A fase de liga da Uefa Champions League 2026/27 começou nesta terça-feira, 8, com seis confrontos. Em meio à discussão sobre a publicidade de casas de aposta no Brasil, o cenário na Europa segue diferentes tipos de contextos, mas há uma certeza: apesar de restrições no uniforme, os principais clubes seguem dependentes de empresas do segmento.

Dos 36 clubes que iniciam a disputa, 22 possuem parcerias com bets, sendo que algumas delas estão nas principais equipes do mundo, casos de Arsenal, Real Madrid, Barcelona, Manchester City, Manchester United, Bayern de Munique, PSG, Inter de Milão, Borussia Dortmund, Roma, Aston Villa, Porto, Sporting, Stuttgart, Galatasaray e Fenerbahçe.

Além disso, as empresas de apostas esportivas ainda são o principal setor entre os patrocinadores máster desses 36 clubes, com 7 estampando a parte frontal da camisa. É seguido pelo setor financeiro, com 6 clubes, e companhias aéreas, com 5.

“Esses números mostram que tratam-se de mercados maduros e regulamentados em vários países, comprovando uma realidade de investimento nas principais ligas do mundo; algumas mais, outras menos, mas que demonstram a importância desta indústria global no futebol, com investimentos fundamentais para as receitas dos clubes, seja pela exposição nas camisas, seja pela parceria institucional”, diz Antonio Guerardi, CMO da Ana Gaming Brasil, holding que opera a 7K Bet.

“O mercado de bets se tornou maduro e seguro em vários países do mundo principalmente após a regulamentação, e vários desses país europeus são referência neste sentido. Os clubes seguem dependentes dessas parcerias, inclusive nos acordos comerciais, porque é uma indústria que não para de crescer e traz benefícios não apenas financeiramente, mas com ativações junto aos torcedores e no digital, o que hoje em dia faz muita diferença”, diz Hans Schleier, COO da Casa de Apostas.

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“A presença das casas de aposta nessas potências europeias mostra como esse mercado se tornou global e estratégico para o futebol. Junto com essa expansão, cresce também a responsabilidade de promover uma cultura de jogo consciente. O entretenimento precisa vir acompanhado de informação, limites e orientação”, afirma Daniel Fortune, criador de conteúdo com foco na conscientização sobre as bets.

“A própria Champions League, que é o maior campeonato de clubes do mundo, mostra como é importante para os clubes e para as marcas os patrocínios de bets. Para as marcas, esses contratos são essenciais para que possam se diferenciar do mercado ilegal, garantindo a efetividade da regulamentação, e para os clubes, obviamente, entram importantes valores que ajudam no financiamento de suas atividades”, acrescenta Bernardo Cavalcanti Freire, consultor jurídico da ANJL e sócio do Betlaw, escritório de advocacia especializado no setor de apostas.

“Mesmo sob rigorosa fiscalização e restrições nos uniformes em alguns países, a força financeira das bets mostra sua presença na Europa, sendo ainda o setor que mais patrocina clubes na principal propriedade de marketing. Não deixa de ser uma demonstração que é possível manter a publicidade, mesmo que por meio de parcerias estratégicas que vão além da exposição nas camisas, consolidando cada vez mais o mercado legal”, diz Ricardo Magri, especialista em desenvolvimento de negócios iGaming e diretor executivo da EBAC, com passagem pela Sportradar.

É verdade que muitos deles não estão nos uniformes principais, muito em razão de algumas novas regras que passaram a valer em determinados países, casos principais de Espanha e Itália, que vetam completamente a exibição de marcas de apostas em camisas (seja máster, manga ou treino).

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No caso dos times italianos, alguns deles encontraram alternativas para “driblar” essa lei. A Inter de Milão e a Roma, por exemplo, possuem parcerias com marcas do segmento, no caso, a Betsson, mas a exposição fica por conta da nomenclatura betsson.sport, que não é considerada uma casa de aposta.

Já na Espanha, os patrocínios com bets são direcionados aos canais digitais por meio de anúncios e ativações em plataformas como Instagram, Tik Tok e Youtube, casos principais de Barcelona e Real Madrid.

Na Inglaterra, a partir desta temporada, os clubes da Premier League foram proibidos de exibir patrocínios de casas de apostas na frente das camisas de jogo, podendo mantê-los em outras propriedades. Foi o que aconteceu com o Aston Villa, que direcionou a parceria para as mangas.

Além disso, as agremiações da Premier League também costumam fazer parcerias digitais e estão liberados para anunciar em propriedades de seus estádios (ao contrário de Espanha e Itália), que é o caso do Arsenal e Manchester City. Já o Manchester United inovou e fechou uma parceria milionária para expor a marca nas camisas de treino.

Na Alemanha, França e Portugal, os mercados são mais liberais e bastante parecidos com o Brasil, permitindo estampar marcas de apostas nos uniformes. Na França, assim como no Brasil, as empresas precisam estar licenciadas pela ANJ (National Gambling Authority).

Em Portugal, Sporting e Porto possuem parcerias com bets no espaço principal, o máster. Na França, o PSG possui um consolidado patrocínio com empresa de bet voltada para ativações em suas plataformas digitais, enquanto o Lens tem patrocínio na parte inferior das costas da camisa.

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Na Alemanha, o Bayern de Munique tem um acordo comercial com uma bet voltado para o mercado asiático, com foco nas redes sociais. Já o Borussia Dortmund tem uma relação com plataforma voltada para ativação em sua arena, o Signal Iduna Park.

Na Turquia, apesar de apenas a empresa estatal Iddaa (e suas subconcessionárias autorizadas) poderem operar legalmente esse mercado no país, os principais clubes também contam com patrocínios de bets, casos do Galatasaray e do Fenerbahçe, ambos nas mangas.

Como funciona a legislação de patrocínios de bets no futebol nas principais ligas do mundo:

Inglaterra: Proibição parcial. A partir da temporada 2026/27, os clubes da Premier League foram proibidos de exibir patrocínios de casas de apostas na frente das camisas de jogo. As marcas de bets ainda podem estampar mangas de camisas, uniformes de treino e painéis de LED nos estádios.

Espanha: Probição quase total. É completamente proibido exibir marcas de apostas em camisas (seja máster, manga ou treino), bem como dar nomes de operadoras a estádios ou competições (naming rights). Mas está liberada a parceria em plataformas e redes sociais.

Itália: Proibição quase total. A Itália foi pioneira nas restrições severas, proibindo exibir marcas de apostas em camisas (seja máster, manga ou treino), bem como dar nomes de operadoras a estádios ou competições (naming rights), mas está liberada a parceria em plataformas e redes sociais. Por outro lado, para contornar a regra, marcas criaram sites de “infotainment” ou notícias esportivas, como Betsson.sport, estampando essas verticais de mídia nos clubes em vez das plataformas de apostas em si.

Alemanha: Patrocínio liberado. É permitido estampar marcas de apostas nos uniformes de times de futebol.

França: Patrocínio liberado. É permitido estampar marcas de apostas nos uniformes de times de futebol, desde que a operadora seja rigidamente licenciada pela ANJ (National Gambling Authority).

Portugal: Patrocínio liberado. O patrocínio de empresas é permitido na frente das camisas e nos estádios.

Turquia: Patrocínio liberado. O patrocínio de empresas é permitido na frente das camisas e nos estádios, no entanto, precisam pertencer a empresa estatal Iddaa (e suas subconcessionárias autorizadas).

Brasil: Patrocínio liberado. O patrocínio de empresas é permitido na frente das camisas e nos estádios, desde que as empresas estejam regulamentadas pelo Governo.

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