PLACAR comandou a mesa de conversa “Memória, acervo e futebol: a construção do futuro do Brasil”, nesta quinta-feira, 22, na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O bate-papo foi mediado por Piero Sbragia, jornalista, documentarista e gerente de produção e projetos incentivados da revista.
Ao lado de Bruna Callegari, montadora, roteirista e coordenadora de pós-produção, Camila Leal Ferreira, pesquisadora audiovisual, e Thiago Mattar, diretor e pesquisador, o diálogo comentou o papel do audiovisual na documentação da história. A mesa aconteceu com o pano de fundo da estreia do filme “O Jogo da Minha Vida”, produção de PLACAR.doc, núcleo de narrativas cinematográficas do veículo.
A obra, que conta com produção conjunta da Coala Filmes, conta a histórica conquista do São Paulo Futebol Clube em 1992: o Mundial de Clubes em Tóquio. Quem conta a história no filme é o ex-jogador Raí, com filmagens exclusivas e inéditas feitas em Paris em fevereiro de 2026. O curta-metragem é o segundo produzido pela revista PLACAR em 56 anos de história. O primeiro filme, “Parem as máquinas!”, já está disponível no YouTube e foi exibido no 16oCINEfoot – Festival de Cinema de Futebol.
Montadora e roteirista de “O Jogo da Minha Vida”, Bruna analisou a preservação de memória do ponto de vista historiográfico. “O cinema é um campo do saber que transcende a ciência, está no mundo das artes. Produzir um documentário pode ser produzir um monumento, pelo poder de decisão do que é arquivável.”
Camila, pesquisadora audiovisual da VideoFilmes com trabalho no filme “Ainda Estou Aqui” e na série “Sócrates Brasileiro”, levantou os dilemas da busca por informações. “Quando se adjetiva um fato histórico, isso vira interpretação. O fato histórico se transforma em fato cultural quando migra para dentro da cultura e isso só acontece por memória e pertencimento. O futebol é um campo gigante para estudo de memória cultural, mesmo que o Brasil tenha, em grande parte, seu passado nessa área contado por um grupo específico.”
Já Thiago, diretor de “O barato de Iacanga” e pesquisador de obras como “Baila, Vini” e “Marta”, contribuiu com detalhes do mundo atual. “Quando trabalhei com a série documental do Vini, tive que capturar arquivos de redes sociais, stories e postagens. Algo que iria entre a memória invisível e os crimes cometidos contra o jogador. Foi um trabalho longo, mas entendi que, sim, as redes são e serão material de memória.”
Piero, diretor das produções cinematográficas de PLACAR, ainda exaltou o papel da valorização da cultura nacional, prezando pela não-extinção do Ministério da Cultura, pasta ausente nos governos federais dos ex-presidentes Fernando Collor, Michel Temer e Jair Bolsonaro. “O jogo da minha vida” é apresentado via Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida popularmente como Lei Rouanet, com patrocínio da Tecnobank.









