O Boca Juniors entra em campo neste sábado, 7, às 17h30 (de Brasília), diante do Defensa y Justicia, em La Bombonera, dependendo apenas de suas próprias forças para faturar a taça da Liga Argentina de 2026. Entregue ao time de melhor campanha acumulada nas fases de grupos dos torneios Apertura e Clausura, o troféu chega à rodada final sob disputa acirrada entre os xeneizes, o Argentinos Juniors e o Rosario Central, em um formato que agora ganha respaldo regulamentar após a polêmica premiação concedida de forma extraordinária na temporada passada.

Critérios de desempate e cenários da rodada final

Os três postulantes atuam no mesmo horário como mandantes. Enquanto o time comandado por Rodolfo Arruabarrena joga em Buenos Aires, o Argentinos Juniors recebe o Huracán no Estádio Diego Armando Maradona, e o Rosario Central enfrenta o já rebaixado Estudiantes de Rio Cuarto no Gigante de Arroyito.

Boca e Argentinos Juniors lideram a tabela geral com os mesmos 60 pontos, mas a equipe auriazul ostenta ampla superioridade no saldo de gols (22 contra 12), primeiro critério de igualdade previsto no regulamento. No número de gols marcados — segundo fator de desempate —, os donos da Bombonera também levam a melhor: 45 a 37. Para ser campeão sem depender de tropeços do rival direto, basta ao Boca vencer mantendo a dianteira no saldo.

Atual campeão, o Rosario Central soma 59 pontos e precisa triunfar torcendo para que nem Boca nem Argentinos somem três pontos. Uma remota combinação matemática daria o bicampeonato ao time rosarino até mesmo com um empate, desde que os dois líderes sofram derrotas e o Boca seja superado por uma diferença mínima de seis gols.

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Prestígio atual e a controvérsia de 2025

A inclusão da premiação nas diretrizes oficiais da Associação de Futebol Argentino (AFA) desde o início do ano pacificou a legitimidade da conquista, que em 2025 desencadeou protestos inflamados. No ano anterior, a entidade surpreendeu os clubes ao convocar a diretoria do Rosario Central e o capitão Ángel Di María a três dias do início do mata-mata do Clausura para conceder o troféu por reunião executiva.

A entrega repentina causou forte atrito com o Estudiantes de La Plata, comandado institucionalmente por Juan Sebastián Verón. Em sinal de repúdio à homologação sem previsão regulamentar, a equipe de La Plata recusou-se a fazer o corredor de honra nas oitavas de final do Clausura e deu as costas aos atletas do Rosario na entrada em campo — antes de vencer a partida por 1 a 0 e rumar ao título daquela competição.

Para a definição de 2026, capitães e treinadores dos três clubes participaram de uma entrevista coletiva conjunta na sede da Liga Profissional de Futebol. Durante a preparação, o presidente e ídolo boquense Juan Román Riquelme valorizou o compromisso do elenco:

“Amo meu clube e estamos felizes com a possibilidade de competir no sábado e comemorar com a nossa torcida. Eles estão curtindo muito. Meu maior desejo é que a comissão técnica e os jogadores possam comemorar. O esforço que os jogadores do Boca estão fazendo é incrível. Machucam-se e em cinco dias já querem voltar. Isso mostra que a vontade é grande”, declarou o dirigente.

O técnico Rodolfo Arruabarrena também pediu serenidade para encerrar o jejum sem taças do clube, que dura desde 2022: “É verdade que o clube não ganha um título há algum tempo, e temos que pensar na partida, não no futuro, porque isso leva ao desperdício de energia e gera ansiedade”.

Desdobramentos no Clausura e vagas continentais

A conclusão da fase de grupos encerra a disputa da tabela anual, mas não fecha o calendário da divisão de elite. O Torneio Clausura terá continuidade com a abertura das oitavas de final a partir de 22 de novembro, logo após o encerramento da Data Fifa. Boca Juniors, Argentinos Juniors e Rosario Central já estão garantidos nos playoffs e também assegurados na Copa Libertadores de 2027 pela pontuação acumulada.

O mata-mata do Clausura desponta como a única rota acessível para o River Plate tentar vaga no principal torneio continental. Fora das primeiras colocações gerais, o clube de Núñez depende exclusivamente do título do segundo semestre para não amargar sua segunda ausência consecutiva na Libertadores.

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