O técnico da seleção de Portugal, Jorge Jesus, afirmou nesta sexta-feira, 6, que não se sente responsável pela decisão de Cristiano Ronaldo de se aposentar da equipe nacional.
Em entrevista coletiva concedida após anunciar a lista de convocados para os confrontos contra Dinamarca e País de Gales, o treinador revelou ter sido pego de surpresa pelo comunicado publicado pelo atacante nas redes sociais na última quinta, 5, confirmando que o nome do camisa 7 constava na relação original para as partidas finais de 2026.
“Talvez eu tenha apressado as coisas, mas por minha causa, não. Estava na cabeça dele, mais convocações, menos convocações… Nós falávamos às vezes, isso ia acontecer. Não me sinto culpado de nada com relação à saída dele. Respeito a decisão, e a história dele não pode ser ignorada. E isso eu nunca vou fazer, porque ele será sempre um símbolo. E criei nesse um ano e meio uma amizade forte com ele. Agora, ele tomou uma decisão, e eu respeito muito “, disse Jesus.
Questionado se alteraria a condução dos episódios recentes que geraram desgaste entre ambos, Jorge Jesus foi categórico: “Não mudava nada. Zero. Porque eu tomei uma decisão de treinador. Uma decisão pensando na minha equipe, na equipe portuguesa. Estou consciente de que não fiz nada para que isso pudesse ter acontecido”.
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O treinador também preferiu não especular os motivos que o levaram a tomar a decisão repentina. “Tem que perguntar a ele. A certeza absoluta que tenho é que o Cris trabalhou comigo um ano. Fomos felizes, fomos campeões. Eu respeito a decisão dele, estaria sempre comigo, ele iria trabalhar, ele que ia decidir. Não sei responder o porquê da decisão dele. O que eu sei é que sabia que o momento dele estava próximo, ele que ia escolher. Ele escolheu, então ele pode responder melhor do que eu”, explicou.
A decisão de Cristiano Ronaldo encerra um ciclo de 23 anos defendendo a camisa de Portugal, pelo qual disputou 234 partidas, marcou 146 gols e conquistou a Eurocopa de 2016 e duas edições da Liga das Nações (2019 e 2025).
O desligamento definitivo ocorreu semanas após atritos ocorridos na Data Fifa de setembro e outubro, quando o atacante externou insatisfação por ter ficado no banco de reservas contra a Noruega e, posteriormente, abandonou a concentração acusando a comissão técnica de quebra de acordos estabelecidos previamente.
Apesar da despedida da seleção, o veterano de 41 anos prosseguirá em atividade pelo Al-Nassr, da Arábia Saudita, onde busca atingir a marca de mil gols na carreira — somando atualmente 985 tentos oficiais. Por sua vez, Jorge Jesus segue no comando técnico da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) com contrato vigente até a Copa do Mundo de 2030.








