O Flamengo carimbou sua classificação para a decisão da Copa do Brasil Feminina na noite deste sábado, 7. Em confronto movimentado no Estádio Luso-Brasileiro, no Rio de Janeiro, a equipe rubro-negra superou o Bahia por 3 a 2 no tempo regulamentar, após o empate sem gols na partida de ida em Salvador. Além de alcançar a final da competição pela primeira vez em sua história, o resultado encerra um hiato de uma década: o clube carioca não disputava uma decisão de âmbito nacional desde 2016, ano em que conquistou o título do Campeonato Brasileiro Feminino.

Golaço do meio de campo e primeiro tempo agitado

O duelo começou em alta intensidade na Ilha do Governador. Apesar do receio inicial por desgaste, o Flamengo teve Laysa e Djeni no time titular, enquanto o Bahia sentiu os desfalques de Angela e Tchula na retaguarda. Logo aos cinco minutos, Yanne fez boa intervenção pelo time baiano, mas saiu mal na jogada seguinte: atenta ao adiantamento da arqueira adversária, Núbia arriscou de trás do círculo central e encobriu a camisa goleira tricolor, abrindo o placar com um golaço.

O ímpeto carioca seguiu aos nove minutos, quando finalização de Laysa desviou na marcação e quase surpreendeu Yanne, que espalmou para escanteio. Aos 28 minutos, Fernanda foi lançada em profundidade e parou em defesa de Yanne; no rebote, a atacante finalizou por cima do travessão, em lance paralisado por marcação contestada de impedimento pela arbitragem.

Aos 35 minutos, o Bahia encontrou o caminho do empate: após entrada imprudente de Fernanda dentro da grande área, a penalidade máxima foi assinalada. Cássia cobrou no canto e converteu, apesar de a goleira Vivi Holzel ter tocado na bola antes de ela morrer no fundo da rede. Nos acréscimos da etapa inicial, a joia Kaylane quase marcou em arremate no ângulo, mas o lance foi anulado por jogada perigosa. A redenção rubro-negra veio aos 48: Jucinara fez jogada individual pela ponta e bateu cruzado; Yanne espalmou para o meio e Fernanda completou para as redes, recolocando as donas da casa em vantagem antes do intervalo.

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Domínio rubro-negro, superação de Sandoval e lei da ex

Na volta dos vestiários, o Flamengo manteve a postura agressiva e ampliou o marcador logo aos quatro minutos. A vantagem no placar, contudo, custou caro fisicamente ao elenco carioca. A lateral Monalisa Belém deixou o gramado lesionada aos oito minutos para a entrada de Sofia Couto, e Laysa também precisou ser substituída por dores aos 17, dando lugar a Letícia Oliveira.

Mesmo com as alterações, o time mandante seguiu criando oportunidades com a articulação de Núbia no setor central. Cristiane, Mari Fernandes e Sofia Couto exigiram defesas difíceis de Yanne em sequência. O Bahia apostou em bloco adiantado a partir dos 28 minutos, exigindo intervenção firme de Vivi Holzel, mas cedeu espaços nos contra-ataques.

Aos 33 minutos, Cristiane acusou dores no tornozelo e precisou ser substituída em um pacote de trocas de Celso Silva, que promoveu as entradas de Sandoval, Emily Lucas e Fabi Simões. A presença de Sandoval em campo já carregava forte carga emotiva: após dois anos longe dos gramados por lesão, a atacante voltou a atuar e construiu um enredo de pura superação. Aos 38 minutos, Fabi Simões costurou jogada individual pela direita e tentou o arremate; na sobra, após intervenção de Yanne e desarme de Letícia, a bola sobrou limpa para a paraguaia completar para o gol e decretar o 3 a 1. Cumprindo a lei da ex com respeito ao clube pelo qual atuou, a atleta conteve a celebração, mas aproveitou o retorno triunfal aos gramados com o gol da classificação.

Pressão tricolor e final inédita da Copa do Brasil Feminina

Em desvantagem, o Bahia foi para o tudo ou nada nos minutos finais sob o comando de trocas promovidas com Ellen, Dan e Maia Rodrigues. Aos 40 minutos, Dan alçou bola na área e, após bate-rebate com a defesa rubro-negra, a bola sobrou com Ellen, que bateu rasteiro; a goleira Vivi Holzel falhou e deixou a finalização passar, reacendendo a esperança tricolor no marcador.

Os minutos de acréscimo foram de forte tensão na Ilha do Governador. O Bahia acumulou cruzamentos e disputas físicas na grande área, quase empatando a partida aos 45+1 em arremate potente de Raquel, defendido com segurança por Vivi Holzel para se redimir da falha anterior. Do outro lado, Sandoval e Letícia sustentaram a posse de bola no ataque até o apito final, confirmando a eliminação das Mulheres de Aço na semifinal pelo segundo ano consecutivo e selando a volta do Flamengo a uma final nacional após dez temporadas.

As rubro-negras agora aguardam a definição do adversário na disputa pelo título da Copa do Brasil Feminina. A outra vaga será decidida neste domingo, 8, às 11h, no Estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, onde o Internacional defende a vantagem do triunfo por 3 a 1 conquistado na ida diante do Red Bull Bragantino.

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