O adversário do Brasil na fase 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026 será o Japão, que empatou em 1 a 1 com a Suécia, em Dallas, na última quinta-feira, 26, e terminou em segundo no Grupo F. O duelo acontece na próxima segunda-feira, dia 29 de junho, às 14h (horário de Brasília), no NRG Stadium, em Houston, Texas.

Somando todas as competições, o Brasil leva ampla vantagem (14 vitórias e uma derrota), mas perdeu justamente o último encontro, em amistoso em 2025, 3 a 2 de virada.

Notícias no WhatsAppEntre no canal da Placar e receba as novidades do futebol em primeira mão.
Entrar no canal

Em Copas do Mundo, as equipes só se enfrentaram uma vez, na primeira fase da edição de 2006, na Alemanha. O Brasil venceu por 4 a 1, com dois gols de Ronaldo, um de Juninho Pernabucano e outro de Gilberto, em um jogo repleto de curiosidades. Confira, abaixo:

Zico era o técnico do Japão

A principal atração daquela partida estava fora de campo, no banco do Japão: Zico, lenda do futebol brasileiro e um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do futebol japonês no início dos anos 90, quando atuou pelo Kashima Antlers, era o treinador da equipe nipônica.

Zico havia assumido o cargo em 2002, sucedendo o francês Philippe Troussier, atendendo a um chamado do presidente da federação japonesa Masaru Suzuki, que fora seu chefe no Kashima nos tempos de atleta. Campeão da Copa da Ásia de 2004, Zico já havia enfrentado o Brasil na Copa das Confederações de 2005. Na ocasião, os times empataram em 2 a 2, resultado que quase eliminou o Brasil, mas deixaria o Japão de fora nos critérios de desempate.

Zico admitiu certo desconforto na véspera do reencontro com seu país natal na Copa do Mundo. “A situação é desconfortável em todos os sentidos. Só o fato de ter de jogar contra o Brasil, pela história que eu tenho com a seleção brasileira, já me deixa desconfortável como brasileiro e amante do futebol brasileiro”, afirmou à BBC na época. Ele afirmou que voltaria a cantar o hino brasileiro, mas que pararia por aí. “Ninguém vai me tirar de ser brasileiro. Eu nasci brasileiro, mas essa emoção vai só até a bola rolar.”

Zico, técnico da seleção japonesa e Gilberto durante jogo entre Brasil e Japão, Copa do Mundo de Futebol, 2006 (Alexandre Battibugli/PLACAR)

Homenagem de Parreira a Rogério Ceni

Rogério Ceni participou de duas Copas do Mundo (foi penta em 2002 na reserva de Marcos e em 2006 o titular era Dida). O ídolo do São Paulo, no entanto, recebeu uma homenagem do técnico Carlos Alberto Parreira nos minutos finais da goleada sobre o Japão, quando o jogo estava resolvido. Usando uma camisa verde, Ceni  entrou aos 36 do segundo tempo para colocar seu nome também na história dos Mundiais. Ele tinha 33 anos e vinha da melhor temporada de sua carreira, quando conquistou a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2005 pelo São Paulo.

Rogério Ceni fez um jogo em Copa do Mundo, contra o Japão, em 2006 – Alexandre Battibugli/PLACAR

Outro brasileiro em campo

Além de Zico, havia outro nome bem brasileiro do lado adversário. Nascido em Maringã (PR), Alex Santos era o lateral-esquerdo do Japão, seleção que defendeu entre 2002 e 2006. Revelado pelo Grêmio Maringá, ele foi ainda jovem para o país asiático, onde se profissionalizou e fez história, especialmente com a camisa de Shimizu S-Pulse e Urawa Red.

Ronaldo, do Brasil, e Alex Santos, em ação em Brasil 4 x 1 Japão em 2006 (Alexandre Battbugli/PLACAR)

Inesperado adeus de Nakata

Hidetoshi Nakata foi um dos maiores, se não o maior jogador de futebol do Japão em todos os tempos. Meio-campista habilidoso, obteve destaque no futebol italiano atuando por  Perugia, Roma, Parma, Bologna e Fiorentina. O ídolo nipônico, no entanto, surpreendeu ao se aposentar aos 29 anos, justamente após a derrota para o Brasil, encerrando sua terceira participação em Copas.

