Perto de ser anunciado como terceira contratação mais cara da história do Manchester City – em um negócio que pode chegar a 100 milhões de euros (cerca de R$ 600 milhões) -, o meio-campista marroquino Ayyoub Bouaddi já carrega um histórico promissor na carreira, apesar de ter apenas 18 anos.

Titular absoluto da seleção africana na última Copa do Mundo, o ex-jogador do Lille é chamado de “motor silencioso” por críticos do país devido à sua importância tática para os Leões do Atlas, chegando a ser comparado a nomes como Xavi, Iniesta e Busquets.

“O jovem jogador de Marrocos tem características que lembram Busquets, Xavi e Iniesta”, registrou a agência de notícias EFE durante o torneio disputado nos Estados Unidos, México e Canadá.

Nascido em Senlis, comuna na região dos Altos da França, Bouaddi cresceu jogando futebol em Creil, ao norte do país, até chegar ao Lille aos 14 anos.

Estreou como titular no profissional com apenas 16 anos e três dias, em uma partida pela Conference League, e ganhou destaque internacional em 2024, com uma atuação decisiva na vitória do Lille sobre o Real Madrid, então comandado por Carlo Ancelotti.

Bouaddi no duelo individual contra Vinicius Junior na estreia da Copa do mundo - Mohammed Badra/EFE

Bouaddi na elogiada atuação contra o Real Madrid, de Endrick, em outubro de 2024 – Mohammed Badra/EFE

Mesmo jovem, chegou à Copa já com mais de 100 jogos na carreira em três temporadas. “Eu entendo por que Bouaddi foi uma revelação para algumas pessoas, mas não para nós. Ele joga com muita maturidade e classe”, disse o treinador Mohamed Ouahbi durante uma entrevista coletiva.

A maturidade tática e a precocidade são atribuídas a uma capacidade intelectual acima da média. Apesar do rápido sucesso no futebol, Bouaddi concluiu o ensino médio bem antes do previsto, aos 16 anos – tendo inclusive vencido um concurso de oratória no Palácio do Eliseu, a residência oficial do presidente da França. Atualmente, ele cursa graduação em matemática.

“Ele não precisou de muitos treinos para entender como o time joga. O futebol de hoje exige atletas que reflitam e compreendam o jogo, e ele captou imediatamente o que eu quero”, explicou Ouahbi.

Bouaddi teve a missão de marcar Vinicius Junior na estreia marroquina na Copa - Sebastião Moreira/EFE

Volante teve a missão de marcar Vinicius Junior na estreia marroquina – Sebastião Moreira/EFE

Na estreia no Mundial, chamou a atenção a forma como o jovem atuou contra o Brasil, tido como o favorito do Grupo C. Foram 60 passes certos em 66 tentativas, um aproveitamento de 91% no quesito, segundo dados do Sofascore, dominando com a maturidade de um veterano os espaços em um meio-campo ocupado por Casemiro, Bruno Guimarães e outros nomes mais experientes.

“Eu sei qual é o meu papel. Estou aqui para trazer equilíbrio à equipe. Sei que não é minha função marcar três gols seguidos, embora adoraria fazer isso. Se um dia acontecer, ficarei muito feliz”, explicou o jogador.

Curiosamente, ele jamais balançou as redes na carreira profissional, seja pela seleção principal ou pelo Lille, e despertava uma disputa intensa no mercado entre equipes como City, Arsenal, Real Madrid e Chelsea.

A escolha pelas raízes, e por Marrocos

Considerado uma das maiores promessas da base francesa, a opção de Bouaddi por atuar pela seleção africana foi tema recorrente na última Copa. Pelos Bleus, ele somou mais de 20 partidas nas categorias sub-16, sub-17, sub-18 e sub-21, mas escolheu representar Marrocos após um longo processo de convencimento da federação local, país onde nasceu seu pai.

O caminho foi semelhante ao tomado por nomes como Hakimi e Brahim Díaz, que priorizaram as raízes familiares à oportunidade de atuar por uma seleção competitiva.

“Claro que conhecemos o Bouaddi. Ele é um produto puro do sistema de formação da França. Jogou em quase todas as categorias de base. Nasceu na região de Paris, cresceu lá e depois foi para o Lille”, relatou Guy Stéphan, auxiliar técnico da seleção francesa e braço direito de Didier Deschamps.

Ayyoub Bouaddi foi um dos destaques de Marrocos na Copa do Mundo - Sebastião Moreira/EFE

Ayyoub Bouaddi durante um dos treinos na Copa do Mundo – Sebastião Moreira/EFE

“Ele fez uma escolha e nós a respeitamos. Sei que estou me repetindo, mas ele é um jogador muito bom. Como muitos outros, optou por representar outro país. Não é a primeira vez e não será a última”, acrescentou Stéphan, tentando minimizar a polêmica, embora pontue que o jovem teria forte concorrência no elenco atual da França:

“Temos um grupo muito forte nessa posição. Quando você tem Tchouaméni, Rabiot, Koné, Kanté e Zaïre-Emery, fica difícil tirar alguém. É uma questão de qualidade e quantidade. Mas ele continua sendo um grande jogador”.

Curiosamente, a participação de Marrocos na competição chegou ao fim justamente contra os franceses, com uma derrota por 2 a 0 em Foxborough, no Gillette Stadium.

Siga a Placar no GoogleFique por dentro das últimas notícias e não perca nenhum lance.
Seguir no Google