“Não está em boa forma”. O técnico Abel Ferreira foi direto ao avaliar o a atual momento de Vitor Roque no Palmeiras. Após o empate do Verdão contra o Mirassol no último domingo, 30, no interior paulista, Abel não escondeu a cobrança sobre o camisa 9, reconhecendo publicamente que o o atacante está abaixo do ritmo ideal para a reta decisiva da temporada.

“É preciso que os nossos jogadores estejam em boa forma, que o Vitor Roque recupere a forma. Não está em boa forma, isso é notório; é um jogador de quem precisamos muito. A parte física, sabemos que tem interferência no estilo de jogo”, resumiu.

Contratado pelo clube em fevereiro de 2025 por 25,5 milhões de euros (R$ 154 milhões à época), o Tigrinho volta a viver no Palmeiras uma nova má fase que faz lembrar a do momento de sua chegada.

Desde que voltou da cirurgia no tornozelo esquerdo que o afastou dos gramados por cerca de três meses, o jogador fez 11 partidas e só marcou um gol. Em nenhuma delas ele permaneceu em campo pelos 90 minutos, sendo titular em sete oportunidades.

Vitor Roque deixou o campo chorando - Reprodução / Prime Video

Roque quando acusou a lesão no tornozeou que o afastou por três meses – Reprodução/Prime Video

Roque retornou aos gramados diante do Atlético Mineiro, no fim de julho, como reserva. Retomou a titularidade apenas três partidas depois, mas embora tenha retomado a posição assim que se recuperou, o próprio atleta admite a dificuldade de ritmo de jogo e da plena recuperação da condição física.

“É muito difícil voltar de uma cirurgia, dois, três meses parado, em busca de ritmo. Foi um dos meus melhores jogos, com mais minutagem, onde pude correr bem, ajudar a equipe. Agora é seguir nos treinamentos, continuar com a fisioterapia e estar 100% para ajudar o Palmeiras”, disse ao fim da partida.

Antes do gol de pênalti marcado contra o Vasco, em 23 de agosto, o jogador chegou a encarar uma sequência de 12 partidas sem balançar as redes – cenário semelhante ao início da sua trajetória pelo Verdão, quando também levou 12 jogos para desencantar.

Em 2025, Vitor Roque formou ao lado de Flaco López uma das duplas de ataque mais eficientes do futebol brasileiro, batizada de Flaco-Roque. Foram 20 gols em 56 partidas disputadas, além de cinco assistências.

O clube alviverde vive um momento decisivo no ano, com a disputa direta com o Flamengo pela liderança do Brasileirão, além da fase mais aguda da Copa do Brasil e da Libertadores, ambas nas quartas de final.

Terapia: aliada para os tempos de secas

Em entrevista exclusiva à PLACAR para o Guia da Libertadores de 2026, o Tigrinho exaltou o trabalho de Gisele Silva, psicóloga do Palmeiras, como responsável por ajudá-lo a superar um início conturbado e a lidar com a provocação dos rivais.

“Cheguei com o peso da camisa 9 de um time que há muito tempo não tinha um centroavante de área fixo. Eu era muito jovem, e cheguei como a contratação mais cara do futebol brasileiro. Eu me colocava muita pressão: ‘Tenho que fazer e acontecer’. Ela me dizia: ‘Você não tem culpa de terem pagado tantos milhões por você, tem que desfrutar’. Naqueles 12 jogos de jejum, eu via comentários, depois desliguei de tudo por orientação dela”, contou Roque.

Roque contou ainda que usa o sorriso de deboche como um jogo mental para desestabilizar os adversários.

Vitor Roque comemora gol contra o Atlético-MG - Fabio Menotti/Palmeiras

Vitor Roque comemora gol contra o Atlético-MG – Fabio Menotti/Palmeiras

“É um trabalho feito com a psicóloga. O futebol é um jogo mental, então eu preciso desestabilizar o meu adversário para me sobressair. É uma maneira de me manter tranquilo. Automaticamente, a maioria [dos adversários] fica nervosa, acha que pode ser um deboche, mas é algo meu para manter a cabeça focada no jogo. Recentemente, nos embates que tive com o jogador do Botafogo, eu estava sempre rindo. É uma forma de não perder a cabeça”, explicou na ocasião.

Ele também conta com o apoio de uma equipe própria de scouts, que fez o levantamento de pontos específicos aperfeiçoamento em seu jogo. O trabalho já deu resultado práticos, auxiliando em sua melhora durante a última temporada.

“Tenho uma equipe que me ajuda. No pós-jogo, já recebo meus lances. E no pré-jogo, me enviam análises dos zagueiros que vou enfrentar. Isso é um plus para não ser pego de surpresa. Você já sabe se o defensor chuta melhor com a direita ou com a esquerda, quais são seus pontos fortes e fracos. Ajuda bastante a ter uma informação a mais”.

“Teve um jogo no ano passado em que analisamos um zagueiro que sempre caía quando o atacante fingia que ia chutar. Na partida, eu fingi, cortei ele e fiz o gol. Não vou me lembrar qual foi o jogo específico, mas a análise funciona”, concluiu.

Os números de Vitor Roque pelo Palmeiras

2026

29 jogos (18 titular)
7 gols
1 assistência
186 mins p/ participar de gol
média de 0,24

2025

56 jogos (46 titular)
20 gols
5 assistências
153 mins p/ participar de gol
média de 0,35

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