Brasil e Noruega entram em campo no próximo domingo, 5, às 17h (de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Estados Unidos. O duelo, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, decide quem irá às quartas do torneio.
A seleção norueguesa chegou às oitavas após vencer a Costa do Marfim, na fase de 16 avos de final. O placar de 2 a 1 foi construído com Antonio Nusa, para abrir o marcador, e Erling Haaland, para desempatar o marcador já na reta final.

A atual geração norueguesa é a mais badalada da história do país. Com um ataque forte e repleto de grandes nomes, a equipe comandada pelo técnico Stale Solbakken ainda sofre defensivamente. Assim, para esmiuçar pontos fortes e fracos do próximo rival da seleção brasileira, PLACAR analisou a Noruega. Confira:
Campanha, artilharia e estatísticas
A Noruega chegou ao Mundial se classificando sem repescagem, com 100% de aproveitamento em seu grupo, o mesmo da Itália. Na Copa do Mundo, a campanha é de três vitórias e uma derrota. Os noruegueses venceram a estreia diante do Iraque, por 4 a 1. No segundo jogo, bateram Senegal, por 3 a 2.
A única derrota até aqui foi diante da França, por 4 a 1, na última rodada da fase de grupos, atuando com muitos reservas. Na fase de 16 avos de final, o 2 a 1 sobre a Costa do Marfim classificou o time nórdico para as oitavas.
Até aqui, a seleção norueguesa marcou 1o gols e sofreu oito.
- 3 vitórias
- 1 derrota
- 10 gols marcados (2,5 por jogo)
- 8 gols sofridos (2,0 por jogo)
- 11,0 chutes realizados por jogo
- 14,7 chutes do adversário por jogo
Estatísticas individuais na Copa do Mundo

Haaland tem quatro gols na corrida pela artilharia da Copa – Alexandre Battibugli/PLACAR
Gols Marcados
- Haaland – 5 gols
- Thelo Aasgaard, Antonio Nusa, Leo Ostigard e Marcus Pedersen – 1 gol
Assistências
- Martin Odegaard – 3 assistências
- Patrick Berg – 2 assistências
- Andreas Schjelderup e David Wolfe – 1 assistência
Chutes por jogo
- Erling Haaland – 4,7
- Martin Odegaard – 1,7
- Kristian Thorstvedt – 1,5
Velocidade máxima
- Erling Haaland – 35,7 km/h
- Oscar Bobb – 34,9 km/h
- Sondre Langas – 34,8 km/h
Números do goleiro titular – Orjan Nyland
- 3 jogos
- 4 gols sofridos
- 6 defesas feitas em 10 chutes sofridos
- Nenhum gol sofrido em 2 chutes de fora da área
- 4 gols sofridos em 8 chutes de denteo da área
- -0,65 gols evitados (o cálculo de gols evitados é feito subtraindo os gols sofridos por um goleiro do total de xGOT, Gols Esperados no Alvo, dos chutes que ele enfrentou)
A origem dos gols feitos
A Noruega, na Copa do Mundo de 2026, chega às oitavas de final com alguns padrões positivos e outros negativos. Em produção de gols marcados, é possível enxergar uma equipe de alta capacidade de criação, com grande destaque para a capacidade de Erling Haaland converter oportunidades.
A grande qualidade na criação de jogadas tem sido, até então, a capacidade de diversificar a origem. Entre os 10 tentos, quatro tiveram passe final saindo da esquerda ofensiva, enquanto os outros seis se dividem, com dois ocorrências para cada, de fruto de passe final saindo do centro, passe final saindo da direita ofensiva e recuperação de bola imediata do finalizador.

