Ronaldo Luís Nazário de Lima, o Fenômeno, completa 50 anos nesta sexta-feira, 18 (data exata de seu nascimento, apesar de ter sido registrado no dia 22). Um dos maiores jogadores de todos os tempos, R9 é também um dos atletas que mais vezes estamparam capas de PLACAR.

A primeira delas ocorreu em fevereiro de 1996: “o garoto de 20 milhões de dólares”, era a chamada de capa em que o jogador de 19 anos posou sob o reflexo da moeda americana. Na época, o prodígio carioca revelado pelo Cruzeiro estava prestes a deixar o PSV Eindhoven, da Holanda, rumo ao Barcelona, iniciando uma carreira devastadora no futebol europeu (só ganharia o apelido Fenômeno no ano seguinte, pela Inter de Milão).

Na entrevista ao repórter Sérgio Garcia, aliás, Ronaldo já falava do desejo de atuar pela Inter, numa época em que o Campeonato Italiano era o mais badalado. “Já me disseram que os caras estão loucos por mim. Os dirigentes do PSV me perguntaram se queria ir e eu respondi que prefiro ficar e ganhar algum título na Holanda. Mas em 1997 quero ir mesmo. O melhor jogador da Itália é automaticamente o melhor da Europa.”

Ronaldo Luis Nazário de Lima, jogador do PSV Eindhoven (BRUNO VEIGA/PLACAR)

No aniversário de Ronaldo, leia um trecho da capa histórica em que

Mina de Ouro

Ronaldo tem apenas 19 anos e é o jogador brasileiro mais valorizado no mundo. Ganhou corpo, maturidade e fama. O preço do seu passe, acredite, já está avaliado em 20 milhões de dólares

Por: Sérgio Garcia

Ronaldinho não, Ronaldo. O atacante do PSV, da Holanda, cresceu e quer aparecer mais e mais. Em 1995, ganhou 2 centímetros de altura (fato que sobrecarrega seus joelhos e provoca lesões) e perdeu o aparelho dentário que lhe dava o sorriso juvenil prateado. Ficou com cara de homem. E não só a cara. Depois de ter explodido às vésperas da Copa do Mundo dos Estados Unidos, o garoto-esperança virou jogador-realidade. Contratado por 6 milhões de dólares, justificou o investimento holandês em gols. Está com uma média de 1 gol por partida e virou o objeto do desejo de diversos clubes da Europa. Nem Juninho, nem Giovanni. Nenhum brasileiro vale tanto quanto Ronaldo. A Inter de Milão estaria disposta a pagar a fábula de 20 milhões de dólares pelo atacante, hoje com 19 anos. Os italianos têm a prioridade no negócio e seus dirigentes declararam que não perderão Ronaldo em hipótese alguma.

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Ronaldo, jogador do Barcelona (PISCO DEL GAISO/PLACAR)

O craque que escapou da síndrome

Quem imagina Ronaldo como mais um daqueles que não tira o pagode do CD-player, sonha com o feijão preto diário, tem banzo de qualquer coisa que lembre o Brasil, erra feio. Voltar à terrinha, segundo os planos do jogador, só em 2008. Depois de uma temporada de quatro meses com a supervisão da mãe, Ronaldo está morando em Eindhoven com um amigo baiano e está mais adaptado do que muito boleiro que vive há mais tempo no estrangeiro. “Já estou falando legal o holandês e entendo praticamente tudo o que se fala na TV”, conta Ronaldo. Para ficar em contato com o mundo, comprou um computador e navega pela Internet. É através da rede que lê todas as manhãs os jornais brasileiros. “É barato, menos de 30 cents (dólar) por minuto.”

Ronaldo, jogador do PSV Eindhoven, em 1995 (PISCO DEL GAISO/PLACAR)

O pensamento Ronaldiano

Inter de Milão – Já me disseram que os caras estão loucos por mim. Os dirigentes do PSV me perguntaram se queria ir e eu respondi que prefiro ficar e ganhar algum título na Holanda. Mas em 1997 quero ir mesmo. O melhor jogador da Itália é automaticamente o melhor da Europa.

Edmundo – Com o que ele ganha no Brasil, eu nem pensaria em ir para a Europa e jogar em temperaturas abaixo de zero. Fazer o que lá fora?

Futebol brasileiro – Os holandeses adoram o Brasil. Falei do Giovanni para eles e os dirigentes ficaram interessados.

Kluivert – Tentei alimentar uma rivalidade com o atacante do Ajax. Na TV, disse que eu era melhor e faria mais gols que ele. Kluivert não respondeu. Na Holanda eles não entendem essa coisa de promover o campeonato.

Romário – Saiu como rei de Eindhoven. Fora dele, era como o diabo. Dizem que sou totalmente diferente dele. Sou brincalhão, puxo o boné do treinador. O Romário não falava com ninguém e dava entrevistas chamando o colega de clube de burro.

LEIA A ÍNTEGRA EM NOSSO ACERVO

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