A Premier League começa no dia 21 de agosto e já traz uma mudança significativa em relação aos últimos anos: patrocínio de bets. A partir desta temporada, as casas de apostas não poderão estampar seus nomes ou logotipos na parte frontal dos uniformes dos clubes do Campeonato Inglês.
Esta medida, porém, não é de agora. Anunciada em 2023, sua aplicação foi adiada por três temporadas e só acontecerá neste ano. Segundo o jornal britânico The Guardian, o prejuízo coletivo de receita das equipes com patrocínio pode chegar perto dos 80 milhões de libras (cerca de R$ 547 milhões).
“Fala-se numa perda de 80 milhões de libras, mas não significa que esse dinheiro necessariamente desaparecerá. Esse é o tamanho potencial do espaço que precisará ser recomposto. O resultado final dependerá da capacidade comercial de cada clube e da disposição de outras categorias de ocupar esse inventário”, explica Ivan Martinho, presidente da WSL na América Latina e especialista em marketing esportivo.
Segundo Martinho, os impactos serão diferentes para clubes pequenos, médios e grandes da Premier League. O especialista indica qual deve ser o cenário para as equipes diante desta mudança.
“O impacto tende a ser maior para os clubes médios e pequenos. Enquanto as grandes equipes da Premier League conseguem atrair patrocinadores globais de diferentes setores, as casas de apostas tradicionalmente pagam um prêmio pela exposição na camisa em alguns casos, cerca de 40% acima de outras categorias. Por isso, o desafio não é apenas substituir a marca, mas encontrar um patrocinador disposto a investir no mesmo patamar, o que pode resultar em contratos de menor valor para parte dos clubes”, afirma.
Afinal, as bets não poderão mais patrocinar os clubes da Premier League?

Bournemouth (à esq.) e Aston Villa (à dir.) tinham bets como patrocinadoras máster na última temporada – Reprodução/@afcbournemouth e Reprodução/@AVFCOfficial
A resposta é: NÃO. Até o momento, mangas do uniforme, placas de publicidade à beira do campo, materiais promocionais e publicações seguem liberadas. Martinho, porém, aponta como isso afeta as casas de apostas enquanto patrocinadoras.
“A presença na manga, nas placas de publicidade, nos uniformes de treino ou em ações digitais ainda garante exposição e associação com o clube, mas não reproduz a frequência, a centralidade e a força de imagem da marca estampada no peito do jogador. Isso tende a reduzir alcance, lembrança espontânea e percepção de protagonismo, obrigando as empresas a compensar essa perda com uma estratégia mais ampla de conteúdo, ativações, relacionamento com torcedores e ocupação de diferentes propriedades do clube”, analisa.
E como seria essa mudança no Brasil?

Troféu e medalha do Brasileirão Betano 2025 – Rafael Ribeiro/Divulgação/CBF
Nos últimos anos, as bets ganharam força e espaço nos patrocínios do futebol nacional. No Brasileirão de 2026, por exemplo, 12 dos 20 clubes têm bets como patrocinadoras máster. O campeonato, inclusive, tem seus naming rights pertencentes à uma casa de apostas, a Betano.
O atual cenário de patrocínios no futebol nacional levanta o seguinte debate: como seria essa nova regra das bets na Premier League caso fosse replicada no Brasil? De acordo com Martinho, esta mudança teria um impacto ainda mais profundo no país.
“[…] As bets não são apenas mais uma categoria de patrocinadores: elas se tornaram a principal fonte de valorização do patrocínio máster. Uma eventual restrição não eliminaria todo o investimento, mas provocaria uma forte redistribuição. Parte do dinheiro migraria para outros espaços, enquanto outra parte poderia simplesmente deixar o futebol, o desafio dos clubes brasileiros seria encontrar setores capazes de substituir não apenas as marcas, mas os valores pagos por elas”, explica Martinho.








