O futebol feminino do Corinthians deve passar por uma contenção de despesas para a próxima temporada diante da crise institucional e do endividamento global da agremiação, que se aproxima de R$ 3 bilhões. Após o vice-campeonato na Copa Libertadores Feminina diante do Cruzeiro, a diretora da categoria, Iris Sesso, admitiu a possibilidade de reajustes para baixo no orçamento das Brabas em 2027 e indicou reuniões com a atual gestão e com os candidatos à presidência do clube.

Cenário esportivo e planejamento financeiro

A temporada de 2026 marcou um ponto fora da curva para a equipe alvinegra em termos de conquistas. O Corinthians alcançou quatro decisões no ano, mas terminou como vice em todas: na Copa das Campeãs da Fifa contra o Arsenal, na Supercopa do Brasil diante do Palmeiras, no Brasileirão frente ao São Paulo e no torneio continental contra o Cruzeiro, nos pênaltis.

“Claro (é possível ter cortes), não é novidade para ninguém o momento financeiro. Tenho que ter responsabilidade, mas preciso manter a qualidade do elenco. Não conquistamos título, mas chegamos em finais. As atletas ficam incomodadas também, mas sei que elas e nós demos o melhor. Tenho que chegar no Brasil, conversar com a presidência sobre orçamento e nessa correria ainda não consegui. Primeira coisa é voltar e entender isso”, declarou Iris Sesso em entrevista coletiva.

Eleição presidencial e transição de gestão

Além das limitações de caixa, a indefinição política no Parque São Jorge adiciona complexidade ao planejamento do departamento para o triênio 2027–2029. O atual presidente, Osmar Stabile, não disputará o pleito marcado para 28 de novembro. A corrida eleitoral conta com quatro candidaturas homologadas: André Castro, Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes e Rozallah Santoro. O empresário Sérgio Janikian tenta reverter judicialmente o indeferimento de sua chapa pela Comissão Eleitoral.

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“O presidente não vai tentar reeleição, então são outros candidatos que vamos conversar. Eu conheço os candidatos, vou sentar com eles, conversar, entender a política de trabalho deles e quero mostrar como é o futebol feminino do Corinthians. Estamos tristes hoje, mas não deixa o legado do Corinthians no futebol feminino”, afirmou a diretora.

Pendências financeiras e receitas comerciais

Ao longo do ano, o departamento também lidou com instabilidade no fluxo de caixa, enfrentando atrasos em salários em carteira, direitos de imagem e premiações. Embora as folhas salariais e de imagem tenham sido regularizadas em outubro após cobranças diretas do elenco à cúpula alvinegra, os valores referentes a premiações esportivas continuam em aberto.

“Falar que não impacta, estaria mentindo. Afeta um pouco, tento fazer ao máximo a blindagem e sinto que elas me retribuem e fazem nosso melhor. Todas querem receber e hoje o que não está em dia são as premiações. Conversamos com a diretoria para quitar tudo o quanto antes”, pontuou a dirigente.

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