Após a conquista inédita da Libertadores Feminina de 2026 sobre o Corinthians, em Quito, o Cruzeiro já direciona o foco para o planejamento institucional das próximas temporadas. Durante a recepção às atletas campeãs nesta segunda-feira, 2, em Belo Horizonte, a gerente de futebol feminino do clube, Luiza Parreiras, fez um balanço financeiro da categoria e revelou que alinhará as diretrizes orçamentárias de 2027 com o presidente Pedro Lourenço.

Avaliação financeira e estrutura na Toca 1

Questionada sobre o volume de recursos destinados ao departamento, a dirigente avaliou de forma positiva a estrutura disponibilizada pelo clube e destacou que a maior parte da verba é direcionada aos custos operacionais do elenco principal, aproveitando as instalações próprias da Toca da Raposa 1.

“Particularmente, por ter passado em outros clubes, até fora de Minas, discordo que não exista investimento, pelo contrário. É um valor que é muito relevante, pensando que é uma única categoria. (…) É um custo basicamente direcionado para montagem de elenco. Nesse ano que estamos, de fato, colocando no orçamento a categoria de base. (…) É um valor alto, é um valor possível, mas ele precisa ser melhor equilibrado”, declarou a gestora.

Em 2026, a previsão orçamentária divulgada pelo clube para as Cabulosas foi de aproximadamente R$ 16 milhões — aumento de 6% em comparação com os R$ 15 milhões executados no exercício de 2025.

Planejamento internacional e diálogo com a presidência

Com a conquista continental, o Cruzeiro garantiu um calendário de peso para os próximos anos. A equipe representará a América do Sul na Copa das Campeãs da Fifa de 2027, onde enfrentará o Barcelona na semifinal, além de assegurar vaga no Mundial de Clubes Feminino de 2028, nos Estados Unidos.

Diante desse cenário, Luiza Parreiras defendeu a manutenção ou ampliação dos aportes financeiros em reunião que será realizada com o presidente Pedro Lourenço.

“Agora a gente tem a Libertadores e Mundial de 2027, a Copa de 2028, onde provavelmente o Cruzeiro entra em uma repescagem. Então a gente precisa, no mínimo, manter esse investimento, e aumentar dentro das condições. Mas combinamos de falar sobre isso após a Libertadores. Acho que isso aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de planejamento bem organizado, para sermos protagonistas do futebol feminino no Brasil e sul-americano também”, afirmou.

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Marco na carreira e destaques da campanha

A dirigente também classificou o troféu como o principal momento de sua carreira na gestão esportiva, iniciada em 2019 com passagens por América-MG e Internacional antes de desembarcar em Belo Horizonte no início de 2026. A taça tornou o Cruzeiro o primeiro clube fora do eixo Rio-São Paulo a vencer o torneio continental.

“Já estou há um tempo no futebol feminino no nível profissional, mas foram muitos trabalhos de reconstrução e estruturação. (…) Mas eu nunca tinha conquistado um grande título. São poucos clubes no Brasil que têm o título, e é o primeiro clube fora do eixo Rio-São Paulo. É um clube que é a primeira vez que disputa, e que conquista. Então, falando da minha carreira, com certeza é o título mais importante, de muita emoção”, declarou.

Ao comentar o desempenho do elenco campeão, a gestora exaltou peças fundamentais da campanha e destacou o esforço coletivo:

“Temos que falar da Camila, que fez uma excelente Libertadores, fez defesas muito importantes, teve a defesa do pênalti ali também. A Calhau, muito protagonismo, entendeu a importância dela e a relevância, e obviamente a Byanca também. Então, não só por mim, é um título de muita importância. A gente brincou muito que somos campeãs da América, e agora o Cruzeiro vai jogar o Mundial, elas merecem, e a comissão merece”, finalizou.

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