Titular da seleção brasileira no primeiro amistoso preparatório para a Copa do Mundo, o atacante Luiz Henrique planeja bem mais do que a condição de 12º jogador da equipe de Carlo Ancelotti.
“Com toda a humildade, mas trabalho para estar entre os 11 titulares. Quero ser titular. Mas, se neste primeiro momento eu começar no banco, vou entrar no segundo tempo com a mesma alegria, pronto para mostrar o futebol que venho apresentando no clube e ajudar a equipe a sair de campo vitoriosa. O importante é se doar ao máximo pelo grupo”, disse o jogador.
Em entrevista exclusiva à PLACAR, uma das atrações do Guia da Copa acredita estar pronto para iniciar o torneio como titular, explica que pode jogar em mais de uma função no ataque além da ponta direita – como falso 9 e na ponta esquerda – e também diz, sem receio, que a equipe de Carlo Ancelotti está entre as favoritas ao título.
” O Brasil sempre será favorito pelo tamanho da sua história e títulos. Sendo assim, entraremos em campo com esse favoritismo aliado à nossa garra e amor pela seleção para buscar as vitórias. Temos que lutar e guerrear sempre para corresponder a essa expectativa”, explicou.
O Brasil encara o Marrocos neste sábado, 6, em Cleveland. A estreia ocorrerá no próximo dia 13, diante do Marrocos, em Nova Jersey.
Confira a entrevista completa
Temeu ficar fora da lista dos 26 convocados pelo fato de jogar na Rússia, sem competições europeias? Em momento algum duvidei que poderia ser chamado para a Copa, porque sei da minha capacidade e do que faço no dia a dia dos treinamentos e jogos. Eu vinha performando muito bem, entregando 100% em campo e somando bons números. Para mim, é uma honra ser comandado pelo Carlo Ancelotti. Ele é um treinador que tem muita história, já ganhou muitos títulos na carreira e me conhece bastante, pois frequentemente vinha me convocando. Sabe do meu potencial, do jogador que sou e do que posso entregar. Vou lutar ao máximo para trazer alegria aos torcedores brasileiros. Eles sempre nos incentivam e esse apoio nos estádios será fundamental diante de outras grandes seleções.
Para quem não te acompanhou tanto do Botafogo para cá, o que você mais amadureceu e o que chamou a atenção do Ancelotti? Desde a minha saída do Botafogo para o Zenit, sinto que só venho crescendo. O Campeonato Russo é muito difícil e exige evolução constante. Com o apoio da minha esposa e do estafe que trabalha comigo, melhorei muito o meu posicionamento: passei a pisar mais na área e a buscar a finalização. Meus bons números recentes são reflexo disso, de estar arriscando mais chutes a gol. Sou um cara que quer aprender e evoluir a cada dia, e o mais importante é demonstrar essa evolução dentro de campo.
E quando sentiu que assegurou a vaga na Copa? Foi na partida contra o Chile, em que a torcida pediu por você e, ao entrar, participou de dois gols? Teve outros momentos, mas aquele jogo no Maracanã foi muito marcante pela torcida gritando meu nome. Ali foi o divisor de águas para o Ancelotti conhecer o Luiz Henrique de verdade, porque o cenário era perfeito. Sempre tive boas atuações no Rio de Janeiro e aquela partida foi fundamental para mostrar meu potencial e me firmar no grupo.

Luiz Henrique na atuação decisiva diante do Chile, pelas Eliminatórias – Rafael Ribeiro/CBF
Como são as conversas com o Ancelotti? É um treinador muito diferente de todos com quem já trabalhou? No dia a dia, o Ancelotti não costuma conversar apenas com um jogador especificamente; ele reúne todos em uma roda no meio do campo, conversa, orienta e nos incentiva. É um técnico que nos deixa muito tranquilos para jogar e mostrar nossa habilidade, sem perder a alegria do futebol brasileiro, que é feita de amor e companheirismo. Ele bate muito nessa tecla para entrarmos leves e sorridentes em campo para desfrutar do jogo, cientes do peso da nossa camisa.
Sempre há um temor por lesões. Fica esse cuidado nessa reta final de preparação? Vocês se preservam nos treinos? Nos treinamentos a gente sempre toma cuidado para evitar acidentes, mas, quando o jogo começa, ninguém pensa em lesão. Se você entrar em campo com isso na cabeça, acaba se machucando. O segredo é trabalhar forte no dia a dia do clube e também fazer o complemento por fora com o fisioterapeuta para garantir o 100% da forma física.
Você contratou mais profissionais para lhe ajudar nesta reta final de preparação? Eu já mantenho essa estrutura desde a minha primeira temporada no Zenit. Sempre conto com o acompanhamento de um fisioterapeuta particular por fora do clube para treinar bem, jogar em alto nível e prevenir lesões. Esse cuidado extra tem sido essencial para que eu consiga me manter inteiro e bem fisicamente dentro de campo.
E quais são suas maiores lembranças e referências de Copa do Mundo? Eu era muito pequeno e não tenho tantas memórias recordadas pela televisão, porque na época de Copa eu gostava mesmo era de ficar jogando bola com meus amigos na rua ou no campinho. Mas me falaram muito sobre a conquista de 2002. Lembro de ver os vídeos daquele elenco de alto nível, da entrega de cada um em campo e do orgulho deles em vestir a amarelinha. Disputar o torneio agora é a realização de um sonho meu, da minha esposa e de toda a minha família.
Já estudou um pouco dos adversários do Brasil na fase de grupos: Marrocos, Haiti e Escócia? São adversários de alto nível e que têm suas qualidades. Qualquer seleção que joga contra o Brasil entra com uma garra redobrada e tenta ser protagonista pelo peso que a nossa camisa carrega. Não haverá jogo fácil, mas conhecemos o nosso tamanho e vamos nos doar ao máximo para vencer cada partida.

