Reportagem publicada na edição 1540, o especial de Dia das Crianças, de outubro de 2026

 Um museu é, na definição do Conselho Internacional de Museus, “uma instituição permanente, sem fins lucrativos, e ao serviço da sociedade, que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe o patrimônio material e imaterial”, para promover “diversidade e sustentabilidade”. Em outras palavras, é o lar das artes e da cultura. O Louvre, em Paris, na França, é o museu mais visitado do planeta – cerca de 9 milhões de pessoas por ano cruzam com a Monalisa, de Leonardo da Vinci por lá. No Brasil, o líder é o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), com 1,2 milhão de visitantes no último levantamento anual. A capital paulista recebe outro museu imperdível, este em reverência aos grandes artistas da bola e ao esporte que moldou a identidade nacional.

O Museu do Futebol foi erguido em 2008, anexo a outro local emblemático, o Estádio do Pacaembu, na Praça Charles Miller. PLACAR visitou o local numa terça-feira, dia de entradas gratuitas e centenas de crianças correndo de sala em sala. O espaço conta com inúmeras exposições, tanto fixas quanto temporárias, assim como jogos tradicionais, como o pebolim, e outros mais “modernos”.  A primeira ala, chamada de Grande Área, é uma espécie de Enciclopédia do Futebol. O espaço conta com 487 imagens de objetos, representando 131 clubes brasileiros, com escudos das equipes, mascotes e fotos históricas.

Ao lado do salão principal, outro espaço apresenta a exposição temporária “Amarelinha”. Em cartaz até o dia 1º de novembro deste ano, a mostra revisita a história do uniforme da seleção brasileira, reunindo 18 camisas de jogadores emblemáticos, como Sócrates, Rivellino, Ronaldo e Vini Jr. Subir a escada rolante é como abrir um livro de história. No primeiro andar, o visitante recebe as boas-vindas de Pelé, em um totem virtual. A edição número 1 de PLACAR, com o Rei na capa, se destaca entre a decoração. O passeio segue para a sala Anjos Barrocos, que apresenta 29 jogadores e jogadoras que brilharam pela seleção brasileira. Mais adiante, a história do futebol se entrelaça ao dos meios de comunicação, entre lendárias narrações de rádio e TV. Basta um toque nos botões das cabines para desbravar lances inesquecíveis e gols emblemáticos.

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Áreas interativas do Muaseu do Futebol (ALEXANDRE BATTIBUGLI/PLACAR)

Na transição para o segundo andar, as escadas teletransportam os visitantes para um, ou melhor, vários campos. Chamada de Sala Exaltação, o ambiente conta com diferentes cantos de torcida, com suas imagens projetadas numa tela.  A sala foi criada nos pilares que sustentam as arquibancadas do Pacaembu, revelando as décadas de história do estádio inaugurado em 1940.

Já no segundo andar, a sala Origens conta com mais de quatrocentas imagens de todos os cantos do Brasil, mostrando como era a sociedade entre o retorno de Charles Miller, o “pai do futebol brasileiro”, a São Paulo, em 1894, e a aceitação de atletas negros no futebol, em 1933. Fotos e recortes de jornais revelam que mulheres praticam o esporte no país desde a década de 1920. Alguns metros à frente, a sala Raízes do Brasil apresenta diversas fotos e um filme do cineasta Carlos Nader, projetado em um telão multimídia. O espaço conta a história do futebol brasileiro entre as décadas de 1930 e 1950, incluindo o surgimento do rádio e a unificação do país pelo esporte. É justamente neste momento que o futebol assume um valor cultural significativo para o país.

Em seguida, a Sala Rito de Passagem relembra o capítulo que todos os brasileiros queriam esquecer: o Maracanazo. Como ficou conhecida a derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950, disputada no Maracanã. A tragédia, porém, é apresentada como o ponto de virada para o início de uma trajetória vitoriosa. A próxima sala, chamada de Copas, é o ambiente ideal para quem quer saber tudo sobre a história dos Mundiais, incluindo os cinco títulos conquistados pelo Brasil (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). O espaço relembra detalhes desde a edição inaugural, realizada em 1930, no Uruguai, intercalando com imagens sobre o que acontecia no mundo, seja na música ou na política, em cada período. Agora, o local também traz imagens das Copas femininas.

Não poderia faltar um espaço para celebrar o maior jogador de todos os tempos. Na sala que leva o seu nome, os maiores feitos de Pelé são apresentados, entre verdadeiras relíquias como a camisa usada na conquista da Copa do Mundo de 1970, a sua terceira pela seleção brasileira. “Essa foi a parte que eu mais gostei”, contou Amanda Ferreira, de 14 anos, que visitou o local com seus colegas do Programa de Atendimento e Integração Maria Tereza Rebello (PAIM), com sede em Jundiaí-SP.

Ainda no segundo andar, basta atravessar uma passarela, apreciar a vista para a Praça Charles Miller, e seguir para a sala Almanaque da Bola (antiga sala Números e Curiosidades), na ala leste do museu. A área faz jus ao nome e apresenta informações rápidas, curiosas, divertidas, recordes e tantos outros dados, além de uma bela vista para o gramado (hoje sintético) do Pacaembu.

Depois de um passeio repleto de inúmeros registros históricos, nada melhor do que encerrar a visita com uma boa diversão. A sala Jogo de Corpo é a mais interativa do Museu do Futebol, e talvez por isso uma das mais apreciadas pelas crianças. São dezenas de atividades que exploram atributos do esporte, como passe, chute e precisão. O jogo da velha interativo e o medidor de força de chute atraíram filas e fizeram a alegria dos pequenos. “O que eu mais gostei do museu foi da área das camisetas e de poder medir a força do meu chute”, contou Enzo, de 14 anos, cujos melhores tiros passaram de 40km/h.

Se na entrada quem é o Rei Pelé quem dá as boas-vindas, nada mais justo do que a Rainha Marta finalizar o passeio. Em um totem, a camisa 10 se despede dos visitantes e os convida para o “jogo de volta” no Museu do Futebol.

Museu do Futebol (ALEXANDRE BATTIBUGLI / PLACAR)

SERVIÇO

Museu do Futebol
Endereço: Praça Charles Miller, s/n, Estádio Paulo Machado de Carvalho – Pacaembu, São Paulo/SP

Horários: Terça a domingo 9h às 18h (entrada permitida até 17h); Toda primeira terça do mês, até as 21h (entrada permitida até 20h)

Valores: Inteira R$ 25,00; Meia R$ 12,50; crianças de até 7 anos não pagam. Entrada gratuita todas às terças-feiras.
museudofutebol.org.br

Capa da edição 1540 de PLACAR, dedicada ao Dia das Crianças

Capa da edição 1540 de PLACAR, dedicada ao Dia das Crianças

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