Quando Carlo Ancelotti confirmou os titulares da seleção brasileira após a lesão de Raphinha, Rayan se deu conta de que furou uma fila que parecia enorme, tendo em vista a presença de outros atletas da função no grupo. Nesta quarta-feira, 24, o jovem de 19 anos participou bem da vitória por 3 a 0 sobre a Escócia, em Miami, e agora surge como opção natural no 11 inicial para o início do mata-mata.

Mesmo com as lesões de Rodrygo e Estêvão antes da Copa, e de Raphinha durante, a concorrência ainda era grande. Endrick chegava cercado pela expectativa de assumir espaço na equipe principal, enquanto Luiz Henrique aparecia como a alternativa mais experimentada para atuar pelo lado direito. O treinador, porém, escolheu um terceiro caminho e entregou a vaga ao jogador mais jovem do elenco brasileiro, que fez apenas seu quarto jogo com a amarelinha.

Com isso, aos 19 anos, Rayan se tornou o primeiro brasileiro com menos de 20 anos a iniciar uma partida de Copa do Mundo desde Marco Antônio, em 1970. Dias antes, contra o Haiti, já havia entrado para a relação dos jogadores mais jovens a defender a seleção em Mundiais.

Rayan comemora com a torcida, no Maracanã - Reprodução/X/rayanv77

Rayan comemora com a torcida, no Maracanã – Reprodução/X/rayanv77

O que Ancelotti disse sobre Rayan

Rayan, utilizado por Ancelotti logo para substituir Raphinha, lesionado, ainda não marcou no Mundial. Ainda assim, deixou outra impressão para a comissão técnica, ao cumprir boa função no corredor direito, atacando o espaço às costas da defesa e, pressionando, foi importante no gol de Vinicius Júnior contra a Escócia.

“O Rayan fez um trabalho completo em nível defensivo e ofensivo. Estou muito satisfeito com a partida que ele jogou. Ele é jovem e tem maturidade. Trabalha muito e tem qualidade. Ninguém sabe o seu nível, onde ele pode chegar”, afirmou Ancelotti na entrevista após a partida.

Antes da bola rolar, o italiano falou com a SBT e explicou a escolha. “A escalação do Rayan é porque ele é um atacante completo. Foi centroavante no Vasco, jogou como ponta no Bournemouth, tem um chute forte, é bom de cabeça. Pode fazer uma boa partida.”

Desde que assumiu a seleção, Ancelotti tem buscado manter um jogador responsável por dar largura ao corredor direito enquanto Vini recebe liberdade para circular por dentro e Matheus Cunha recua para participar da construção. Foi justamente essa dinâmica que apareceu na vitória sobre o Haiti e, agora, contra a Escócia, fechando a fase de grupos.

Curiosamente, quando desembarcou nos Estados Unidos, Rayan era visto como uma aposta dentre os convocados. Peça para o próximo ciclo, o atacante, contudo, já “roubou” espaço nesta Copa, ainda que sem números ou atuações magistrais.