Seedorf é o novo técnico do Corinthians e voltará a atuar no futebol brasileiro 13 anos após sua passagem no Botafogo. O holandês foi a grande contratação do alvinegro em julho de 2012, quando o meia não renovou com o Milan e acertou sua saída do time italiano após uma década. O jogador desembarcou no Brasil com a moral de ser um astro do futebol mundial e acumulou fatos curiosos e polêmicos durante sua passagem no Rio de Janeiro.
Pelo Botafogo, Seedor disputou 81 partidas, marcou 24 gols e distribuiu 13 assistências. Faturou o título do Campeonato Carioca, com a Taça Guanabara e a Taça Rio, além de uma vaga na Libertadores no Brasileirão daquele ano após colocar o alvinegro na 4ª colocação do campeonato. Após a passagem marcante, mantém hoje uma relação distante com a equipe.
Chegada de helicóptero
A apresentação de Seedorf foi em 7 de julho de 2012, em jogo contra o Bahia pelo Campeonato Brasileiro. O jogador chegou ao Nilton Santos, Engenhão na época, em um helicóptero e teve a entrada no gramado enefeitada por confetes e fumaça. O jogador vestiu o uniforme do Botafogo por cima da camisa social que usava e foi muito aplaudido pelas arquibancadas lotadas.

O jogador Seedorf durante voo sobre o estadio Engenhao onde sera apresentado oficialmente ao Botafogo antes da partida da equipe contra o Bahia em 07 de Julho, 2012 – Fernando Soutello/AGIF/Flickr Botafogo
Polêmicas no vestiário
Desde sua chegada, os relatos na imprensa e de jogadores e dirigentes do Botafogo sempre citaram o comportamento de liderança de Seedorf, mas que vinha acompanhado de atitudes questionáveis e que geraram incômodo interno. Uma das histórias lembradas pelo técnico botafoguense na época, Oswaldo de Oliveira, foi quando camisa 10 proibiu o ar condicionado dentro do vestiário para acostumar o time com o calor do lado de fora no campo.
Outros pedidos da época eram que os dirigentes não frequentassem os vestiários dos estádios porque deveria ser um ambiente apenas para os atletas. Também ditava a forma como os uniformes deveriam ser colocados pelos roupeiros, o que o elenco deveria comer antes de cada partida e exigia que outros líderes do elenco do Botafogo tivessem postura dura com os atletas. Um dos nomes que o holandês teve uma forte discussão foi com o goleiro Jefferson, quando o meia disse que ele deveria cobrar mais os zagueiros.
Broncas em treinos e orientações táticas eram frequentes entre Seedorf e outros jogadores do elenco. Entretanto, o holandês sempre foi visto como um jogador que tratava as questões sérias com respeito e era querido pelo vestiário botafoguense.
Mudança no hino
Um dos fatos curiosos da sua passagem foi a sugestão de que o Botafogo deveria mudar uma parte do seu hino. O trecho que cita “Não podes perder, perder para ninguém” deveria ser trocado por algo que mencionasse a vitória do clube, segundo Seedorf. O meia chegou a ter reuniões com a diretoria na época para falar da alteração, mas o pedido não foi atendido e os dirigentes solicitaram que ele não voltasse a falar do tema.

Seedorf e Jeffesor na época de Botafogo – Satiro Sodre/SSPress/Flickr Botafogo
Saída repetina e ‘esquecimento’
Sua saída do Botafogo em janeiro de 2014 aconteceu após dois fatos importantes. O primeiro foi a demissão de Oswaldo de Oliveira, técnico com quem Seedorf tinha boa relação e gostava do trabalho, além de terem conquistado um 4º lugar no Brasileirão de 2013.
O segundo foi que, pouco antes do seu retorno à pré-temporada no Rio de Janeiro, o jogador recebeu uma proposta de Silvio Berlusconi, presidente do Milan, pedindo para que ele fosse o treinador da equipe naquela temporada. Seedorf aceitou o pedido, ganhou uma coletiva de despedida do Botafogo. O jogador sempre citou que a demissão de Oswaldo de Oliveira pesou na sua decisão.
Entretanto, mais de dez anos depois, Seedorf foi questionado em duas entrevistas sobre como era sua relação com o Botafogo e ignorou as perguntas. Uma delas foi feita no lançamento de um projeto social administrado por ele no Rio de Janeiro. Quando questionado, deixou o repórter sem resposta.
Agora, reencontrará o seu ex-clube como técnico do Corinthians. As duas equipes se enfrentam em 18 de novembro, num confronto que pode ser decisivo para as equipes, que estão na parte de baixo da tabela, pela 35ª rodada do Campeonato Brasileiro.






