Autor do gol que deu a Espanha o título da última Copa do Mundo, o atacante Ferran Torres explicou pela primeira vez o uso de um polêmico boné estampado com a frase “Make Spain Great Again” (“Faça a Espanha Grande Novamente”, em tradução do inglês) durante as comemorações em um ônibus aberto nas ruas de Madri.
O acessório faz alusão direta ao conhecido slogan político “Make America Great Again” (“Faça a América Grande Novamente”), utilizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante as eleições de 2016, 2020 e 2024.

Donald Trump durante a última corrida presidencial em 2024 – Drew Angerer/Getty Images)
Trump, inclusive, chegou a patentear a frase em 2015, mas não foi o único a utilizá-la. O ex-presidente americano Ronald Reagan adotou o mesmo slogan durante a campanha eleitoral de 1980. A frase também foi repetida por Bill Clinton, em 1991, no anúncio de sua candidatura à presidência.
No plano de governo durante a última eleição, o lema aparecia logo na primeira, sendo amplamente divulgado em produtos relacionados à Trump, como bonés, camisetas, bandeiras, canecas, entre outros.
Um acidente?
A escolha do acessório pelo atacante espanhol durante as comemorações pelo título conquistado justamente em East Rutherforde, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, repercutiu rapidamente na imprensa internacional.
De acordo com o jogador, o objetivo do boné, que também tinha a mesma cor vermelha com letras brancas, a exemplo do que foi foi utilizado por Trump, era somente para destacar a satisfação de ver a Espanha no topo do futebol novamente após a vitória na final da competição, vencida contra a Argentina na prorrogação.
“Foi um momento engraçado porque não tinha nada a ver com política . Honestamente, não entendo nada de política. Era só para poder ver a Espanha de volta ao topo, ganhando a Copa do Mundo”, disse Torres, em entrevista à CNN.
Trump, por sua vez, fez elogios públicos ao jogador e classificou o boné como “uma boa homenagem”: Ele é um grande atleta. Eestava usando essencialmente um boné de ‘Make America Great Again’, então foi uma boa homenagem. E acho que ele quis dizer isso de forma muito simpática, nós agradecemos”, afirmou o político.
Curiosamente, o atacante Borja Iglesias, companheiro de equipe de Ferran Torres na seleção espanhola, protagonizou outra polêmica política, mas esta antes mesmo de a bola rolar para a decisão.
Perguntado sobre a possibilidade de um encontro com Trump durante a cerimônia, o jogador do Celta de Vigo sugeriu que poderia “se esquecer” de cumprimentar o republicano e que esperava “não ser preso” por isso.
Ao receber a sua medalha de campeão do mundo, o jogador apertou rapidamente a mão de Trump, mas mal olhou para o presidente. Em maio, ele havia declarado ao programa espanhol La Revuelta que era contrário ao presidente justificando “gostar das pessoas que lutam pelo progresso e pela defesa dos valores fundamentais”.
Ferran Torres saiu do banco de reservas e marcou com 1 minuto do segundo tempo da prorrogação o único gol da grande final – resultado deu o bicampeonato mundial para a Fúria.









