Março de 1997. O repórter Alfredo Ogawa e o repórter-fotográfico Alexandre Battiblugli, de PLACAR, foram convidados para a cobertura da Dallas Cup, um badalado torneio de categorias de base da época, criado em 1980, que ostentava comparações com um Mundial Interclubes pelo formato. Garotos de 168 equipes, de 18 países diferentes, corriam atrás do sonho de serem futuros astros do futebol.

Debaixo de escaldante sol no Texas, em um dos campos desenhados pelo estádio Cotton Bowl, chegou aos ouvidos de Batti a história de que um jovem goleiro do União Bandeirante, time do interior do Paraná, não era só mais um entre os 3000 atletas inscritos na 18ª edição da competição.

Ele não usava chuteiras coloridas nem brincos. Os traços físicos também eram discretos, mas chamava atenção por ter sido campeão sul-americano sub-17 com a seleção brasileira meses antes e pai precoce, aos 14. Mesmo assim, ainda era difícil acreditar que não seria só mais um na multidão.

Fábio posa para PLACAR durante a disputa da Dallas Cup, no Texas - Alexandre Battibugli/Placar

Fábio posa para PLACAR durante a disputa da Dallas Cup, no Texas – Alexandre Battibugli/Placar

Batti terminou aquela noite com uma toalha molhada sobre o rosto na tentativa de se recuperar da ensolarada jornada sem filtro solar. Dias depois dos cliques, o goleiro sairia consagrado como herói do título da categoria sub-17 ao defender três pênaltis nas semifinais. O prodígio era o matogrossense Fábio Deivson Lopes Maciel, ou só Fábio, hoje camisa 1 do Fluminense.

Multicampeão pelo Cruzeiro e pelo Tricolor das Laranjeiras, tido por muitos como injustiçado pela falta de oportunidades na seleção brasileira e detentor de recordes históricos, o goleiro completa 46 anos nesta quarta-feira, 30, ainda com o vigor do meesmo garoto fotografado por PLACAR durante a edição daquele torneio há 29 anos.

“Faz tempo, hein? Eu lembro [das fotos], estamos ficando velhos”, disse Fábio no reencontro com Battibugli, em entrevista à PLACAR de agosto de 2023.

Na terra do faroeste, Fábio foi conhecer a cultura local: 'Olha o tamanho desse chifre', disse - Alexandre Battibugli/Placar

Na terra do faroeste, Fábio foi conhecer a cultura local: ‘Olha o tamanho desse chifre’, disse – Alexandre Battibugli/Placar

Jogador com mais partidas em Libertadores em toda a história (120), com mais jogos em edições de Campeonato Brasileiro (771), primeiro nome a atingir 100 aparições na Copa do Brasil (121), recordista em jogos pelo Cruzeiro (955) e segundo goleiro no mundo com mais partidas sem sofrer gols (538), atrás somente do inglês Ray Clemence (556), Fábio, definitivamente, não era só mais um.

“E se eu falar que não sei nada disso, só na cola de vocês? Sempre busquei tudo no dia a dia, acredito que isso me ajudou. Se fui bem na temporada passada, quero melhorar na próxima. O que fiz nunca vai ser suficiente, e isso foi crucial para que pudesse seguir”, explicou na mesma entrevista.

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Fábio em entrevista à PLACAR - Alexandre Battibugli/Placar

Como curiosidade, naquela edição do torneio PLACAR destacou Claudinei Souza, apelidado de Igor, do Vitória, e o meia André Ricardo Ferreira, do Corinthians, que depois seria conhecido como Andrezinho. Ele é pai de Kauan Basile, 14, hoje o principal astro das categorias de base do Santos.

Nesta temporada, Fábio sonha com a possibilidade de uma nova final de Libertadores, buscando repetir o feito de 2023, quando foi campeão. O Fluminense enfrenta o Palmeiras nos dias 14 e 21 de outubro.

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