A principal competição da América do Sul já começou e o leitor de PLACAR conhece, há muitos anos, a melhor forma de acompanhar o torneio. O Guia da Libertadores, edição número 1534, já está disponível antecipadamente para assinantes. A revista impressa estará à venda em nossa loja oficial a partir de quinta, 9, e nas bancas a partir do próximo dia 10.

Fichas do Cruzeiro no Guia da Libertadores 2026 – PLACAR
Entrevistas com Rossi e Vitor Roque
Além das tradicionais fichas técnicas, tabela com cada um dos oito grupos, estatísticas e muito mais, a edição deste ano traz uma novidade: entrevistas exclusivas com dois finalistas de 2025 e destaques de suas equipes: o goleiro Rossi, do Flamengo, e o atacante Vitor Roque, do Palmeiras.
Nos papos com Klaus Richmond e Luiz Felipe Castro, ambos relembraram a jogada no minuto 83 da última decisão, em que Vitor Roque só não venceu Rossi e empatou a final em Lima, pois Danilo fez um corte providencial.

Entrevista com Rossi no Guia da Libertadores 2026 – PLACAR
“Como goleiro, nesses lances em que a bola fica rondando a área e cai nos pés do atacante adversário, a primeira coisa que eu sempre peço é que ela vá para fora ou que bata no meu corpo. Essa é a verdade (risos), é o que passa pela cabeça na hora. São decisões de milésimos de segundo que podem mudar tudo. Quando a bola saiu por cima do gol e foi para escanteio, acho que todo mundo respirou muito aliviado”, afirmou o argentino Rossi.
As pessoas falam muito de fora, parece fácil, mas são segundos para pensar. Eu tive a bola e chutei; o Danilo foi feliz no bloqueio. Aconteceu. Deus não quis que entrasse, eu sempre vejo dessa forma. E é continuar trabalhando, não vejo como um “gol perdido” da forma como algumas pessoas pintam. Eu revi os lances e pensei: “Caraca, eu poderia ter cortado”. Mas se eu corto e perco, falariam que eu tinha que ter chutado. São milésimos de segundo”, complementou o Tigrinho do Verdão.

Entrevista com Vitor Roque no Guia da Libertadores 2026 – PLACAR
Nas longas e esclarecedoras entrevistas, Rossi citou que o objetivo do Flamengo é alcançar o heptacampeão Independiente como maior campeão da Libertadores, e Roque contou como conseguiu encaixar tão bem a dupla com Flaco López, conquistar a torcida palmeirense e brilhar a ponto de sonhar com vaga na Copa do Mundo de 2026.
As entrevistas também serão publicadas em vídeo no canal de PLACAR no Youtube e em nossas redes sociais.

Estatísticas no Guia da Libertadores 2026 – PLACAR
A edição de abril conta ainda com estatísticas e curiosidades levantadas pelo jornalista Rodolfo Rodrigues, um álbum de fotos dos campeões do país e reportagens sobre os atletas brasileiros em clubes do exterior e sobre os eliminados na fase preliminar, como Bahia e Botafogo.
Confira a carta ao leitor do Guia da Libertadores de 2026:
MONTEVIDÉU É A NOVA TÓQUIO
Se há males que vem para o bem, é possível encontrar um lado positivo no jejum de títulos mundiais dos clubes brasileiros, que desde a conquista do Corinthians no Japão em 2012 não sabem o que é cruzar o planeta com o troféu na bagagem. O Flamengo chegou a sentir o gostinho da cereja do bolo no ano passado, ao levar até as penalidades a decisão intercontinental contra o PSG, no Catar. O orgulho do rubro-negro, porém, rapidamente se sobrepôs à tristeza. O tetra da Liberta fez de 2025 um ano mágico. Eis o bem-vindo efeito colateral do domínio econômico e esportivo dos europeus: a maior valorização da Copa Libertadores. Ela se basta, e assim deveria ter sido desde 1960.
Os mais velhos hão de lembrar do fenômeno “rumo a Tóquio”. Nem bem soava o apito final para o campeão da América (o que foi raríssimo por aqui nas três primeiras décadas do torneio) e o objetivo já mudava. Era bandeira do Japão, máscara de gueixa e hashis para tudo que era lado. Um breve passeio pelo acervo de PLACAR mostra que a revista contribuiu ativamente para a percepção da época de que a Libertadores era uma mera porta de entrada – quase um mal necessário –, para o que realmente importava: a chance de desbancar um gigante europeu.

