A Champions League de 2026/27 já tem todos seus participantes da fase principal definidos. Entre os 36 times da fase de liga, destaque para o Sabah , do Azerbaijão, que eliminou o Hapoel Be’er Sheva, de Israel, e garantiu presença inédita nesse estágio.
A classificação coroou a trajetória de nove anos do clube e levou o Azerbaijão de volta ao principal torneio da Uefa. Da mesma forma, levantou curiosidade sobre como uma equipe de Masazir (cidade próxima a Baku), sem torcida histórica, sem tradição e sem sequer um acesso conquistado em campo conseguiu chegar à competição mais badalada do mundo.
A história do Sabah
O Sabah Futbol Klubu foi fundado no dia 8 de setembro de 2017, com uma história diferente da maioria dos clubes do Azerbaijão. A equipe, batizada por um termo que signifca “amanhã” em azari, não surgiu a partir de uma associação esportiva tradicional ou de uma empresa estatal (como era comum no século XX), mas sim pela vontade de seu fundador, o empresário Yaqub Huseynov.
O dono proprietário do Bridge Group, conglomerado com atuação nos setores de construção civil, foi o responsável por liderar e financiar o desenvolvimento. Segundo relatos da imprensa local, desde os primeiros dias, o Sabah se apresentou como uma iniciativa privada voltada para modernizar o futebol azeri por meio de investimento em infraestrutura, categorias de base e formação de atletas.

Maqsud Azigozalov, presidente do Sabah – Divulgação / Sabah
O presidente, Maqsud Adigozalov, comanda a equipe desde o início do projeto. Durante toda a trajetória, admitiu apenas recentemente que o projeto recebe recursos públicos (como todos do país), mas enfatiza que a busca nunca foi apenas por resultados. Somando isso à boa condição financeira, o Sabah tem um dos centros de treinamentos do país, uma realidade desde seus primeiros meses.
“Sempre dissemos que queríamos construir um clube, não um time. Nunca dissemos que jogaríamos a Champions League ou a Conference League. Quando nos preparamos para as competições europeias, pensamos apenas no próximo jogo”, disse o dirigente, em entrevista ao portal MATC, antes da última partida pelos playoffs.
Ascensão com asterisco?
Para entender mais profundamente a ascensão do Sabah é preciso voltar a maio de 2018, quando o clube terminou a segunda divisão azeri apenas na quinta colocação. Em circunstâncias normais, a campanha não representaria a promoção para a equipe de ambicioso projeto. No entanto, no ano seguinte disputou a elite.
À época tratada como “absurdo” pela imprensa do cáucaso, o acesso foi explicado pela AFFA (Associação das Federações de Futebol do Azerbaijão) porque clubes que haviam subido não cumpriam requisitos financeiros e de estrutura. O clube se defende dizendo que o acesso por essas razões cumpria o regulamento.

Yagub Huseynov, fundador e principal investidor do Sabah – Divulgação / Sabah
À época, em meio a pressão especialmente do portal Futbolinfo, o próprio Sabah também admitiu receber apoio financeiro da AFFA, informação que alimentou suspeitas imediatas na imprensa esportiva local. Apesar da prática ser comum no Estado do Azerbaijão, outros clubes questionaram o porquê de uma equipe recém-criada possuía condições que muitos clubes tradicionais não tinham.
Desde a independência do Azerbaijão, em 1991, os principais clubes têm uma origem ligada a grandes comunidades ou causas. Exemplos são o Neftci, ligado à indústria petrolífera, o Qarabag, símbolo nacional após a ocupação armênia de Agdam e o deslocamento forçado de sua população. O Sabah, por ter surgido sem nenhuma dessas raízes, sequer se destaca por bons públicos.
Além disso, o nome do ministro da Economia, Mikayil Jabbarov, aparecia frequentemente em conversas de bastidores e acusações da imprena, embora nunca tenha existido qualquer prova de participação direta na gestão do clube. Porém, é fato que diversos dirigentes ligados ao projeto passaram por instituições educacionais e órgãos públicos que, em algum momento, estiveram próximos ao alto escalão governamental.
O sucesso do Sabah em campo
Depois da entrada na elite, o clube ainda sofreu entre 2018 e 2024, com campanhas irregulares, troca de treinadores e papel de coadjuvante, enquanto o Qarabag manteve hegemonia. O primeiro grande troféu veio apenas com a Copa do Azerbaijão de 2024/25.
Em 2025/26, o time voltou a conquistar a competição em mata-mata, mas deu o salto também na liga. Em campanha liderada pelo treinador lituano Valdas Dambrauskas, o jovem time foi campeão do Campeonato de Azerbaijão, com 24 vitórias, seis empates e três derrotas em 33 jogos.

Joy-Lance Mickels, atacante do Sabah – Divulgação / Sabah FK
O Sabah entrou na primeira fase qualificatória para a fase de liga da Champions e precisou passar por quatro fases para conseguir a classificação. O time superou o galês The New Saints, o finlandês KuPS, o dinamarquês AGF e, por último, o israelense Hapoel Be’er Sheva.
Os principais destaques deste início de temporada são os atacantes Veljko Simic e Joy-Lance Mickels. O sérvio e o ruandês são responsáveis por 11 dos 20 gols da equipe em 2026/27 e fazem parte do plantel desde temporadas anteriores. O elenco ainda tem o brasileiro Erivaldo Almeida, zagueiro de 26 anos contratado nesta temporada junto ao Marítimo, de Portugal.
Estratégia de mercado do “novo azeri”
Em 2019, o Sabah firmou uma parceria estratégica com o Dinamo Zagreb, tradicional fábrica de talentos do Leste Europeu nas últimas décadas. O acordo fez com que técnicos croatas participassem do desenvolvimento metodológico das categorias de base e jovens realizassem períodos de treino na Croácia.
No mercado de transferências, o time ainda se mostra tímido, sem grandes investimentos. O maior investimento da história do Sabah é o jamaicano Kaheem Parris, que chegou após passagem pelo Dinamo de Kiev, por cerca de 600 mil euros, valor dentro da realidade do clube.
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Na temporada 2025/26, a do título da liga, o time investiu cerca de 950 mil euros em transferências, enquanto os concorrentes Neftçi e Qarabag gastaram mais. Sempre no “azul” ao comparar compras e vendas, o time ainda não formou nenhum talento com potencial geracional.
Até o momento, Aaron Malouda, filho do ex-jogador Florent Malouda, é a saída mais cara da história do clube. O jovem atacante, contratado por 25o mil euros em 2025 junto ao Lille, foi vendido para o Basel, por 2,7 milhões de euros.









