Quarenta anos depois, o Iraque está de volta à Copa do Mundo. Na madrugada da última quarta-feira, 1º, a seleção asiática venceu a Bolívia por 2 a 1 no estádio BBVA, em Monterrey, no México, pela decisão da repescagem intercontinental, e garantiu a última das 48 vagas do Mundial.

A equipe comandada pelo técnico australiano Graham Arnold entrou no Grupo I e terá pela frente seleções de peso: França, Senegal e Noruega. Curiosamente, a única participação do Iraque em Copas se deu justamente no México, na edição de 1986. Na ocasião, a equipe era dirigida por um lendário personagem brasileiro: Evaristo de Macedo.

O Guia PLACAR da Copa do Mundo de 1986 destacou que Evaristo assumiu o cargo 28 dias antes da estreia e ainda teve de lidar com a perda de uma de suas referências, o líbero Adnan Derjal, que se lesionou em um jogo treino em Toluca.

Iraque no Guia da Copa do Mundo de 1986 - PLACAR

Iraque no Guia da Copa do Mundo de 1986 – PLACAR

O entusiasmo era grande na equipe, que chegara à sua primeira Copa sob comando de outros brasileiros, o técnico Jorge Vieira e os auxiliares Edu e Antunes, irmãos de Zico, e o preparador físico Carlos Alberto Lancetta. “Juntos, os quatro rechearam o bolso de petrodólares”, escreveu PLACAR.

Com a demissão da comissão, o Iraque cogitou outros brasileiros (Rubens Minelli, Zagallo e Mário Travaglini), mas optou por Evaristo, que era técnico do Catar naquele momento.

O Guia destacou “o goleiro e capitão Hammoudi, o ídolo nacional Saied e o hábil goleador Rhady” como os nomes a ficar de olho na Copa. A edição citou ainda que o presidente Saddam Hussein presenteou os atletas campeões da Taça da Independência com uma casa e um automóvel.

O Iraque não fez feio na Copa do México, ainda que não tenha pontuado. Foram três derrotas magras por 1 a 0 para o Paraguai, 2 a 1 para a Bélgica e 1 a o para o México.

Aos 92 anos, Evaristo Macedo na PLACAR

Evaristo de Macedo é uma autêntica lenda do futebol nacional. Ídolo de Flamengo, Barcelona e Real Madrid nos tempos de jogador, e técnico multicampeão por diversos clubes, ele não perdeu o jeito irreverente.

Aos 92 anos, Evaristo concedeu entrevista exclusiva à PLACAR, na qual se disse orgulhoso por ter suas histórias lembradas por tantos ex-jogadores que dirigiu. “É bom, ser lembrado é sempre muito bom. A gente não pode impedir alguém de completar anos, de crescer, então acho fantástico não me esquecerem de jeito nenhum.”

Folheando a histórica Placar de 1985 que guarda em um pequeno 'museu' em casa - Alexandre Battibugli/Placar

Folheando a histórica Placar de 1985 que guarda em um pequeno ‘museu’ em casa – Alexandre Battibugli/Placar

A entrevista na íntegra está disponível na edição 1528 de PLACAR, de outubro de 2025, disponível em versão digital e física em nossa loja