Na última segunda-feira, 26, Lamine Yamal ganhou pela terceira vez consecutiva o Troféu Kopa masculino. A meio-campista Vicky López, por sua vez, completou novamente a dobradinha com o Troféu Kopa feminino, entregue pela primeira vez na Bola de Ouro anterior. Os reconhecimentos reforçam ainda mais o domínio do Barcelona nas premiações a jovens jogadores.

Desde 2021, o Barcelona venceu sete das oito disputas do prêmio, entre elas: cinco no masculino, com o tri de Yamal e as vitórias de Pedri e Gavi, e duas no feminino, com o bi seguido de Vicky López. No Golden Boy, troféu paralelo entregue pelo jornal italiano Tuttosport, o clube ganhou três de cinco desde 2021 e conta com o favorito Pau Cubarsí, segundo colocado no Troféu Kopa e eleito Melhor Jogador Jovem da Copa do Mundo de 2026, para a atual edição.

“O desenvolvimento e o aproveitamento de atletas das categorias de base estão intrinsecamente ligados ao DNA formador do Barcelona. Há muitos anos, o clube catalão investe nesse modelo, que é motivo de orgulho para seus torcedores e um dos pilares que mantêm a equipe entre as principais do futebol mundial”, destaca Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management, empresa que administra a carreira de mais de 150 jogadores, entre eles o zagueiro Vitor Reis, do Manchester City.

A presença de jogadores formados por La Masía não se resume apenas às premiações. Na final da Copa do Mundo de 2026, nove atletas presentes nos elencos de ambas as seleções fizeram pelo menos parte da formação no Barcelona, sendo oito para a seleção da Espanha, além de Lionel Messi, como representante argentino.

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“A presença de oito jogadores do Barcelona na seleção espanhola mostra a força de um modelo que une formação de atletas e geração de valor para o clube. Quando jogadores revelados ou desenvolvidos em casa ganham protagonismo em uma Copa do Mundo, o impacto vai além do campo: fortalece a marca, aumenta o interesse de patrocinadores, amplia o engajamento dos torcedores e contribui para a valorização dos ativos do clube”, iniciou Fábio Wolff, especialista em marketing esportivo e sócio-diretor da Wolff Sports.

“O Barcelona volta a mostrar que investir na base pode ser uma das estratégias mais eficientes para combinar desempenho esportivo e crescimento financeiro”, complementou.

La Masia e recuperação financeira

Além do desempenho esportivo, o potencial extraído das categorias de base se mostrou muito importante para a recuperação financeira do clube. Em 2021, o clube enfrentava uma das situações mais delicadas de sua história recente. O alto endividamento, somado às restrições impostas pelo fair play financeiro da La Liga, culminou na saída de Lionel Messi.

Desde então, com o foco em formar atletas, o time arrecadou mais de 89 milhões de euros (cerca de R$ 539 milhões) em vendas da base na temporada, além de 130 milhões (cerca de R$ 786 milhões) por revenda na década. O clube também trabalhou com empréstimos, em que o principal foco é desenvolver jogadores para que possam ser reaproveitados no clube ou em futuras vendas.

“O Barcelona mostra como a recuperação de um clube passa pela integração entre gestão financeira e planejamento esportivo. Ao mesmo tempo em que reorganizou suas contas, manteve uma aposta forte na formação de jogadores, algo que sempre fez parte da sua identidade. São jogadores que entregam desempenho em campo, fortalecem a cultura do clube e ainda se transformam em ativos valiosos, mostrando que investir na base continua sendo um dos caminhos mais sustentáveis para construir competitividade no futebol”, analisa Roger Machado, treinador e professor na CBF Academy.

“Além disso, ao buscar esse equilíbrio entre responsabilidade financeira e desenvolvimento esportivo, o Barcelona também contribui para fortalecer o campeonato local, criando condições para que mais talentos permaneçam na liga por mais tempo e elevando o nível da competição. O reflexo aparece naturalmente na seleção espanhola, que chega à Copa sustentada por uma base sólida de atletas formados nesse ambiente. É um exemplo importante para o Brasil, mostrando que o caminho para construir protagonismo de longo prazo passa pelo equilíbrio financeiro, pelo investimento na formação e pelo fortalecimento da liga nacional”, completa Roger.

Essa estratégia não apenas fortaleceu as finanças do Barcelona, como ajudou o clube a ultrapassar, pela primeira vez na história, a marca de um bilhão de euros (cerca de R$ 6 bilhões) em receita na temporada 2025/26.

“O valor estratégico das categorias de base já foi comprovado inúmeras vezes no futebol mundial. Clubes que investem de forma consistente na formação de atletas conseguem reduzir custos, aumentar a competitividade e criar importantes fontes de receita. No entanto, é um trabalho que demanda visão de longo prazo, algo que nem sempre encontra espaço em gestões focadas exclusivamente nos resultados de curto prazo”, afirma Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol.

“O atual momento do Barcelona é um grande exemplo de como a excelência na formação de atletas é um ativo extremamente eficiente tanto na questão financeira, gerando lucro expressivo, quanto no âmbito esportivo, fortalecendo a equipe e trazendo títulos. O clube catalão tem provado que apostar na juventude não é apenas uma resposta à crise, mas uma estratégia inteligente e sustentável, com redução do custo com contratações e valorização global da marca”, complementa Pedro Weber, especialista em finanças do esporte.

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