Campeão do mundo, o técnico da seleção da Espanha, Luis de la Fuente, revelou parte do diálogo que teve com o comandante argentino Lionel Scaloni após a vitória por 1 a 0 na prorrogação, resultado que garantiu ao time europeu o seu segundo título da competição.
Antigo professor de Scaloni durante o período de estudos para licença de treinador na Real Federação Espanhola de Futebol, De la Fuente consolou o ex-pupilo afirmando que o mesmo ainda possui muito mais tempo de carreira pela frente. Eles têm quase 17 anos de diferença – 48 do argentino contra 65 do espanhol.

“Bem, nós nos abraçamos, agradecemos um ao outro e eu aproveito para, insisto, agradecer-lhe publicamente por tudo o que me ensinou. Porque as sensações que tivemos no futebol explicam o quão difícil é competir em uma competição desta relevância, deste calibre, e isso me serviu de muito. Eu sou uma pessoa que escuta muito e que aprende sempre. E a experiência dele nos valeu de muito. Lamento o estado dele, eu entendo, mas ele tem que estar muito feliz, muito contente, muito orgulhoso da história que a seleção argentina carrega. Ele superou todos os desafios. Ainda tem uma grande trajetória pela frente, é jovem, foi o que eu lhe disse: ‘você é mais jovem que eu, me resta menos futebol do que a você, então acho que hoje o troféu tinha que ser nosso'”, disse.

Scaloni perdeu sua primeira final no comando da albiceleste – Christopher Neundorf/EFE
Scaloni não escondeu o abatimento durante a entrevista coletiva concedida no MetLife Stadium. Desolado, o profissional desabou em choro ao ser questionado sobre a continuidade do trabalho iniciado em 2018 e disse que precisaria repensar.
Durante a entrevista, o treinador espanhol ainda explicou a tática adotada para anular Lionel Messi, autor de oito gols e quatro assistências no torneio. O jogador não finalizou uma vez sequer ao gol, tendo sua única tentativa bloqueada, já na prorrogação.
“O enfoque era manter não apenas o Messi, é claro que o Messi especialmente, mas todos os jogadores rivais longe da nossa área. O plano de jogo elaborado pela comissão técnica foi maravilhoso. Analisamos perfeitamente a Argentina e toda a estratégia planejada funcionou de maneira ideal. E há também um aspecto muito importante, que é a atitude dos jogadores”, argumentou De la Fuente, que ainda apontou a possibilidade de um placar mais elástico – foram 20 finalizações dos espanhóis contra só duas dos rivais:
“Hoje estávamos determinados, convencidos de que esta era a nossa final e queríamos vencê-la, sabendo que tínhamos que minimizar as virtudes do adversário, que são muitas, e maximizar as nossas. Acho que foi uma partida quase, quase perfeita. Não fosse a atuação do goleiro rival, teríamos conseguido um placar ainda mais elástico, mas estamos muito felizes porque a trajetória desta equipe, o esforço e o trabalho duro nos tornarão ainda melhores para o futuro também”.

Lionel Messi pouco tocou na bola na final da Copa do Mundo diante da Espanha – Christopher Neundorf/EFE
Ilhado, o camisa 10 da Argentina pareceu só assistir, como um espectador de luxo, ao sucesso da escola que o fez por tantas vezes o Bola de Ouro. Foram apenas seis toques na bola nos primeiros 25 minutos, até a pausa do coolling break – a pior marca em todos os 33 jogos em que ele iniciou em Mundiais.
Pela primeira vez na competição em que quebrou recordes em série ele se viu com presa fácil, sem conseguir ajudar. Em todos os outros sete jogos, havia participado ou com gol ou assistência.
Ao final, foi flagrado pelas câmeras de transmissão chorando enquanto contemplava a reação dos torcedores argentinos.









