Uma das principais novidades na lista de 26 nomes anunciados pelo técnico Carlo Ancelotti nesta quarta-feira, 9, o lateral-esquerdo Mauro Júnior, do PSV, teve a carreira marcad por dois episódios especiais.
Desde 2017 na Europa, quando chegou para integrar a equipe B do clube holandês, o brasileiro jamais esqueceu de uma bronca do antigo artilheiro Ruud van Nistelrooy, ex-Manchester United e Real Madrid, pouco após o primeiro título conquistado pelo clube.
“Ele treinava a base e era o nosso treinador de finalização no profissional. Eu era meia naquela época e viajamos para Barcelona com a equipe para festejar. Eu precisava treinar no dia seguinte, tinha ido para uma festa e cheguei na academia de chinelo com outros colegas. Ele deu uma baita dura na gente: ‘Por que vocês estão de chinelo? Vocês não ganharam nada, só o Holandês. Vocês acham que são craques?'”, contou o jogador, em entrevista à ESPN em janeiro de 2023.
Natural de Assis, no interior de São Paulo, o jogador foi revelado pelo Desportivo Brasil e descoberto pelos holandeses antes mesmo de virar profissional, com apenas 14 anos.
Ele só se mudou em definitivo para o país europeu depois de períodos de intercâmbio e de completar 18 anos. Antes disso, sem chances em grandes clubes do Brasil, atuou pelo clube de Porto Feliz na Série A-3 do Paulistão, o terceiro patamar do estadual paulista.

Lateral-esquerdo tem passagens pelo Heracles e pelo Desportivo Brasil – Olaf Kraak/EFE
Logo em sua estreia pelo Campeonato Holandês, Mauro Júnior marcou um gol com apenas 26 minutos em campo, igualando o feito de Ronaldo Fenômeno de balançar as redes com apenas 18 anos, em 1994.
Depois de duas temporadas completas, tendo jogado apenas 25 partidas na equipe principal e 32 pelo time B no período, acabou sendo emprestado ao Heracles Almelo. A boa passagem, com seis gols marcados e sete assistências em 29 partidas, alavancou sua carreira.
A mudança de chave para se firmar no PSV se deu, contudo, com a escolha por mudar de posição: de meia-atacante para lateral-esquerdo. Ele conta ter sido convencido pelo treinador alemão Roger Schmidt por conta de uma necessidade naquele momento.
“Foi uma temporada que fiquei muito surpreso porque estava jogando como lateral-esquerdo. Foi um pedido do treinador Roger Schmidt por sete meses e fui muito bem. Consegui números bons e consegui ajudar a equipe. Claro, me firmei nessa posição de lateral e me sinto muito feliz. Isso é o mais importante”, explicou, também à ESPN.
Apesar de ter defendido as seleções de base e olímpica do Brasil, o jogador já chegou a acenar em entrevista a possibilidade de atuar pela Holanda, caso convocado, pelo fato de possuir passaporte holandês. Ele sempre indicou que seu sonho era atuar pelo país de origem.

Com diversas novidades, Ancelotti deu o pontapé inicial para o ciclo de 2030 – Christopher Neundorfer/EFE
“Eu sempre respeitei muito a Holanda, é um país que faz parte da minha vida e onde construí praticamente toda a minha carreira. Tenho muito carinho por tudo que vivi aqui e pelo PSV, que me abriu as portas e me fez crescer como jogador e como pessoa. Mas dentro de mim sempre existiu esse sonho de jogar pelo Brasil. Poder realizar isso agora é algo que não tem preço”, ressaltou.
Com 1,71 m, viveu na última temporada um dos melhores momentos da carreira, contribuindo com um gol e 11 assistências em 37 partidas. Desde que chegou ao PSV, são 206 jogos, dez gols e 31 assistências, além de oito títulos: quatro Campeonatos Holandeses (2018, 2024, 2025 e 2026), duas Taças dos Países Baixos (2022 e 2023) e duas Supertaças Neerlandesas (2022 e 2026).
Pelas seleções de base, disputou os Sul-Americanos sub-15 e sub-17, além de acumular convocações para seleções olímpicas, mas acabou ficando de fora dos Jogos de Tóquio-2020 por conta de lesões.








