O Flamengo chega à semifinal da Copa Intercontinental, contra o Pyramids, do Egito, neste sábado, 13, no Estádio Al Rayyan, no Catar. A bola rola às 14h (de Brasília), para definir quem vai enfrentar o PSG na final da competição.
Apesar de favorito e mais badalado, o Rubro-Negro terá pela frente o atual campeão africano. Além disso, os egípcios chegam ao duelo embalados pela campanha no torneio, que já teve classificações sobre o Auckland City, da Nova Zelândia, e Al-Ahli, da Arábia Saudita.
Rival do Flamengo no Intercontinental tem ‘Zico’ como destaque
Fundado em 2008 e profundamente remodelado a partir de 2018, com mudanças de dono, nome e cidade, o Pyramids constrói a melhor fase de sua história. Contra o Flamengo, no entanto, o nível de enfrentamento sobe, apesar da equipe ter motivos para crer na surpresa de passar pelo atual campeão da América.
Pyramids construído pelo técnico
O Pyramids é reflexo direto de Krunoslav Jurcić, técnico croata no comando desde 2024. Formado em contextos de futebol mais físico, pragmático e disciplinado, Jurčić prefere reduzir o jogo a funções claras, riscos calculados e padrões ofensivos pragmáticos. Ainda assim, em todos duelos continentais recentes, não desmontou o modelo, aceitando sofrer para manter estratégia.
- 4-2-3-1 do Pyramids
- 4-2-3-1 do Pyramids, sem bola
Taticamente, o Pyramids parte de um 4-2-3-1 que, em alguns momentos, se converte em 4-4-2 zonal sem a bola, variando de acordo com a altura do bloco. A construção começa baixa, com zagueiros e laterais alinhados, enquanto um dos volantes se adianta para arrastar marcação e abrir linhas de passe.
O objetivo é deslocar o bloco adversário, causar atrasos no balanço defensivo e criar situações de um contra um pelos lados. Quando não acontece, o time disputa espaço e se organiza para vencer a segunda bola.
Dessa forma, a bola longa é o principal eixo do plano ofensivo dos egípcios. Assim, utiliza inversões constantes, lançamentos diagonais e busca deliberada pelas costas da última linha.

Ataque do Pyramids, com opção sempre de inversão longa
Construindo com mais pausa, os laterais são protagonistas. Mohamed Chibi, pela direita, lidera passes e se posiciona aberto ou por dentro, como elemento do setor final de ataque. Do lado esquerdo, Mohamed Hamdit tem boa leitura ofensiva e cruzamento forte, atuando mais na função de garantir amplitude.
Em contextos vantajosos, o Pyramids usa a pressão pós-perda. Ou seja, sempre que perde a bola no campo ofensivo, tenta recuperar imediatamente, tirando o espaço e acelerando em sequência, com passes verticais para os quatro jogadores mais agudos.
Como o Pyramids pode surpreender
O principal risco ao Flamengo está na combinação entre laterais livres, bola longa forte e força na segunda bola. Se Chibi recebe com tempo e espaço, o jogo do Pyramids flui. As inversões reduzem o tempo de reação defensiva, os cruzamentos surgem e os centroavantes forçam a última linha.
- Encaixes do Pyramids contra o Al-Ahli
- Ataque às costas deve ser arma do Pyramids
Outro ponto positiva é a bola parada, em todos espaços do campo. Em bolas paradas no próprio campo, bolas esticadas para o centroavante brigar com a defesa é estratégia de ataque – ou mesmo ganho de campos.
Além disso, especialmente contra o Al-Ahli, a marcação pressão no campo rival foi uma chave. Com encaixes individuais, não permitiu muitas saídas limpas do rival e, ainda por cima, criou chances recuperando a posse no setor ofensivo.
As brechas para o Flamengo
Apesar disso, o Flamengo tem pontos favoráveis. Uma delas é as chances cedidas pelo Pyramids quando o adversário consegue sustentar posse e empurrar o bloco para trás. A principal deficiência está no meio-campo, pela gestão do espaço entre os dois volantes ser, muitas vezes, deficiente.
Assim, o espaço horizontal entre a dupla costuma ficar grande, especialmente quando a bola gira de um lado ao outro. Esse espaço pode ser utilizado para passe entre as linhas, setor perfeito para progressão de Jorginho e criação de Arrascaeta e Carrascal.
- Salto do zagueiro permite espaço nas costas
- Espaço entrelinhas da defesa do Pyramids
A partir daí, o efeito pode ser uma cascata. Quando um volante salta atrasado, a linha seguinte perde orientação e a zaga passa a defender em inferioridade. Em seguida, o espaço entre os zagueiros cresce, abrindo caminho para atacantes, assim como foi em alguns momentos com o Al-Ahli.
Outro ponto é aproveitar o erro dos pontos fortes. Exemplo é: em tese, quando o Pyramids perder a bola em zonas altas e tentar recuperar imediatamente, a chave está em tirar a bola da zona de pressão e atacar em velocidade.
O Flamengo não é um time de contra-ataque puro, mas, nessas situações específicas, pode se aproveitar. Além disso, a imprensa egípcia alerta para o fator do Pyramids ter problemas na defesa de cruzamentos e bolas aéreas.















