A lateral-direita Bruninha foi desconvocada da seleção brasileira feminina após sofrer uma lesão no joelho direito durante a vitória contra a Argentina, disputada no último sábado, 10, no Beira-Rio. Exames de imagem confirmaram a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), retirando a atleta da sequência de compromissos da equipe e elevando para cinco o número de lesões ligamentares graves entre jogadoras no radar da Amarelinha desde que o técnico Arthur Elias assumiu o comando, em setembro de 2023.
Baixas recentes no ciclo atual
A ausência de Bruninha soma-se a outros desfalques recentes no elenco. A defensora Paloma Maciel sofreu ruptura do LCA do joelho direito, associada a lesão meniscal, durante período de treinamentos com a seleção em Itu (SP), em junho. No setor ofensivo, a atacante Dudinha, ex-São Paulo, que vinha ganhando espaço e oportunidades na equipe principal, também teve a sequência interrompida por uma ruptura de ligamento no joelho durante a fase de afirmação na seleção. A lesão aconteceu após sofrer uma falta dura em amistoso contra a seleção dos Estados Unidos.
Histórico na era Arthur Elias e o ciclo olímpico
O problema físico já havia afetado o planejamento de Arthur Elias no início de 2024. Em fevereiro daquele ano, a goleira titular Letícia Izidoro (Lelê) sofreu a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em atividade pelo Corinthians, desfalque que a tirou da Copa Ouro e custou a titularidade na preparação para os Jogos Olímpicos de Paris.
A primeira baixa de peso na gestão do treinador ocorreu logo no início de seu trabalho, em outubro de 2023, quando a meia-atacante Kerolin rompeu o ligamento atuando pelo North Carolina Courage em partida contra o Washington Spirit. A jogadora enfrentou cerca de dez meses de reabilitação até retornar aos gramados às vésperas do torneio olímpico.
Precedentes de 2023 fora da atual gestão
Embora não entrem na contagem da comissão técnica atual, as lesões de LCA já haviam cobrado um preço alto da seleção feminina no primeiro semestre de 2023, ainda sob o comando da técnica Pia Sundhage. Naquele período, a goleira Lorena e a atacante Ludmila sofreram rupturas no ligamento cruzado anterior e acabaram cortadas da Copa do Mundo disputada na Austrália e Nova Zelândia, evidenciando que a instabilidade provocada pela lesão atravessa ciclos consecutivos.
O que diz a ciência sobre a incidência no futebol feminino
A repetição dos casos na seleção reflete um cenário amplamente documentado pela medicina esportiva. Estudos científicos apontam que mulheres têm de duas a oito vezes mais probabilidade de romper o LCA em comparação aos homens em esportes com mudanças bruscas de direção, desacelerações e giros.
As pesquisas atribuem a disparidade a uma combinação de fatores anatômicos, hormonais e biomecânicos. Entre eles estão a bacia feminina mais larga — que gera um ângulo maior nos joelhos (valgo dinâmico) —, a frouxidão ligamentar decorrente das flutuações hormonais do ciclo menstrual e o espaço intercondilar mais estreito no fêmur.
Além das questões fisiológicas, especialistas apontam que o avanço do calendário internacional somado à disparidade histórica na estrutura médica, controle de carga e equipamentos desenhados especificamente para a biomecânica feminina aceleram o índice de lesões na modalidade.








