O goleiro e capitão da seleção italiana, Gianluigi Donnarumma, quebrou o silêncio após o novo drama vivido pela Azzurra na repescagem para a Copa do Mundo. Em entrevista à Sky Sports, o jogador negou as acusações de que os líderes do elenco teriam exigido um bônus milionário da federação em caso de classificação para a Copa do Mundo de 2026.

A Itália, tetracampeã mundial, amargará a ausência pela terceira edição consecutiva. O vexame mais recente ocorreu no fim de março, quando o país foi eliminado na repescagem para a Bósnia e Herzegovina, perdendo por 4 a 1 na disputa de pênaltis.

Gianluigi Donnarumma foi o herói da Itália em Zenica diante da Bósnia - EFE/EPA/NIDAL SALJIC

Gianluigi Donnarumma foi o herói da Itália em Zenica diante da Bósnia –
EFE/EPA/NIDAL SALJIC

“Fiquei ferido com os comentários, com as palavras que foram ditas. Como capitão, nunca pedi um euro à seleção. O que a seleção faz é um presente para os jogadores que se qualificam para um torneio, mas é só isso, ninguém pediu nada à Federação. O nosso presente era ir ao Mundial, mas infelizmente não aconteceu. Ninguém pediu prêmios”, disse o jogador.

“Foram dias duros e difíceis, como para todos os italianos que, tal como eu e toda a equipe, queriam muito voltar ao Mundial. Infelizmente, não conseguimos e temos de aceitar e seguir em frente”, completou.

O arqueiro fez questão de esclarecer que qualquer verba debatida faz parte dos acordos padrões que já existem no futebol de seleções. “O que a seleção faz, como sempre, em todas as competições, é dar um presente aos jogadores que se classificam para o torneio. Era só isso. Ninguém pediu nada à federação; nossa grande recompensa era ir para a Copa do Mundo, mas infelizmente não aconteceu”, explicou.

Efeito dominó e crise profunda na Itália

A dolorosa derrota para os bósnios desencadeou um verdadeiro terremoto no futebol italiano, que já resultou na queda de Gabriele Gravina, que renunciou ao cargo de presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC).

O comando técnico também foi desfeito: o treinador Gennaro Gattuso deixou a seleção, sendo acompanhado pelo lendário ex-goleiro Gianluigi Buffon, que abandonou seu posto de chefe da delegação da Itália.

Pep Guardiola surge como o alvo prioritário para assumir o comando da Azurra, segundo o jornal La Gazzetta dello Sport. O técnico espanhol, que atualmente comanda o Manchester City e possui contrato até 2027, já declarou vontade de treinar seleções nacionais.

Pep Guardiola com sua camisa xadrez na eliminação para o Real Madrid - EFE/EPA/ADAM

Pep Guardiola com sua camisa xadrez na eliminação para o Real Madrid – EFE/EPA/ADAM VAUGHAN

No entanto, por se tratar de uma negociação financeira e esportivamente complexa, nomes caseiros começam a figurar como alternativas de mais fácil alcance no curto prazo. Entre os cotados para iniciar esse novo ciclo de reconstrução até a Copa de 2030 estão Roberto Mancini (hoje no Al-Sadd), Antonio Conte (Napoli) e Massimiliano Allegri (Milan).

A eleição que decidirá o novo presidente da FIGC está marcada para meados de junho.