O Guia PLACAR da temporada de 1991, quando o Brasil amargava um jejum de oito anos na competição, nos dá o contexto da época. “Os clubes argentinos e uruguaios dão a devida importância à Libertadores. Ou seja, veem-na como ela é – o único lugar em que se visa o passaporte para Tóquio, onde um clube pode conquistar o maior de seus títulos. Não lamentam que ela seja deficitária, promovem o próprio prejuízo com prazer. Quando têm o mando da partida, dão toda a renda para seus jogadores. Suspeitas à parte, pode-se dizer que dopam o time com grandes boladas”, dizia o texto de 25 anos atrás. Os representantes brasileiros daquela edição, Corinthians e Flamengo, já planejavam virar o jogo.
“O mal dos nossos clubes tem sido o de não imitar os clubes argentinos e uruguaios, isto é, não privilegiar a competição que pode nos levar ao título mundial”, afirmou Nelsinho Baptista, técnico do Timão. “Se a competição nacional tem como função abrir o caminho para a internacional, não tem sentido se concentrar outra vez na primeira e desprezar a segunda”, complementou Vanderlei (então grafado como Wanderley) Luxemburgo, o comandante rubro-negro. Ambos, porém, foram eliminados pelo Boca Juniors, os paulistas nas oitavas e cariocas nas quartas. Ainda naquela edição, PLACAR destacava que, ao longo de 31 edições anteriores, a Libertadores alimentou uma imagem “de um torneio mau-caráter, em que imperam a catimba, a violência e a pressão direta de dirigentes e torcidas enfurecidas, tudo temperado pelo fato de só haver exame antidoping a partir das semifinais.” Era tudo verdade, mas o profissionalismo já começava a se impor.
Nos dois anos seguintes, o São Paulo consagrou a virada de chave na forma como os brasileiros encarariam o torneio. Na edição especial do título de 1992, PLACAR destacou que “a arte ganhou mais força” e que “Telê Santana mostrou que o futebol espetáculo também pode ser competitivo”. O técnico, que custou a ser convencido de que não deveria priorizar o Estadual em detrimento da Libertadores, rebateu bem a seu estilo: “A diferença é que este ano o torneio teve exame antidoping”. As vitórias tricolores contra Barcelona e Milan em Tóquio elevaram a autoestima do futebol brasileiro, que esperava por mais de duas décadas por um título mundial da seleção. Complexo de vira-latas à parte, a briga com os europeus já foi realmente boa. Até o título do Corinthians em 2012, o Brasil levava vantagem no retrospecto em finais de Interclubes e Mundiais da Fifa contra europeus: 9 a 6. Desde então, foram quatro vices e mais algumas eliminações precoces.
A primeira vez que PLACAR produziu um guia exclusivo da Libertadores foi em 2005, antecipando o trimundial do São Paulo, em Yokohama. No ano seguinte, o Inter bateria o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. A conexão Brasil-Japão vivia seu auge. À medida que o título mundial foi virando um sonho cada vez mais remoto, a Libertadores evoluiu em nível de jogo, estrutura e premiação. Até mesmo a controversa final em jogo único adicionou emoção e contornos épicos às conquistas e já há quem diga que o título continental vale mais que um mundial. Guardada as proporções, o abismo financeiro entre a elite europeia e a sul-americana é tão impactante quanto a diferença entre brasileiros e os vizinhos, que comem poeira há sete temporadas. Nas próximas páginas, você descobrirá como o Brasil acelerou até empatar com a Argentina em número de títulos (25 para cada) e, ao avaliar cada um dos 32 concorrentes, por que é muito provável que o Estádio Centenário registre a remontada nacional. Esqueça Tóquio, Yokohama, Doha… começa agora a Operação Montevidéu.

Capa da edição 1534, o guia da Libertadores 2026 – PLACAR









