Técnico multicampeão por vários clubes, José Mourinho voltou ao comando do Real Madrid nesta temporada. Conhecido pela personalidade forte, o treinador chegou mostrando o seu jeito único de trabalhar com os jogadores.

Durante a pausa para a Super Data Fifa, Mourinho participou do programa Bet it drive show e falou sobre a sua relação com os atletas do clube e a forma como se comunica com eles.

“Muitas vezes digo a eles: ‘Esta é a minha ideia para este jogo, esta é a minha estratégia, é assim que analiso a partida com meus auxiliares, é assim que queremos jogar’. Mas, mais importante do que a maneira como eu quero jogar, é o que eles sentem. ‘Você sente que pode fazer isso por mim? Sente que consegue cumprir as tarefas que estou atribuindo a você? Se não, dê sua opinião’. Então, sempre existe aquilo que eu costumava chamar de descoberta e orientação. Descobrimos juntos. Tentamos chegar à situação ideal em que o treinador esteja feliz e confortável, mas o jogador também se sinta confortável. Não acho que funcione se um jogador fizer algo em que não acredita”, disse o português.

Ainda falando sobre a sua relação com os atletas, Mourinho afirmou que enxerga os jogadores e os trata como “homens”, trabalhando o lado humano. Além disso, o técnico revelou um de seus principais lemas.

“Não me traia. Quando digo ‘não me traia’, estou falando, é claro, de futebol. Não me traia e eu sempre estarei ao seu lado. Aconteça o que acontecer. Você é jogador de futebol 24 horas por dia. Então, tudo repercute no seu trabalho: o que você come quando não está no clube, o que bebe, como dorme e até aspectos da sua vida privada. Você tem um grupo de amigos, é jovem, solteiro, tem 22 ou 23 anos; seus amigos saem para a balada nas noites de quarta, quinta e sexta-feira, mas você não pode ir”, completou o treinador.

Chamado de Florentino Pérez

Antes de voltar ao Real, clube que comandou entre 2010 e 2013, Mourinho treinou o Benfica em um momento de sua carreira longe do auge. O treinador contou como foi o retorno ao clube:

“Voltei porque o clube queria que eu voltasse, mas também influenciou a forma como falaram comigo. Deixei o Real Madrid em 2013, acho, e, desde então, sempre mantivemos uma relação próxima. Saí em excelentes termos com o clube, com o presidente e com a diretoria. Por isso, sempre mantivemos contato. No fim da temporada passada, o clube entrou em contato comigo. Eles me disseram: ‘Nós conhecemos você, você nos conhece; conhece o clube, a cultura e as pessoas. Sabemos como você trabalha. Queremos que você reconstrua o time. Precisamos de você. Precisamos que você reconstrua a equipe e comece novamente uma década extraordinária como a que o clube viveu. Precisamos de você, precisamos de uma pessoa com o seu perfil'”.

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