A Uefa confirmou nesta quinta-feira, 30, que vai realizar um boicote à torneios da Fifa, como forma de protesto a proposta de criar uma empresa para administrar torneios e vender ações a investidores privados.
A entidade europeia destacou que as suas 55 associações-membro não irão disputar qualquer competição enquanto a proposta for considerada. O Brasil sediará a Copa do Mundo feminina de 2027.

“Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a proposta seja totalmente abandonada e haja garantias vinculativas”, diz o documento divulgado pela Uefa.
A proposta da Fifa, divulgada na última terça, envolve criar uma empresa privada, que opere a comercialização e organização de todas as competições da entidade. Gianni Infantino chegou a afirmar que a venda de ações aumentaria o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares, com arrecadação total de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões).
A Uefa se posicionou contra a proposta, dizendo que “a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento”. A Concacaf e a AFC, confederações da América do Norte e da Ásia, respectivamente, também apoiaram a entidade europeia. As três juntas representam 143 dos 211 membros da Fifa

Nota oficial da Uefa
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma “decisão democrática”, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.
No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo”








