A proximidade da Copa do Mundo de 2026 tem gerado um aumento expressivo na venda de camisas e figurinhas falsificadas na Argentina. O fenômeno provoca protestos de varejistas locais, já afetados pelas políticas econômicas do presidente Javier Milei.
Impacto no comércio local e poder de compra
Fabián Castillo, presidente da Câmara de Comércio de Buenos Aires, estima que mais de 70% das camisas da seleção argentina vendidas nas ruas da capital são produtos falsificados. Essa preferência por imitações de baixo custo é amplamente atribuída aos elevados preços das camisas oficiais e à diminuição do poder de compra dos argentinos, cujos salários não têm acompanhado a inflação.
Em entrevista à Reuters, reportada pela Folha de S. Paulo, Lucas Aranda, um comerciante de tecidos da província de Buenos Aires, exemplifica a disparidade: ele vende réplicas por 40.000 pesos argentinos (aproximadamente R$ 143), valor que representa cerca de um quarto do preço das peças originais, que podem custar acima de 150.000 pesos (R$ 537).
Desafios para a indústria têxtil Argentina
A proliferação de produtos piratas agrava os desafios enfrentados pela indústria têxtil local. Fábricas têm registrado fechamentos devido ao influxo de importações mais baratas, uma consequência direta das políticas de abertura de mercado implementadas pelo governo.
Além das camisas, o mercado de figurinhas, que gera grande entusiasmo entre colecionadores, também é afetado pela vasta oferta de versões piratas, muitas vezes comercializadas online.
Copa do Mundo 2026 e o cenário argentino
A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México entre 11 de junho e 19 de julho, promete reacender a paixão global pelo futebol. Contudo, na Argentina, a expectativa pelo torneio se mistura com a realidade econômica, onde a busca por alternativas acessíveis, como os produtos falsificados, reflete a luta diária dos consumidores e a pressão sobre o comércio formal.










