A Fifa solicitou mudanças no uniforme da seleção do Haiti para a Copa do Mundo de 2026 nesta quarta-feira, 10. A reclamação pegou a seleção haitiana de surpresa durante o processo de aprovação dos materiais que serão utilizados na competição.

A poucos dias da estreia do Haiti, a entidade máxima do futebol exigiu alterações no uniforme da equipe caribenha por considerar que certos elementos gráficos do seu desenho podem ser interpretados como uma manifestação política.

Notícias no WhatsAppEntre no canal da Placar e receba as novidades do futebol em primeira mão.
Entrar no canal

Referências Históricas

O modelo, desenvolvido pela fornecedora Saeta em parceria com a Federação Haitiana de Futebol, continha referências à história do país, incluindo alusões à Batalha de Vertières, que ocorreu em 1803, confronto decisivo no processo de independência haitiana.

O Haiti foi o primeiro país do mundo moderno a abolir a escravidão e a se tornar uma república liderada por negros. Conquistou sua independência da França em 1º de janeiro de 1804, tornando-se a segunda nação independente das Américas, após uma revolta de escravizados

Camisas da seleção do Haiti – Divulgação/Saeta

De acordo com a fabricante, a proposta tinha como objetivo homenagear a identidade e a um momento importante na história do Haiti, um país cuja história recente ficou marcada por conflitos e desafios sociais e políticos, como a intervenção da ONU por meio da MINUSTAH (com participação do Exército Brasileiro) em 2004 e o terremoto que atingiu a ilha em 2010.

A Fifa, porém, aplicou as normas de seu regimento que restringem a presença de mensagens, símbolos ou referências consideradas políticas nos uniformes de competições oficiais.

A participação do Haiti na Copa do Mundo marca o retorno da seleção à competição após mais de cinco décadas, desde sua única presença anterior, na edição de 1974.

O detalhe da discórdia na camisa da seleção do Haiti – Divulgação/Saeta

“Durante o processo de revisão, a Fifa determinou que certos elementos visuais poderiam ser interpretados de maneira diferente sob seus regulamentos de equipamentos esportivos e, por fim, solicitou modificações no design”, comunicou a fornecedora oficial do material esportivo usado pelos Haitianos no Mundial.

Após a solicitação da entidade, a Saeta realizou ajustes no design para adequá-lo aos regulamentos do torneio. A versão modificada será a utilizada pela seleção haitiana durante a Copa do Mundo, enquanto a original seguirá sendo comercializada para torcedores.

A Fifa cita as determinações presentes no artigo 28 (sobre uniformes) e 34 (sobre protocolo de jogo) de seu regulamento:

“É proibida a exibição de mensagens ou slogans políticos, religiosos ou pessoais de qualquer natureza, em qualquer idioma ou formato, por jogadores e membros da comissão técnica em seus uniformes de jogo, uniformes de equipe ou outras vestimentas consideradas agasalhos e trajes formais, antes e depois do jogo, bem como em equipamentos (incluindo bolsas de uniforme, recipientes para bebidas, bolsas médicas, etc.) ou no corpo.

A exibição similar de mensagens e slogans comerciais de qualquer natureza, em qualquer idioma ou formato, por jogadores e membros da comissão técnica não é permitida durante o período em que estiverem em qualquer atividade oficial organizada pela Fifa (incluindo partidas e treinos oficiais, bem como durante coletivas de imprensa oficiais e atividades em zona mista)”

A exigência causou polêmica, tendo em vista a aproximação pública explícita de Gianni Infantino, presidente da entidade, com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, sobretudo quando o governo americano vem tomando uma série de medidas que dificultam a vida dos torcedores e atletas que estão no país para a competição.

Siga a Placar no GoogleFique por dentro das últimas notícias e não perca nenhum lance.
Seguir no Google