Nakata caiu em prantos no gramado após a partida, já ciente da notícia que apenas ele sabia naquele momento. Em entrevista à revista italiana TMW Magazine anos depois, Nakata contou que “perdeu o amor pelo futebol” naquela época. “Dia após dia eu percebia que o futebol tinha se tornado apenas um grande negócio. Eu podia sentir que o time estava jogando apenas para ganhar dinheiro, e não mais para se divertir. Eu sempre senti que um time era uma grande família, mas eu parei de ser desse jeito. Eu estava triste”.

Hidetoshi Nakata no último jogo de sua carreira, o Brasil 4 x 1 Japão de 2006 (Alexandre Battbugli/PLACAR)

Eles não podiam jogar juntos

Capas

Capas “proféticas” em 2006

A boa partida contra o Japão, de certa forma, confirmou uma das maiores profecias de PLACAR, que meses antes do Mundial da Alemanha alertou que o “quadrado mágico” formado por Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo “não poderia jogar junto”, e que os laterais veteranos Cafu e Roberto Carlos tinham virado uma ameaça ao Brasil, grande favorito ao título em 2006.

Contra o Japão, já classificado após vitórias pouco convincentes diante de Croácia e Austrália, o Brasil entrou em campo com cinco mudanças. Cicinho e Gilberto jogaram nos lugares dos laterais Cafu e Roberto Carlos, Gilberto Silva e Juninho Pernambucano substituíram Emerson e Zé Roberto, e Robinho ocupou na vaga de Adriano no ataque.

O Brasil, de fato, jogou com muito mais mobilidade pelas laterais, e inclusive Gilberto marcou um dos gols da partida. Robinho, que já havia sido destaque no título da Copa das Confederações de 2005 (no caso, ao lado de Adriano, como Ronaldo havia pedido dispensa), também teve boa participação, bem como Juninho Pernambucano, único a ganhar a vaga de titular na eliminação contra a França, na vaga de Adriano.

Robinho era o nome que poderia ter mudado o destino do Brasil naquela Copa (Alexandre Battbugli/PLACAR)

Recorde e alívio para Ronaldo

A goleada sobre o Japão tirou um peso das costas do camisa 9 da seleção, criticado por ter chegado fora de forma para o Mundial e por não ter brilhado nos dois jogos anteriores. Parreira o manteve no time e Ronaldo respondeu com dois gols que fizeram dele o maior artilheiro do Brasil em Copas, (com 14, passando os 12 de Pelé) e até então empatando com o recordista geral, o alemão Gerd Müller. O Fenômeno se isolaria como recordista no jogo seguinte, ao marcar seu 15º gol em Mundiais contra Gana. O recorde atualmente pertence ao argentino Lionel Messi, com 18 gols.

Ronaldo em ação em Brasil 4 x 1 Japão em 2006 (Alexandre Battbugli/PLACAR)

Ronaldo em ação em Brasil 4 x 1 Japão em 2006 (Alexandre Battbugli/PLACAR)

Ficha técnica

JAPÃO 1 x 4 BRASIL – 22/06/2006
Local: Westfalenstadion (atual Signal Iduna Park), em Dortmund
Árbitro: Eric Poulat (França)
Cartões amarelos: Kaji (Japão); Gilberto (Brasil)
Gols: Tamada, aos 33, e Ronaldo aos 45 minutos do primeiro tempo; Juninho Pernambucano, aos 7, Gilberto, aos 14, Ronaldo, aos 36 minutos do segundo tempo.

JAPÃO
Kawaguchi, Kaji, Tsuboi, Nakazawa e Alex Santos; Inamoto, Nakamura, Ogasawara (Koji) e Nakata; Maki (Takahara) (Oguro) e Tamada.
Técnico: Zico

BRASIL
Dida (Rogério Ceni), Cicinho, Lúcio, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Juninho Pernambucano, Kaká (Zé Roberto) e Ronaldinho Gaúcho (Ricardinho); Robinho e Ronaldo.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Siga a Placar no GoogleFique por dentro das últimas notícias e não perca nenhum lance.
Seguir no Google