Por Murilo Santos, vice-presidente da Associação Nosso Atlético, formada por torcedores do Athletico-PR

Os clubes de futebol são organismos vivos que, com o passar dos anos, vão acumulando vitórias, títulos e, principalmente, histórias. Muitos desses feitos, principalmente os anteriores à tecnologia, tendem a ser esquecidos e deixados de lado. O que é um grande equívoco. Afinal, a preservação da memória torna-se extremamente importante na identidade esportiva de uma instituição, ainda mais aquelas que possuem uma grande história.

Como torcedor e ex-funcionário do Athletico Paranaense, sempre me interessei pela bela história do Furacão. Inclusive, fazer parte do departamento médico do time durante a campanha do título brasileiro de 2001 é uma das grandes memórias que tenho em minha vida. Acredito que, assim como eu, muitos torcedores que têm suas histórias e registros próprios gostam de transmitir a paixão pelo rubro-negro.

Com o intuito de preservar a memória e aproximar os torcedores da história do clube, fui um dos idealizadores do Museu Virtual da História Atleticana, junto à Associação Nosso Atlético. A iniciativa surgiu diante de uma antiga demanda da torcida pela criação de um museu oficial. A partir da união entre torcedores e sócios, conseguimos reunir um grande acervo com fotos, documentos e até mesmo itens 3D.

Apesar dos desafios em relação a escassez de recursos e a ausência de políticas de incentivo à preservação histórica, contar com um acervo completo reforça a identidade de um clube ou uma instituição, transformando a paixão em patrimônio histórico, cultural e social, garantindo que a história seja preservada através das gerações. Mais do que celebrar as conquistas do clube, o trabalho de preservação da memória reforça o sentimento de pertencimento de toda comunidade atleticana, contribuindo com a valorização de uma história centenária como a do Athletico-PR.

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Com a transição para a era digital, também é essencial trabalhar com adaptações em relação à disponibilidade desses registros históricos. O museu virtual, por exemplo, foi idealizado justamente para democratizar o acesso à história do Athletico para torcedores de diferentes regiões e para que o espaço possa ser acessado a qualquer momento.

Após passar por uma curadoria, os torcedores também podem contribuir com o acervo enviando relíquias que ajudem a contar a história do clube. Fotografias, uniformes, documentos, jornais e outros registros, depois de terem a autenticidade comprovada, podem integrar o museu e ampliar as possibilidades de preservar e compartilhar a memória atleticana.

A memória institucional não se resume a reunir objetos e documentos antigos. Ela também ajuda a construir a imagem de uma instituição esportiva e a valorizar as personalidades que fizeram parte da trajetória. Por isso, iniciativas como o Museu Virtual da História Atleticana mostram que preservar o passado é também fortalecer a identidade do clube no presente e garantir que suas histórias continuem vivas no futuro.

Mais do que um espaço para recordar títulos e conquistas, o museu é uma forma de manter viva a conexão entre o Athletico e sua torcida. Afinal, a história de um clube não é construída apenas dentro de campo, mas também pelas pessoas que contribuem para a construção dela, guardam suas lembranças e compartilham sua paixão.

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