Próxima de ser oficializada, a venda do lateral-direito JP Chermont ao Sharjah FC, dos Emirados Árabes Unidos, surpreendeu até mesmo o Santos.
Embora o clube tenha acionado alguns agentes com trânsito na Vila Belmiro para sondar o mercado em busca de interessados para algumas de suas promessas, a oferta pelo jogador, que estava emprestado ao Coritiba, chegou como uma “ajuda divina” por conta do delicado momento financeiro da instituição.
PLACAR apurou, contudo, que os valores ainda são inferiores a uma das duas parcelas dos direitos de imagem devidas aos jogadores, que supera R$ 15,1 milhões, segundo o balancete divulgado na última reunião do Conselho. O montante ainda não conta com o pacote de cinco reforços contratados na última janela.
O acordo inicial pela venda do lateral foi fechado em 2,5 milhões de dólares (R$ 12,9 milhões), mas o clube precisará repassar 10% ao Coritiba por conta da “taxa de vitrine” firmada no empréstimo. Ou seja, 250 mil dólares (R$ 1,2 milhão) ficam com o time paranaense, restando R$ 11,7 milhões.
Vale lembrar que o Santos detinha 75% dos direitos econômicos do jogador e, no acordo, aumentou a fatia para 80%, ficando com aproximadamente R$ 9,3 milhões líquidos.

Chermont em atuação pelo Coritiba no Brasileirão – Divulgação/Coritiba
Os valores podem subir no futuro, já que o clube terá direito a mais 1 milhão de dólares (R$ 5,1 milhões) previstos em bônus por metas atingidas. A agremiação também manteve 20% de uma venda futura.
A negociação foi toda costurada por Giuliano Bertolucci, considerado o agente mais influente do futebol brasileiro.
Ele já emprestou dinheiro ao Santos em algumas oportunidades, como na gestão do ex-presidente Modesto Roma Júnior, em 2017. O montante só foi quitado depois de um acordo judicial em 2021.
Formado nas categorias de base do clube, Chermont subiu aos profissionais em 2024, ano em que o time disputava a Série B. Foi titular com o então técnico Fábio Carille em boa parte daquela temporada, mas depois perdeu espaço com outros treinadores.
Desceu novamente à base e, posteriormente, acabou sendo emprestado ao Coxa para buscar uma nova sequência de jogos. Fez 50 partidas pelo Santos e 17 com a camisa do time paranaense.
Chapéu na mão
A situação de caixa no Santos é considerada dramática e ainda beira um colapso.
Agora com as duas últimas parcelas dos direitos de imagem dos jogadores vencidas – a mais recente na última segunda-feira, 21 -, o clube admite publicamente não ter dinheiro para quitar as pendências, tampouco um prazo definido.
Nos corredores da Vila Belmiro, uma pessoa ligada à atual gestão afirmou à PLACAR que o Peixe está de “chapéu na mão” — expressão utilizada para quem vai pedir ajuda a alguém em condição superior — e ainda sem alternativas no mercado.
O caos financeiro afeta até mesmo prestadores de serviços essenciais, como a World Sports, empresa responsável pela manutenção do criticado gramado da Vila Belmiro, que está há cinco meses sem receber. A dívida com a empresa é de quase R$ 500 mil.
Apesar dos bons resultados recentes dentro de campo, o cenário não é nada animador. Há cerca de um mês, alvinegro recorreu à Federação Paulista de Futebol (FPF) para tentar antecipar parte das receitas do Paulistão e aliviar o fluxo de caixa. O pleito, contudo, não avançou. À PLACAR, o clube negou a movimentação.
Pesa contra o clube o fracasso no planejamento esportivo de risco e a recente eliminação na Copa Sul-Americana. Mesmo ciente de que se tratava de uma estratégia agressiva, o Santos investiu para trazer nomes de peso na última janela de transferências com o objetivo de alcançar as semifinais e a decisão do torneio, mas acabou caindo para o Atlético Mineiro nos pênaltis, após vencer o jogo de ida por 2 a 0.

Atualmente no Tigres-MEX, Joaquim jogou pelo Santos entre 2023 e 2024 – Raul Baretta/Santos FC
Só por não avançar à semifinal, o Peixe deixou de faturar 800 mil dólares (cerca de R$ 4,1 milhões), valor que facilmente superaria a casa dos R$ 5 milhões se somada a bilheteria. Caso fosse campeão, o prêmio chegaria a 10 milhões de dólares (R$ 50 milhões).
Recentemente, o Santos sofreu dois revezes judiciais: o primeiro envolve o técnico português Pedro Caixinha, divulgado pelo site Uol, em que a Corte Arbitral do Esporte (CAS) confirmou a punição aplicada pela Fifa e manteve a condenação de R$ 15 milhões no processo relativo à demissão.
A última foi do zagueiro Joaquim, em que a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenou o Peixe a pagar uma dívida milionária ao Cuiabá por conta de valores envolvendo a compra e a venda do defensor.
De acordo com sentença completa do processo, à qual a PLACAR teve acesso, o Peixe terá uma dívida 49,6% maior do que o valor que deveria arcar originalmente pelo defensor, totalizando uma diferença de R$ 6.483.110,53 a mais para os já sofridos cofres santistas.








