O impasse entre Vinicius Júnior e Real Madrid mantém o Arsenal acompanhando de perto a situação do brasileiro. Enquanto o atacante não avança em uma uma renovação contratual, os ingleses monitoram o cenário e sonham com uma oportunidade de mercado. O vínculo de Vini com o clube espanhol termina no dia 30 de junho de 2037.
Mas, caso a transferência realmente saia do papel, a principal dúvida talvez nem esteja na adaptação à Premier League. A questão passa sobre se o brasileiro conseguiria reproduzir seu melhor futebol em uma equipe construída sobre princípios posicionais tão rígidos quanto a de Mikel Arteta?

Vini e seu destaque em jogo funcional
A dúvida é fruto do auge no Real Madrid aconteceu justamente em uma equipe que privilegiava a liberdade ofensiva e a relações. Sob comando de Carlo Ancelotti, Vini encontrava um time que, quando não em transição rápida, permitia a alternância entre a ponta-esquerda, o centro e os meio-espaços.

Ancelotti e Vinicius Júnior: parceria de sucesso por quatro temporadas em Madri – Kiko Huesca/EFE
Especialmente antes da chegada de Kylian Mbappé, o camisa 7 comumente se posicionava como segundo atacante. Em outros momento, voltava até o meio-campo para participar da construção, tirando referências dos adversários. O destaque madrilenho, então, costuma brilhar em jogo funcional, escola tática que se baseia na interpretação das funções e relacões entre os jogadores.
Em contrapartida, o brasileiro encontrou piores cenários com outros treinadores, que praticavam um ataque mais pautado na ocupação racional dos espaços. Recentemente, com Xabi Alonso, no início da temporada 2025/26, precisou cumprir funções de dar amplitude pela esquerda. Seus números com o espanhol foram de sete gols e 10 assistências em 33 partidas.
Vini funcionaria no posicional de Arteta?
A experiência pouco produtiva com Alosno é um alerta para a possível ida de Vinicius. A equipe de Arteta é uma das maiores referências mundiais em jogo posicional, modelo tático que privilegia a simetria tática posicional e ataque baseado em um sistema que trabalha para fazer a bola chegar até o objetivo daquele momento do jogo.

Mantendo a estrutura, Vini Jr. seria o ponta-esquerda
Vinicius poderia ser para o Arsenal um ponta-esquerda capaz de, após a circulação da posse, receber em situação de um contra um contra o adversário. Essa estratégia pode valorizar o drible do brasileiro, mas também o afastar do centro do jogo em diversas ocasiões. Caso atue no meio-espaço, com um lateral cumprindo papel de amplitude máxima, o melhor a ser extraído pode ser sua capacidade de se relacionar com companheiros centralizado e atacar intervalos das linhas defensivas opostas.
O problema é que o Arsenal, ao menos levando em conta o time dos últimos anos, oferece menos situações desse tipo do que o Real Madrid de Ancelotti fazia. A equipe de Arteta costuma atuar instalada no campo ofensivo durante grande parte dos jogos, contra adversários que defendem em bloco baixo. Assim, os pontas normalmente recebem a bola já próximos da área, diante de defesas organizadas e com pouco espaço para acelerar.
Os Gunners têm também o ótimo aproveitamento dos lances de bola parada como um ponto forte. Essa característica pode ser positiva para Vinicius apenas pela capacidade de receber faltas ou gerar escanteios. O brasileiro não tem o cruzamento de bola parada como um de seus pontos fortes, tal qual não é um exímio cabeceador.
Mikel Arteta adaptaria o time a Vini?
Talvez a questão mais interessante seja que uma eventual adaptação do modelo rígido de Mikel, visando encaixar e potencializar o hipotético reforço. Isso, no entanto, certamente obrigaria o espanhol a mexer em comportamento de outros jogadores do time inglês.

Vinicius Júnior atuando pela ponta-esquerda, num esquema com dois meio-campistas mais ofensivos
Segundo números divulgados pela Premier League, o lado direito do Arsenal costuma concentrar mais ações com bola, tendo em vista as capacidades que Bukayo Saka e Martin Ødegaard têm de desequilibrar. Para que a dupla tenha mais espaço, é muito comum observar o ponta-esquerda muito aberto, fixando um marcado, alargando a linha defensiva.
Vinicius, posicionado nessa função, teria menos influência direta na bola, caso Arteta não mudasse o centro do jogo do time. Outra variação pode ser a busca por acelerações logo após a recuperação da posse, com mecanismos que permitam Vini receber em velocidade e em situações de vantagens contra o defensor oposto.

Em um contexto com Vinicius Júnior de atacante, meio-campo deve o servir
Outro caminho que Vinicius pode traçar é o de atuar centralizado, em função que já foi ocupada por Viktor Gyokeres e Kai Havertz, sem nenhum deles conseguir assumir de forma unânime. Nessa posição, entretanto, a necessidade de espaço para ataque ou liberdade para se deslocar é necessária para que o camisa 7 não se torne apenas uma peça de manipulação de profundidade.








