR teve acesso, o Peixe terá uma dívida 49,6% maior do que o valor que deveria arcar originalmente pelo defensor, totalizando uma diferença de R$ 6.483.110,53 a mais para os já sofridos cofres santistas.

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