A grande decisão da NFL reúne anualmente centenas de milhões de espectadores diante da televisão. O peso cultural do Super Bowl, no entanto, não se limita ao futebol americano: o show do intervalo transformou-se no palco de entretenimento ao vivo mais cobiçado do planeta.

Como começou a tradição dos shows no intervalo?

Nas primeiras décadas após a criação da decisão, iniciada na década de 1960, o entretenimento durante a pausa da partida era modesto. Apresentavam-se principalmente bandas universitárias e grupos performáticos locais, funcionando apenas como um intervalo técnico comum para quem estava no estádio.

O formato tradicional preenchia o tempo entre os dois tempos da partida sem atrair uma audiência de TV expressiva além dos torcedores de futebol americano que já acompanhavam a disputa pelo título.

Por que a apresentação de Michael Jackson mudou a história?

A virada definitiva do espetáculo por assim dizer ocorreu em 1993, na 27ª edição da final. A organização convidou Michael Jackson para assumir o palco montado no gramado do Rose Bowl, na Califórnia.

Com uma superprodução que incluiu efeitos visuais e um repertório repleto de sucessos, o cantor fez a audiência televisiva crescer durante o intervalo pela primeira vez na história da transmissão. A estratégia, então, estabeleceu um novo padrão para o evento, que passou a investir sistematicamente em artistas pop de alcance mundial.

Quais performances consolidaram o fenômeno pop global?

Após a apresentação histórica de 1993, grandes nomes da música transformaram os cerca de 15 minutos de intervalo em exibições antológicas. Dentre os momentos mais lembrados pelo público e pela crítica, destacam-se produções emblemáticas:

  • Kendrick Lamar (2025 – Super Bowl LIX): Bateu o recorde histórico com 133,5 milhões de espectadores, trazendo uma celebração marcante do hip-hop com participações de SZA e Serena Williams.

  • Michael Jackson (1993 – Super Bowl XXVII): O show lendário que mudou a história do evento. Jackson atingiu 133,4 milhões de espectadores e transformou o intervalo em um espetáculo de nível mundial.

  • Usher (2024 – Super Bowl LVIII): Levou a energia de Las Vegas para o palco e alcançou 123,4 milhões de espectadores com um medley cheio de sucessos do R&B e patinação no palco.

  • Rihanna (2023 – Super Bowl LVII): Marcou o seu retorno aos palcos revelando sua gravidez sobre plataformas suspensas, atingindo 121 milhões de espectadores.

  • Katy Perry (2015 – Super Bowl XLIX): Famoso pelo leão mecânico gigante e pelo folclórico “Left Shark”, o show contou com Lenny Kravitz e Missy Elliott, somando 121 milhões de espectadores.

  • Prince (2007 – Super Bowl XLI): Amplamente aclamado pela crítica como a melhor performance da história do evento, tocando “Purple Rain” ao vivo debaixo de uma tempestade real.

  • Lady Gaga (2017 – Super Bowl LI): Iniciou a apresentação saltando do teto do estádio e entregou uma performance solo de alta energia com 117,5 milhões de espectadores.

  • Coldplay, Beyoncé & Bruno Mars (2016 – Super Bowl 50): Reuniu um duelo de dança memorável entre Beyoncé (“Formation”) e Bruno Mars (“Uptown Funk”), acumulando 115,5 milhões de espectadores.

  • Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, Mary J. Blige & Kendrick Lamar (2022 – Super Bowl LVI): Uma celebração histótica da cultura hip-hop dos anos 90 e 2000 que conquistou fãs no mundo inteiro e venceu o Emmy.

  • U2 (2002 – Super Bowl XXXVI): Uma das apresentações mais emocionantes da história, em homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro com os nomes das vítimas exibidos no telão.

Consolidado como marco cultural, o evento atinge índices de audiência que, em várias edições, superam os números registrados durante os quatro quartos da partida.

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