O São Paulo bateu o São Bernardo por 1 a 0 na última quinta-feira, 15, em primeira vitória no Paulistão 2026 e na temporada. Apesar do resultado positivo, o Tricolor segue em clima de tensão devido às polêmicas de bastidores. Na coletiva pós-jogo, o técnico Hernán Crespo comentou a crise política e também respondeu ao empresário de Lucas Moura, que havia criticado a liderança do clube.
“Empresário tem que falar com empresário. O jogador, que é protagonista, fala com protagonista. Então, se um empresário quer falar comigo, eu tenho o meu empresário. Se algum jogador, Lucas Moura ou outro, quer falar comigo, então eu falo com ele. O que diz a bandeira do Brasil? Ordem e progresso. Empresário é empresário, protagonista é protagonista”, disse Crespo, após o jogo.
A mensagem foi um recado direto para Júnior Pedroso, empresário de Lucas Moura, Ferreirinha e Pablo Maia. Em publicação no meio de semana, o empresário disse que há um “líder limitado e que não consegue nem ter a confiança do seu grupo”.
“Líder tem que saber liderar sua equipe, assumindo seus erros sem expor seu time. Errou, apenas assume” E tenta aprender com seus erros”, escreveu Júnior Pedroso, sem citar nomes.
No primeiro jogo da temporada, o São Paulo acabou derrotado para o Mirassol. Na ocasião, Lucas Moura e Ferreirinha entraram somente no segundo tempo, enquanto Pablo Maia nem saiu do banco. Já contra o São Bernardo, os três jogadores foram titulares.

Crespo orienta o time na primeira vitória tricolor no Paulistão – Rubens Chiri e Paulo Pinto/ Sao Paulo
Entenda a crise política no São Paulo
Além das questões relacionadas ao comando técnico, o São Paulo vive um momento delicado fora de campo. A Polícia Civil apura possíveis irregularidades financeiras ocorridas durante a gestão de Julio Casares. De acordo com o delegado Tiago Correia, as autoridades receberam uma denúncia apontando a existência de desvios recorrentes e organizados dentro da estrutura do clube. Um levantamento das contas do Tricolor identificou 35 retiradas em dinheiro vivo entre 2021 e 2025, que somam aproximadamente R$ 11 milhões.
Os dois primeiros saques, que totalizaram R$ 600 mil, teriam sido realizados por um ex-funcionário do clube. A partir desse episódio, o São Paulo passou a utilizar os serviços de uma empresa especializada em transporte de valores para efetuar as retiradas em espécie. A investigação busca esclarecer a finalidade dessas operações e quem foi o destino final dos valores retirados.
Outro ponto sob análise envolve uma conta bancária conjunta mantida por Julio Casares e sua ex-esposa, Mara Casares. Conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o presidente teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro, entre janeiro de 2023 e maio de 2025. A defesa de Casares sustenta que esses valores não possuem relação com os saques do clube e afirma que o montante tem origem comprovada em atividades privadas do dirigente.
Mara Casares, por sua vez, deixou o cargo de diretora de eventos do São Paulo após o vazamento de um áudio que mencionava um suposto esquema de venda irregular de camarotes no Morumbi. Na gravação, o ex-diretor Douglas Schwartzmann afirma que só teria participado da negociação porque recebeu garantias de confiança dadas por Mara em relação à pessoa envolvida.
O inquérito também cita Nelson Marques Ferreira, conhecido como Nelsinho, que atuou como diretor-adjunto entre 2021 e novembro de 2025. Segundo o delegado responsável pelo caso, ele teria constituído 15 franquias e 15 empresas em shoppings centers, fato que despertou atenção e levantou questionamentos durante a apuração policial.
Diante da sucessão de denúncias e suspeitas de irregularidades financeiras, o Conselho Deliberativo do São Paulo convocou uma votação para decidir sobre o impeachment de Julio Casares.