Erling Haaland marcou o gol da classificação norueguesa às oitavas da Copa – EFE/ Kenneth Fernandez
Ainda assim, é possível enxergar um padrão na forma em que essa bola que culmina em gol entra na área. Em quatro partidas, entre as 10 bolas na rede norueguesas, cinco saíram de cruzamentos, todos esses convertidos do centro da área. Curiosamente, apenas um desses cruzamentos foi fruto de uma bola parada (um escanteio cobrado pelo lado direito ofensivo, por um canhoto).
O tipo de ataque, contudo, varia mais. A Noruega marcou três gols em ataques posicionais, mas também anotou três vezes em ataques rápidos. Dois gols saíram em bolas roubadas no campo ofensivo em momento de pressão pós-perda, um saiu em roubada de bola em pressão na área do rival e um saiu em bola parada.
A Noruega marcou quatro gols entre o minuto 23 e o fim do 1º tempo. Três saíram entre o minuto 68 e o fim de jogo. Dois saíram entre o minuto 45 e o minuto 67. Apenas um saiu entre o apito inicial e o minuto 22.
A origem dos gols sofridos
Se ofensivamente a Noruega apresenta variedade para criar, defensivamente há alguns padrões bem definidos na forma como sofre gols.
A principal vulnerabilidade está no corredor central. Dos oito gols sofridos na Copa do Mundo, cinco tiveram o passe final saindo da faixa central do campo. Outros dois nasceram de jogadas construídas pela esquerda ofensiva do adversário (direita defensiva da Noruega), enquanto apenas um teve origem na direita ofensiva rival (esquerda defensiva norueguesa).

Noruega e Senegal duelaram no Metlife Stadium, em Nova Jersey, pela segunda rodada da Copa do Mundo – Alexandre Battibugli/PLACAR
Ao contrário do que acontece em seu ataque, o cruzamento não tem sido uma fragilidade recorrente, o que é coerente com a média de altura de 1,87m de seu elenco (a maior da Copa junto da Bósnia e Herzegovina). Assim, apenas dois dos oito gols sofridos saíram dessa forma, ambos em cruzamentos altos convertidos no centro da área. A seleção ainda não sofreu gols originados em bolas paradas.
O principal problema aparece na forma como os adversários conseguem construir as jogadas. Cinco gols foram sofridos em ataques posicionais, evidenciando dificuldades para defender quando o rival consegue instalar posse no campo ofensivo. Outros três nasceram em ataques rápidos.
Três dos oito gols sofridos aconteceram entre o minuto 68 e o apito final. Outros dois foram sofridos entre o minuto 23 e o intervalo, dois entre o início da partida e o minuto 22 e apenas um entre o minuto 45 e o minuto 67.
O que chamou a atenção contra a Costa do Marfim?
- Momento de pressão da Noruega na saída de bola da Costa do Marfim – Reprodução
- Mesmo com jogadores superados, Noruega faz bom centro de pressão na Costa do Marfim – Reprodução
- Quando em bloco médio ou bloco baixo, a Noruega marca alternando em 4-5-1 e 4-1-4-1 – Reprodução
- Ataque vertical da Noruega. Portador da bola conduz verticalmente, e sempre mais de um jogador ataca profundidade – Reprodução
- Gol de Antonio Nusa sai de ataque posicional. Destacados, jogadores da Noruega atraem atenção do miolo central marfinense. Nusa, livre, marcou arriscando chute – Reprodução
O que o Brasil pode aproveitar? E onde pode sofrer?
Tendo em vista as fortalezas e fragilidades da Noruega, casadas com características do Brasil treinado por Carlo Ancelotti, é possível encontrar possibilidades do enredo do próximo domingo, 5.
Favoravelmente à seleção brasileira, destaque para a dificuldade norueguesa de defender o corredor central em ataque posicional. Assim, caso o Brasil consiga balançar o bloco, é possível que peças individuais como Vinicius Júnior, Matheus Cunha e Bruno Guimarães possam se combinar com sucesso.
Defensivamente, o Brasil pode ter sucesso se conseguir o duro trabalho de frear Erling Haaland, autor de 50% dos gols noruegueses no Mundial. Todavia, o atacante pode atrair a atenção de marcadores, abrindo espaço para o habilidoso e criativo Martin Odegaard, além dos outros atacantes Antonio Nusa e Alexander Sorloth.
Assim, também é possível enxergar potenciais fragilidades brasileiras. Com quatro peças com possibilidade forte de ataque, a Noruega pode incomodar o Brasil se defendendo, tendo em vista a dificuldade de Casemiro, pendurado por cartão amarelo, em conter ataques mais velozes e dinâmicos. O volante também pode sofrer com a boa e ajustada pressão norueguesa, seja alta, causando perda de posse perto da própria meta, ou média/baixa, que pode ser o gatilho perfeito para os ataques verticais de Haaland e companhia.
A seleção brasileira ainda pode ter dificuldade para criar ofensivamente, caso não consiga furar o bloco. Até o momento, a Noruega não sofreu gols de bolas paradas, tal qual tem boa eficiência na defesa de cruzamentos, tendo sido vazado apenas duas vezes em bolas alçadas ou lançadas na própria área.
















