O impacto de um jogador de futebol pode ir muito além dos resultados dentro de campo. Com reconhecimento internacional, recursos financeiros e capacidade de mobilizar o público, atletas de diferentes gerações têm atuado em causas sociais, seja por meio de fundações e institutos, campanhas de conscientização ou ações beneficentes. Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Neymar estão entre os nomes que desenvolveram iniciativas nessa área, ao lado de brasileiros como Endrick, Luís Henrique e Gabriel Jesus.

Um dos exemplos é a Fundação Leo Messi, criada em 2007 e dedicada a iniciativas voltadas a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A organização atua em três frentes principais: saúde, educação e esporte, apoiando projetos que incluem o combate a doenças infantis, a ampliação do acesso à educação e o desenvolvimento de atividades esportivas como ferramenta de inclusão social. Entre as iniciativas apoiadas pela fundação está o SJD Pediatric Cancer Center Barcelona, centro especializado em oncologia pediátrica na Espanha.

“Transformar visibilidade em impacto social é uma tendência no marketing esportivo atual. Grandes marcas globais não buscam mais apenas exposição de logo, elas querem se associar a propósitos reais. Quando atletas do mais alto nível do esporte mundial usam sua influência e lideram projetos voltados à proteção de crianças e à saúde, eles humanizam suas marcas e geram conexão com o público que nenhuma campanha publicitária tradicional consegue. O esporte, nesse nível, vira uma plataforma poderosa de responsabilidade social”, afirma Rafael Soares, especialista em gestão e marketing esportivo.

No Brasil, Neymar transformou o vínculo com sua comunidade de origem em um projeto permanente. Idealizado pelo atacante e sua família, o Instituto Projeto Neymar Jr. foi inaugurado em dezembro de 2014, no Jardim Glória, na Praia Grande, litoral paulista. A instituição tem capacidade para atender 3 mil crianças e jovens, de 7 a 17 anos, além de seus familiares, por meio de atividades de educação, cultura, esporte e saúde. A iniciativa foi criada a partir da experiência do jogador e de sua família no bairro, com o objetivo de ampliar oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade social.

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“O impacto de um grande atleta de futebol ultrapassa os limites das quatro linhas e dos resultados esportivos. Quando ídolos globais transformam o seu amplo reconhecimento internacional e capacidade de mobilização em projetos permanentes, eles mudam o patamar de suas reputações. Ações sociais em áreas importantes, exemplo de saúde, educação e cuidado com os mais vulneráveis são gestos que geram ainda mais respeito por parte do público”, afirma Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo.

Neymar conversa com a imprensa durante leilão realizado pelo Instituto Neymar Jr (Divulgação)

Cristiano Ronaldo, por sua vez, também já utilizou itens ligados à própria carreira para arrecadar recursos destinados à caridade. Em 2017, uma réplica da Bola de Ouro conquistada pelo português em 2013 foi leiloada por 600 mil euros durante um evento beneficente em Londres. O valor foi destinado à Make-A-Wish, organização que realiza desejos de crianças com doenças graves. Em outra iniciativa, em 2020, o atacante se uniu ao empresário Jorge Mendes para doar equipamentos hospitalares a unidades de saúde em Portugal durante a pandemia de Covid-19.

“O engajamento social no esporte é algo extremamente positivo para todos os envolvidos no ecossistema: jogadores, técnicos, dirigentes, entre outros. Trata-se de ajudar aqueles que mais precisam e mostrar o lado humano desses profissionais que são cobrados diariamente por resultados. Ações desta natureza comprovam o compromisso dos atletas com avanços para o mundo e não somente com as conquistas dentro das quatro linhas, gerando empatia e admiração por parte do público”, afirma Pedro Weber, especialista em negócios no esporte.

No futebol brasileiro, as iniciativas também passam pelo engajamento em causas relacionadas à infância. Embaixador do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil, Endrick participou de uma ação em parceria com a MSP Estúdios que o reuniu à personagem Mônica, também embaixadora da organização, em uma ilustração exclusiva. A iniciativa busca ampliar a conscientização sobre os direitos de crianças e adolescentes e reforçar a importância de garantir condições adequadas para seu desenvolvimento.

A parceria conecta o alcance do futebol ao universo dos personagens criados por Mauricio de Sousa. Mônica é embaixadora do UNICEF desde 2007, e a relação entre a organização e a MSP Estúdios já abordou temas como educação, saúde, vacinação, inclusão e combate ao racismo.

“Não podemos só esperar por um futuro melhor. Temos que trabalhar por um futuro melhor. O futuro do nosso planeta e das nossas famílias depende de como cuidamos das crianças hoje, todos os dias. Por isso eu aceitei o chamado do UNICEF. Para ajudar na proteção das crianças. Para que elas possam ser crianças, e para serem adultos melhores”, afirmou Endrick.

Outra frente de atuação está no investimento direto em projetos que oferecem oportunidades por meio do esporte. É o caso do Projeto LH11, em Solânea, no interior da Paraíba, iniciativa criada há quase três décadas por Ronaldo T, pai do jogador Luís Henrique, atualmente na Inter de Milão. Com a ascensão do jogador no futebol profissional, o projeto recebeu novos investimentos e hoje atende cerca de 300 jovens, entre as categorias sub-7 e sub-17.

Além da formação esportiva, o espaço oferece bolsas para crianças e adolescentes cujas famílias não têm condições financeiras de arcar com os treinamentos. Cerca de dez atletas formados pela iniciativa já chegaram a clubes do futebol brasileiro. O projeto também promove ações de assistência à comunidade, como o evento anual “Natal sem Fome”, que distribui aproximadamente mil cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade.

“Esse projeto faz parte da minha vida desde criança. Eu cresci aqui, treinando nesse campo e vendo meu pai ajudar muita gente. Hoje, poder contribuir para que outras crianças tenham a mesma oportunidade é algo que me deixa muito feliz”, afirmou Luís Henrique.

O vínculo com as comunidades de origem também orienta as ações de Gabriel Jesus, atacante do Arsenal. Criado no Jardim Peri, na zona norte de São Paulo, o jogador promove iniciativas beneficentes no bairro há quase dez anos, especialmente em datas comemorativas. Entre elas estão a distribuição de ovos de Páscoa e as festas de Dia das Crianças, que incluem atividades recreativas e entrega de presentes.
Em uma das ações de Páscoa, o atacante viabilizou a distribuição de cerca de 5 mil ovos de chocolate, em uma mobilização organizada com amigos e voltada aos moradores da região. A iniciativa também contemplou pessoas com deficiência que necessitam de cuidados especiais, com entregas realizadas diretamente em suas casas.

“Acredito que temos o dever de fazer a diferença e impactar positivamente sempre que possível. É muito gratificante poder tornar a Páscoa dessas pessoas um pouco mais feliz. Tenho muito orgulho de onde eu vim e não poderia deixar de contribuir com a comunidade onde fui criado e passei toda a minha infância”, afirmou Gabriel Jesus.

As iniciativas mostram que a atuação social dos jogadores pode assumir diferentes formatos, desde o financiamento de projetos de longo prazo até campanhas que ampliam a visibilidade de causas e ações pontuais de apoio a comunidades. Embora tenham estruturas e alcances distintos, esses exemplos compartilham o uso do futebol como meio para mobilizar recursos, ampliar oportunidades e contribuir com questões que ultrapassam o esporte.

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