O presidente da Fifa, Gianni Infantino convocou para esta quarta-feira, 5, uma reunião de emergência com a alta direção da entidade, em Rabat, no Marrocos, em meio as críticas que ameaçam sua permanência no cargo.
De acordo com o jornal britânico The Times, fontes garfantem que Infantino convocou sua equipe para a capital marroquina “numa tentativa desesperada de se manter no poder”. Ainda de acordo com a publicação, seus assessores mais leais têm pressionado muitas das 211 associações filiadas e também os chamados “Fifa Legends” a apoiá-lo publicamente.
“Lendas da Fifa” é como são chamados os ex-atletas de renome que recebem cachê para participar de grandes eventos da Fifa e comparecer aos jogos de Copa do Mundo, entre outras competições organizadas pela entidade.
Brasileiros como Ronaldo, Ronaldinho, Kaká e Cafu integram o grupo, bem como os italianos Alessandro Del Piero e Roberto Baggio e os franceses Christian Karembeu e Youri Djorkaeff. Até o momento, nenhum deles se manifestou sobre a crise envolvendo o presidente da Fifa, que, por sua vez, tem recorrido a fotos antigas com os boleiros para tentar provar sua força.

Postagem de Infantino ao lado dos Fifa Legends (Instagram/Reprodução)
“Os assessores adorariam que um ex-jogador famoso se manifestasse em apoio a Infantino, mas parece que ele é muito tóxico”, informou uma fonte ao Times.
Até mesmo o ex-treinador Arsène Wenger, aliado de longa data de Infantino, criticou o polêmico plano econômico traçado pelo dirigente para a Fifa. O ex-técnico do Arsenal, que é chefe de desenvolvimento global da Fifa desde 2019, disse que tomou conhecimento da proposta pela imprensa e defendeu que o projeto fosse retirado para “preservar a independência da instituição”.
“Não participei deste plano estratégico e tomei conhecimento do projeto inicialmente por meio de notícias na imprensa. A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária e indiscutível, pois acredito firmemente em uma Fifa independente, que sirva ao nosso esporte com compromisso, transparência e integridade”, afirmou Wenger.
Por que Infantino está nas cordas
Pesam contra Infantino a má repercussão da ideia de criar FFE (Fifa Forward Enterprise), uma empresa para vender ações da entidade a investidores; a acusação de chantagem do presidente da Federação da Jordânia; a campanha do ex-presidente Joseph Blatter para a sua saída, e a péssima repercussão do Caso Balogun na Copa do Mundo.
A proposta da FFE, divulgada na última semana, envolveria criar uma empresa privada, que operasse a comercialização e organização das principais competições da entidade. Infantino chegou a afirmar que a venda de ações aumentaria o repasse para cada federação filiada, de 8 milhões para 20 milhões de dólares, com arrecadação total de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões).
A ideia não foi bem recebida pela Uefa, que inclusive ameaçou um boicote das competições da Fifa. A Conmebol havia prometido estudar o assunto em conjunto com as suas federações.
O The Times também menciona uma possível saída de Infantino, como aconteceu com o seu antecessor Blatter. Para Infantino cair, existem duas possibilidades: a renúncia ou uma destituição de seu cargo a partir da votação das federações-membro.
O príncipe Ali bin al-Hussein, presidente da federação da Jordânia, chegou a dizer que a pressão sobre as associações membros para apoiarem a reeleição de Infantino “equivale a chantagem”. “Não o apoiamos antes e certamente não o apoiaremos agora”, publicou Prince Ali no X. “Mas toda a situação configura chantagem e nos recusamos a ceder a isso.”
Até o momento, apenas um pequeno número de países ofereceu seu apoio público a Infantino. Nem mesmo a Arábia Saudita, que foi eleita sede da Copa do Mundo de 2034 após forte aproximação com Infantino , declarou seu apoio até o momento.
Ainda de acordo com o Times, opositores de Infantino já planejam o período pós-eleitoral e a possibilidade de haver uma mudança na estrutura, alternando a presidência da Fifa entre os presidentes das confederações a cada quatro anos. Uns apoia a mudança, enquanto outros temem que ela concentraria muito poder nas mãos de um único diretor executivo.


Friends: Infantino concedeu Prêmio da Paz ao amigo Trump – WILL OLIVER/EFE




