A campanha da Espanha até a final da Copa do Mundo de 2026 é fruto do projeto de futebol seguido pela Federação Espanhola desde 2007. Convicto, o planejamento vai além da qualidade técnica e que tem como pilar fundamental o olhar cuidadoso junto ao futebol de base.
Isso incluí o futebol olímpico: a Espanha foi finalista dos jogos de Tóquio 2021 (perdendo a medalha de Ouro pro Brasil) e campeã nos Jogos de Paris, em 2024, derrotando a França de Thierry Henry.


Pedro Porro marcou o segundo gol da Espanha diante da França em Dallas (EFE/EPA/SAM WASSON)
Doze jogadores do elenco da Espanha na atual Copa do Mundo também participaram dos dois últimos ciclos olímpicos. Grande parte deles foram treinados por Luís De La Fuente, que veio das categorias de base da Furia. É uma continuidade rara no futebol de seleções e que ajuda a explicar a força da equipe nesta década.
Estão no grupo Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Pedri, Martín Zubimendi, Mikel Merino, Marc Cucurella, Eric García, Unai Simón, Joan García, Pau Cubarsí, Marc Pubill e Álex Baena. Na semifinal da Copa do Mundo, seis deles começaram como titulares, reforçando a espinha dorsal construída desde as categorias de base.

Luis de la Fuente, treinador da seleção espanhola – EFE/Lavandeira
O contraste com o Brasil das Copas de 2022 e 2026 é inevitável. Quatro anos atrás, a seleção brasileira contou com nove jogadores que haviam participado dos dois títulos olímpicos conquistados no Rio e em Tóquio: Bruno Guimarães, Gabriel Martinelli, Weverton, Marquinhos, Gabriel Jesus, Daniel Alves, Richarlison, Antony e Neymar. Destes, apenas três foram titulares na eliminação para a Croácia, nas quartas de final.
Em 2026, apenas Bruno Guimarães, Gabriel Martinelli e Matheus Cunha estavam na Olímpiada de 2021. Douglas Santos, Neymar, Marquinhos e Weverton estavam no time medalhista de Ouro no Rio, em 2016.

Neymar pôs fim ao jejum olímpico da seleção –
A comparação não estabelece uma relação direta entre sucesso olímpico e desempenho em Copas, mas evidencia a capacidade espanhola de transformar uma geração vencedora na base em uma equipe competitiva também entre os profissionais. Enquanto o Brasil viu boa parte de seus campeões olímpicos perder espaço ou encerrar o ciclo antes do Mundial seguinte, a Espanha preservou a estrutura do grupo e colheu os frutos no principal palco do futebol.









