O diretor executivo de futebol do Corinthians, Marcelo Paz, e diretor de marketing da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Cláudio Gomes, participaram do primeiro dia de palestras da COB Expo 26, evento realizado em São Paulo, que vai de 30 de setembro a 4 de outubro. Um dos temas do debate foi o calendário do futebol nacional e a presença dos Estaduais, que, segundo Gomes e Paz, não podem acabar.
Os dirigentes ressaltaram que a grande maioria dos Estaduais, que ocorrem entre janeiro e março, são fundamentais para o “ecossistema” do país, ainda que a maioria das partidas gerem prejuízos financeiros.
“O Estadual é fundamental para o ecossistema do futebol como um todo. É extremamente necessário, pois mantém viva a paixão dos torcedores no Brasil inteiro. Os estaduais, muitas vezes, são a única oportunidade para o torcedor ver o seu time campeão. Para ele, aquele momento vale muito. Os estaduais também representam uma grande gama de empregos no futebol”, afirma Paz, que foi presidente e CEO do Fortaleza antes de chegar ao Corinthians.
“Temos de pensar em quantos profissionais se empregam nos Estaduais, mesmo que sejam por um período curto, entre jogadores, médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos, muitos tem a primeira oportunidade de trabalho para depois chegar a clubes grandes. No Corinthians agora, conheço gente que passou por Água Santa, Foz do Iguaçu, União Barbarense, Desportivo Brasil… Todo mundo saiu de uma origem de um clube menor e foi galgando. É também um grande fomento à indústria de gerar empregos”, prossegue Paz.
Cláudio Gomes seguiu a mesma linha, deixando claro que a CBF não tem planos de alterar o calendário nacional. “Os Estaduais sofrem críticas absurdas, principalmente nas redes sociais, do torcedor e às vezes até de um dirigente. Mas o Estadual tem uma importância e uma relevância enormes. Me dói o coração quando alguém fala que tem que acabar. O Estadual pode até ser deficitário do ponto de vista financeiro, econômico, mas é fundamental para os scouts e para a formação. É como se fosse um laboratório de clubes e de atletas que recebem oportunidades em clubes melhores e acabam performando com o tempo e maturação.”
“Um atleta reprovado num clube maior pode ir para um menor e lá ele começar a ganhar mais rodagem mais experiência, amadurecer seu corpo e cabeça, ganhar fundamentos e depois chegar a um clube maior. Se você não tiver competições Estaduais, matamos o processo de formação do futebol brasileiro. Não é à toa que temos brasileiros todas as ligas do mundo. Temos que olhar para a curva do caminho e não olhar só para ponta da curva”, completa.
Cláudio Gomes ainda negou a possibilidade de adequar o calendário brasileiro ao europeu, começando no meio do ano. “Pessoalmente acho estranho, gosto da temporada anual como fazemos e acho que a gente peca por querer copiar demais o que é de fora. Somos exemplos de muita coisa […] E definimos o calendário com base no da Conmebol, que também é anual.”
Marcelo Paz concorda: “Esse debate é antigo, né? E eu nunca consegui enxergar que ganho teríamos em adequar ao calendário europeu. Só para dizer que ficou igual? Não consigo enxergar um ganho.”
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