O Santos Futebol Clube celebra nesta quinta-feira, 6, o aniversário de 77 anos de Jonas Eduardo Américo, o Edu, um dos ídolos do Peixe entre os anos 60 e 70. O precoce e habilidoso ponta canhoto conquistou diversos títulos na carreira, incluindo a Copa do Mundo de 1970. Também integrou a equipe no Mundial de 1966, com apenas 16 anos, e 1974. Foi um dos grandes jogadores de sua geração e apareceu diversas vezes no acervo de PLACAR.

Edu nasceu em Jaú, em 6 de agosto de 1949, e chegou à Vila Belmiro por indicação de ninguém menos que Pelé. O rei estava de férias no interior em 1964 quando conheceu a família do prodígio e indicou Edu para realizar testes no Santos, pelo qual marcaria 184 gols em 584 jogos.

Foi campeão paulista pelo Peixe em 1965, 1967, 1968, 1968 e 1973, da Taça Brasil de 1965, entre outros títulos. É o 7º artilheiro e o 6º atleta com mais jogos em nossa história,

Em 1977, se transferiu ao rival Corinthians e integrou o time que encerrou uma fila de 23 anos sem taças. Também jogoun no Inter e em clubes dos EUA e do México até a aposentadoria nos anos 80.

Em 1971, Edu ganhou sua única Bola de Prata de PLACAR, como um dos melhores atacantes do país. Com apenas 22 anos, ele já convivia com críticas, devidamente superadas, naquela temporada. Ele foi escalado mais centralizado para poder jogar ao lado de Pelé.

Forte concorrência na seleção

Apesar de ter disputado três Copas do Mundo, Edu sempre sofreu com a forte concorrência em seu setor. Chegou a ser titular na equipe dirigida por João Saldanha, mas no tri em 1970, já sob o comando de Zagallo, só jogou diante da Romênia. Perderia a posição na ponta esquerda para Rivellino, um dos vários camisas 10 da equipe canarinho no México.

Em 1973, voltou a encarar forte concorrência na equipe, com Dirceu e Paulo César Caju brigando pelo posto. Durante excursão à Europa, na preparação para o Mundial do ano seguinte na Alemanha, Zagallo (então grafado como Zagalo) já sinalizava sua intenção de sacar o habilidoso ponta do Santos do time. Aos repórteres José Maria de Aquino e Carlos Maranhão, o Velho Lobo citava a falta de comprometimento tático do atacante como um ponto fraco.

“Eu gosto do Edu. Sempre gostei e sempre o convoquei para a Seleção. Mas tenho, também, meu ponto de vista sobre o que é futebol, e não vou mudá-lo enquanto não me convencerem de estar errado. Futebol, e isso não é segredo para ninguém, é jogo de conjunto, coletivo. Todo mundo tem que participar durante noventa minutos, com ou sem bola. Talvez, até, e isso muitas vezes acontece, seja mais importante a movimentação de um jogador sem a bola do que a de outro com ela. Um ponta, por exemplo, tem que dar combate ao lateral ou ao volante, para dar condições a seus companheiros de preencherem os vazios, e, por conseguinte, de marcarem na defesa”, afirmou Zagallo.

Edu se defendeu: “Eu não sinto que esteja indo tão mal. Acho que estou me saindo bem e que logo vou melhorar ainda mais. Se não estou acertando tudo, é porque o time ainda não está perfeitamente entrosado. Sei que o Zagalo sempre gostou de ponta-esquerda recuado, mas sempre falou, também, que o mais importante não é voltar pela ponta e sim fugir do 4-2-4, não deixando nunca o meio-campo com menos de três jogadores. Se ele resolveu experimentar o tripé pelo meio, é porque confia em mim.”

Na Copa de 1974, Edu só foi titular na partida contra o Zaire. Ele se despediu da seleção em 1976, com 54 jogos disputados e 12 gols marcados.

Passagem e título pelo rival

Em 1977, em baixa no Peixe, Edu foi emprestado ao Corinthians e chegou com a responsabilidade de suprir a ainda sentida ausência de Rivellino, o Reizinho do Parque São Jorge, que deixara o Timão de forma melancólica, em 1974, ano em que a equipe completara duas décadas de jejum.

“Um príncipe no Parque”, era a chamada da matéria de PLACAR. “O Timão não tem mais seu Reizinho. Mas Edu, que um dia chegou a pintar com isto: o vice do Rei Pelé.”

Edu, porém, não conseguiu repetir sua idolatria na capital. Não participou da final diante da Ponte Preta em que o Corinthians foi campeão paulista após 23 anos. Pelo clube alvinegro, realizou 40 partidas e marcou cinco gols, antes de se transferir ao Inter.

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