Sem Estêvão, Luiz Henrique é candidato a uma vaga de titular na próxima Copa – EFE/Antonio Lacerda
O Brasil ainda deve ser visto como favorito? O Brasil sempre será favorito pelo tamanho da sua história e títulos. Sendo assim, entraremos em campo com esse favoritismo aliado à nossa garra e amor pela seleção para buscar as vitórias. Temos que lutar e guerrear sempre para corresponder a essa expectativa.
Sem Estêvão, machucado, a vaga na ponta direita está em aberto. Como projeta a disputa? É muito triste ver jogadores de alto nível como o Estêvão, o Militão e o Rodrygo ficarem fora da Copa por lesão; são peças que nos ajudariam muito. Mas, independentemente de começar como titular ou entrar no segundo tempo, meu foco é ajudar o grupo. Quero demonstrar minha força de vontade, qualidade técnica e espírito de equipe sempre que o Ancelotti precisar de mim.
Em 2002, havia o Denilson exercendo a função de ’12º jogador’ vindo do banco. Você acredita que pode desempenhar esse papel com o Ancelotti? Com toda a humildade, mas trabalho para estar entre os 11 titulares. Quero ser titular. Mas, se neste primeiro momento eu começar no banco, vou entrar no segundo tempo com a mesma alegria, pronto para mostrar o futebol que venho apresentando no clube e ajudar a equipe a sair de campo vitoriosa. O importante é se doar ao máximo pelo grupo.
Em qual momento, além do jogo contra o Chile, você sentiu que carimbou o passaporte? Além do jogo contra o Chile no Maracanã, outro momento marcante foi contra a França. Apesar da nossa derrota, entrei bem no segundo tempo, consegui criar lances de perigo, dei a assistência para o gol do Bremer e quase marquei o gol que nos daria o empate. Foi uma atuação que me deu muita confiança.

Luiz Henrique foi caçado pela marcação croata no último jogo antes da convocação – Cristobal Herrera/EFE
Muito se fala sobre a necessidade de ter “o cara do hexa”. Você acredita nisso ou aposta em uma seleção muito mais coletiva? Temos grandes individualidades, mas creio que o nosso diferencial será a força do coletivo, a união do grupo e o orgulho de defender o Brasil. Serão cerca de 60 dias de convivência em que precisaremos estar unidos como uma família para realizar esse sonho. O que nos levará ao título será a nossa força de vontade, alegria e companheirismo no dia a dia.
E quais são as outras seleções favoritas ao título? A Copa reúne os melhores elencos do mundo. Seleções como França, Argentina, Espanha e Inglaterra contam com jogadores excelentes e chegam muito fortes. Mas estamos preparados para enfrentar qualquer adversário. Independentemente de quem estiver do outro lado, daremos o nosso máximo.
Você pode jogar em mais de uma posição além da ponta direita? Considera-se um jogador de características únicas? Minha preferência é atuar pelo lado direito, mas no Zenit já fui utilizado na ponta esquerda e também como centroavante, rendendo muito bem em ambas. Essa versatilidade me torna uma boa opção tática para o Ancelotti. Em momentos de dificuldade, posso ajudar a equipe a quebrar as linhas adversárias com força, velocidade, drible ou infiltração para criar um gol ou dar uma assistência.

Carlo Ancelotti durante coletiva na Granja Comary – Rafael Ribeiro/CBF
Você e o Gerson seguiram caminhos semelhantes ao irem para o Zenit, mas ele acabou retornando ao futebol brasileiro. Já conversaram sobre essas dinâmicas da carreira? Na época em que estávamos juntos na Rússia, conversávamos muito sobre dar o nosso melhor para alcançar o sonho da seleção. A carreira de jogador é dinâmica e imprevisível; ele optou por voltar ao Brasil e hoje faz uma excelente temporada no Cruzeiro, inclusive figurando na pré-lista do Ancelotti. Torço muito por ele, porque é um cara trabalhador e de muita qualidade. Cada um segue o seu caminho, mas o segredo para ambos é continuar trabalhando para evoluir e servir ao país.
Como sente a relação entre a torcida e os jogadores hoje? A resposta do público é maravilhosa. Os torcedores demonstram muito carinho, lotam os estádios e fazem festa na porta do hotel para nos apoiar na saída para os jogos. Tenho certeza absoluta de que na Copa do Mundo não será diferente. Esse incentivo das arquibancadas contagia os jogadores dentro de campo e nos motiva a dar o sangue pela nossa torcida e pelas nossas famílias.

Capa do Guia da Copa de 2022, edição 1536 de PLACAR – Reprodução/Placar









