Próximo de ser anunciado como novo reforço do Santos, o volante Arthur Melo – ex-Juventus, Fiorentina, Liverpool e Barcelona – chega à Vila Belmiro sob influência direta de Neymar. Aos 30 anos, o jogador busca, mais uma vez, um recomeço na carreira que até aqui foi marcada por sequentes problemas físicos e uma trajetória aquém da projetada quando surgiu pelo Grêmio, em 2017.
Peça fundamental no título da Libertadores pela equipe gaúcha naquele ano, o meio-campista chegou a ser elogiado por Lionel Messi na chegada ao Barcelona, que o comparou a Xavi.
“Os reforços que chegaram são todos muito bons, mas se tiver que escolher um, fico com o Arthur. Ele me surpreendeu. Não o conhecia muito, sinceramente. E, guardadas as devidas proporções, é verdade que tem o estilo de jogo muito parecido com o de Xavi: gosta de ter a bola e sabe que não vai perdê-la. É muito confiável. Tem o estilo que buscamos aqui”, comentou o argentino em entrevista à Rádio Catalunya na época.
Arthur assinará com o Santos um contrato curto, de apenas quatro meses, provavelmente atrelado à permanência de Neymar para a próxima temporada – o camisa 10 também só tem vínculo até 31 de dezembro.
Amigo pessoal do meio-campista, Neymar agiu nos bastidores como intermediário para convencê-lo a atuar pelo clube paulista. O aporte de R$ 12 milhões da NR Sports, empresa do pai de Neymar e de sua mãe, Nadine Gonçalves, para o pagamento de um transferban, foi decisivo para que o Peixe fechasse o acordo.
Salário milionário, mas bom de grupo
Na segunda passagem pelo Grêmio, Arthur fez 36 jogos, marcou um gol e distribuiu duas assistências. Apesar do desejo do clube em renovar o empréstimo – o jogador ainda tinha contrato de mais um ano com a Juventus -, a questão salarial pesou na negociação.
O Grêmio ofereceu a manutenção do valor de R$ 1,5 milhão mensais, com vínculo até dezembro de 2028. O atleta pedia vencimentos de R$ 2,5 milhões mensais, além de três anos de contrato. A divergência foi decisiva.
A diretoria gremista alegava não ter como atingir as cifras pedidas, enquanto o jogador acreditava que precisava ser compensado, já que abriria mão de valores a receber na Juventus pelo encerramento antecipado do contrato.

Garro e Arthur durante Corinthians x Grêmio na Neo Química Arena – Lucas Uebel/Grêmio FBPA
PLACAR apurou que Arthur receberá no Santos o mesmo valor mensal que ganhava no Grêmio, R$ 1,5 milhão, com um adicional de bônus em caso de conquista de um título.
Apesar do amargo fim de ciclo no clube gaúcho, funcionários do Grêmio ouvidos pela reportagem o classificaram como “bom de trabalho”, “muito profissional”, “agregador” e “inteligente dentro e fora de campo”. No Imortal, foram frequentes as atitudes do atleta para integrar o elenco e melhorar o ambiente de trabalho.
Lesões, lesões e mais lesões
A sina de contusões começou ainda em 2017. Na final da Libertadores diante do Lanús, vencida por 2 a 1 pelo Grêmio em La Fortaleza, o jogador sofreu uma entorse de grau 3 no tornozelo esquerdo. Exames diagnosticaram ruptura ligamentar e a região precisou ser imobilizada, tirando o atleta do Mundial de Clubes após 88 dias afastado.
Titular na maior parte da primeira temporada pelo Barça — atuando em 44 jogos, sendo 32 desde o início —, Arthur voltou a conviver com lesões a partir de 2019.
Enfrentou um problema no púbis que o afastou por cerca de dois meses entre o fim de 2019 e o início de 2020. Depois, teve uma lesão no tornozelo direito que o tirou de partidas das Eliminatórias para a Copa do Mundo pela Seleção Brasileira. Foram 28 jogos e quatro gols no período.

Arthur durante partida contra o Rayo Vallecano – Getty Images
Negociado com a Juventus na temporada seguinte, em junho, Arthur teve pouco espaço no clube italiano. Sob o comando do ex-volante Andrea Pirlo, participou de 32 partidas na primeira temporada, sendo titular em 19 delas.
Em julho de 2021, no início da preparação para o novo ciclo na Velha Senhora, precisou passar por cirurgia devido a uma calcificação na membrana entre a tíbia e a fíbula — decorrente de uma lesão sofrida em dezembro do ano anterior. Retornou apenas três meses depois e ainda disputou 33 jogos, ganhando espaço com Massimiliano Allegri.
Emprestado ao Liverpool, esteve em campo por apenas 13 minutos com a camisa dos Reds — na derrota por 4 a 1 para o Napoli, pela fase de grupos da Champions League. Além disso, atuou em duas partidas da equipe sub-23 para recondicionamento físico. A passagem foi novamente encurtada por problemas médicos.
Em outubro, ao buscar espaço na equipe, sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda e passou por cirurgia. Chegou a ser relacionado pelo técnico Jürgen Klopp após quase cinco meses de recuperação, mas sem chances reais de brigar pela titularidade.
A passagem frustrou Arthur e o próprio Liverpool, que pagou 4,5 milhões de euros (R$ 23 milhões à época) pelo empréstimo e optou por não exercer a cláusula de compra fixada em 37,5 milhões de euros (R$ 195 milhões).
“As circunstâncias fizeram com que Arthur não pudesse jogar tanto quanto gostaria, mas seu profissionalismo e habilidade eram claros para todos que trabalharam com ele”, lamentou Klopp.
Na temporada seguinte, foi emprestado à Fiorentina, onde viveu sua melhor fase desde a saída do Grêmio. Atuou em 48 partidas (32 como titular), marcando dois gols e distribuindo três assistências, mas não permaneceu na equipe.
Fora dos planos do técnico ítalo-brasileiro Thiago Motta, o jogador renovou vínculo com a Juventus por mais uma temporada para ser emprestado ao Girona, onde jogou apenas 15 vezes.
No retorno ao Grêmio, perdeu 12 partidas por conta de problemas musculares, segundo o site Transfermarkt. A última lesão ocorreu em abril (grau 1 no reto femoral da coxa direita). Sua última atuação em campo foi em 30 de maio, na derrota por 3 a 1 para o Corinthians.









